São Joaquim e Sant’Ana: escolhidos por Deus para gerar a Virgem Maria

Com a reforma litúrgica, após o Concílio Vaticano II, em 1969, os pais de Maria foram unidos em uma única celebração, no dia 26 de julho

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Sobre os avós de Jesus, não há relatos nos Evangelhos canônicos. Algumas das informações a respeito são encontradas no “Protoevangelho de Tiago”, um evangelho apócrifo do século II. O texto fala dos momentos da vida de Nossa Senhora, o matrimônio dos pais Joaquim e Ana, a concepção da filha após 20 anos de casados, seu nascimento e a apresentação ao Templo de Jerusalém. Os acontecimentos narrados estão inseridos no contexto histórico de Jerusalém.

BENEVOLÊNCIA DIVINA            

Em hebraico, Ana exprime “graça”, e Joaquim equivale a “Javé prepara ou fortalece”. Segundo a tradição, Ana era filha de Achar e irmã de Esmeria, mãe de Isabel e avó de João Batista. Joaquim era um homem piedoso e muito rico, da origem de Davi.

Joaquim e Ana, segundo relatos, eram estéreis. Não gerar filhos, para os judeus daquela época, era sinal da falta de bênção e da graça divina. Mesmo assim, viviam uma vida de fé e de temor a Deus.

Joaquim, um dia, ao levar suas ofertas ao Templo, foi repreendido por um homem, chamado Ruben, pelo fato de não ter filhos, e, por isso, não ter o direito de apresentar as suas ofertas, uma vez que era estéril.

Humilhado e transtornado com aquelas palavras, Joaquim decidiu retirar-se para o deserto e, durante 40 dias e 40 noites, suplicou a Deus, entre lágrimas e jejuns, que lhe desse descendentes. Ana também pediu a Deus, em oração, a graça da maternidade.

Padre José Roberto Abreu de Matos é Reitor da Basílica Menor de Sant’Ana e destacou em entrevista que a história de Joaquim e Ana se assemelha à história de Abraão e Sara, de Santa Isabel e outros mencionados na Sagrada Escritura.

“Ambos eram estéreis e, graças à benevolência de Deus, geraram já na velhice. Joaquim e Ana deram à luz uma filha, Mirian (Maria), que significa a amada, a esperada, a desejada. Ana e Joaquim eram piedosos e tementes a Deus”, detalhou.

VISITA DO ANJO          

O anúncio da gestação veio por meio da visita de um anjo que lhes deu a boa notícia, e Joaquim e Ana selaram o anúncio com um beijo diante da Porta Áurea de Jerusalém, lugar onde, segundo relatos da tradição judaica, a presença divina teria se manifestado, bem como o advento do Messias.

Maria, filha do casal, foi criada com o cuidado carinhoso do pai e a atenção amorosa da mãe, na casa situada perto da piscina de Betesda. No local, no século XII, os Cruzados construíram uma igreja, dedicada a Ana, que ainda existe.

Quando a filha completou 3 anos, Joaquim e Ana levaram-na ao Templo, para consagrá-la em sinal de agradecimento a Deus.

“Sem dúvidas, Ana e Joaquim pertenciam ao grupo daqueles judeus piedosos que esperavam a consolação de Israel, e a eles foi dada uma tarefa especial na história da salvação: foram escolhidos por Deus para gerar a Virgem Maria, que, por sua vez, é chamada a gerar o Filho de Deus”, enfatizou Dom José Antônio Peruzzo, Arcebispo de Curitiba (PR) e Bispo Referencial para a Pastoral da Pessoa Idosa da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Os textos apócrifos não fazem outras referências a Joaquim, enquanto sobre Ana acrescentam que ela teria vivido até os 80 anos de idade. Sant’Ana é considerada a padroeira das mães e das viúvas, e é invocada nos partos difíceis e contra a esterilidade conjugal. As parturientes se dirigem a ela para obter de Deus três grandes favores: um parto feliz, um filho saudável e leite suficiente para poder amamentá-lo.

MEMÓRIA LITÚRGICA

O culto aos pais de Maria Santíssima e avós de Jesus surgiu primeiro no Oriente, depois no Ocidente, e, ao longo dos séculos, foi recordado em diferentes datas. Em 1481, o Papa Sisto IV introduziu a festa de Sant’Ana no Breviário Romano, estabelecendo a data da sua memória litúrgica em 26 de julho, que segundo a tradição é considerado o dia da sua morte. Em 1584, o Papa Gregório XIII incluiu a celebração litúrgica de Sant’Ana no Missal Romano. Em 1510, o Papa Júlio II inseriu, no calendário litúrgico, a memória de São Joaquim, em 20 de março; depois, a data foi mudando várias vezes, nos séculos seguintes. Com a reforma litúrgica, após o Concílio Vaticano II, em 1969, os pais de Maria foram unidos em uma única celebração, no dia 26 de julho.

ORAÇÃO

Ó São Joaquim e Sant’Ana, protegei as nossas famílias desde o início promissor até a idade madura repleta dos sofrimentos da vida e amparai-as na fidelidade às promessas solenes. Acompanhai os idosos que se aproximam do encontro com Deus. Suavizai a passagem, suplicando para aquela hora a presença materna da vossa Filha ditosa, a Virgem Maria, e do seu Filho divino, Jesus! Amém!

(Com informações de Vatican News)

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