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Da ‘Casa da Mãe’ para cuidar da casa comum

Da ‘Casa da Mãe’ para cuidar da casa comum - Jornal O São Paulo
Thiago Leon/Santuario Nacional de Aparecida

A fachada leste do Santuário Na­cional de Nossa Senhora Aparecida, no Vale do Paraíba, retrata, em quase 4 mil mosaicos, o mistério da Criação. A memória da graça da natureza, po­rém, não se limita a um dos lados do maior santuário mariano do mundo, mas se amplia em gestos concretos de cuidado com a casa comum.

É com essa perspectiva que foi inaugurada, em fevereiro deste ano, a Usina de Triagem e Compostagem São Geraldo, instalada na Fazenda São José, a três quilômetros da basílica ma­riana, e considerada a primeira desse porte na região.

Na prática, a UTC São Geraldo re­cebe os resíduos produzidos nas dife­rentes atividades do complexo do San­tuário Nacional e realiza a separação dos materiais de acordo com sua desti­nação. Papel, plástico, metais e outros recicláveis são triados e encaminhados para a reciclagem, enquanto os resídu­os orgânicos vão para a compostagem para serem transformados em adubo, a ser utilizado posteriormente na jar­dinagem do templo mariano.

UM PROCESSO DE APRENDIZADO

Segundo Ana Luisa Taschetto, ge­rente de conservação e meio ambiente no Santuário Nacional de Aparecida, desde o início da operação tem havido um processo contínuo de adaptação e aprendizado, incluindo a necessidade de organizar adequadamente todas as etapas e manter a limpeza da UTC São Geraldo, desde a separação dos resíduos na origem até a triagem, envol­vendo, ainda, sua classificação, arma­zenamento e encaminhamento.

“Um dos principais desafios tem sido adaptar a rotina de trabalho ao volume e à diversidade de resíduos gerados pelo complexo do Santuário Nacional. Também é desafiador quan­do eles não são descartados adequa­damente, especialmente em períodos de maior movimentação de visitantes. Também foi necessário aprimorar os procedimentos de separação dos ma­teriais e fortalecer a conscientização dos colaboradores e demais envolvi­dos sobre a importância do descarte correto”, apontou a gerente.

A implantação da UTC São Geral­do não representa apenas uma mu­dança na destinação dos resíduos, mas também a construção de uma nova cultura dentro do próprio complexo. Para que o processo funcione de ma­neira adequada, cada etapa depende da participação de diferentes equipes e, principalmente, da correta separa­ção dos materiais desde a origem.

AVANÇOS PERCEBIDOS

Da ‘Casa da Mãe’ para cuidar da casa comum - Jornal O São Paulo
Inauguração da Usina São Geraldo na Fazenda São José, cerimonia de inauguração Presidida pelo Arcebispo de Aparecida Dom Orlando Brandes com participação dos Padre Fabio Evaristo Economo, Padre Adam Rapala Adjunto Economo, Padre Marlos Aurelio Provincial Redentorista, Padre Jorge Américo, Padre Guilherme cerimoniario, participaram tmabem colaboradores do Santuario Nacional. 26/02/2026 – Foto: Thiago Leon/Santuario Nacional de Aparecida

A Usina tem capacidade para pro­cessar até 10 toneladas de resíduos por dia, mas atualmente tem processa­do de 2 a 6 toneladas. O volume varia de acordo com os períodos de maior movimentação no Santuário Nacional de Aparecida.

Desde que a UTC São Geraldo foi inaugurada, cerca de 181 toneladas de resíduos deixaram de ser encaminha­das ao aterro sanitário.

“Este resultado representa um avan­ço importante na gestão dos resíduos gerados pelo complexo, uma vez que parte significativa dos materiais passou a ser direcionada para processos de triagem, reciclagem e compostagem, possibilitando seu reaproveitamento e reduzindo a quantidade de rejeitos destinados à disposição final”, explicou Ana Luisa.

Outro resultado destacado pela ge­rente foi a produção do primeiro com­posto a partir de resíduos orgânicos submetidos ao processo de compos­tagem. A abertura das primeiras leiras permitiu constatar, na prática, o po­tencial de transformação dos resíduos orgânicos em um novo recurso, forta­lecendo o conceito de aproveitamento e valorização dos resíduos dentro de uma perspectiva de economia circular.

Ao serem separados, tratados e re­aproveitados, os materiais, conforme realçado por Ana Luisa, retornam ao ciclo produtivo ou se transformam em novos recursos, diminuindo, assim, a quantidade de rejeitos e ampliando a vida útil dos aterros sanitários.

A MUDANÇA QUE COMEÇA PELAS PESSOAS

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Inauguração da Usina São Geraldo na Fazenda São José, cerimonia de inauguração Presidida pelo Arcebispo de Aparecida Dom Orlando Brandes com participação dos Padre Fabio Evaristo Economo, Padre Adam Rapala Adjunto Economo, Padre Marlos Aurelio Provincial Redentorista, Padre Jorge Américo, Padre Guilherme cerimoniario, participaram tmabem colaboradores do Santuario Nacional. 26/02/2026 – Foto: Thiago Leon/Santuario Nacional de Aparecida

Além dos resultados operacionais, a UTC São Geraldo – que é 100% alimentada com energia renovável proveniente da Usina Fotovoltaica São Francisco – também tem contri­buído para ampliar a conscientização ambiental entre os colaboradores. Ao acompanhar de perto as etapas de se­paração, triagem, reciclagem e com­postagem, as equipes passam a com­preender melhor o impacto de suas escolhas e a importância da destinação adequada dos resíduos, o que favorece a mudança de hábitos e fortalece uma cultura de responsabilidade ambiental.

Ana Luisa também lembra que a Usina tem gerado impactos sociais por meio da criação de empregos di­retos e indiretos, movimentando a economia local e contribuindo para o desenvolvimento profissional de pes­soas da região. Além das oportunida­des relacionadas à operação e à ma­nutenção da estrutura, sua atividade movimenta empresas, fornecedores e prestadores de serviços envolvidos em diferentes etapas de funcionamento.

Peregrinos, colaboradores e vi­sitantes também desempenham um papel fundamental nesse processo de transformação. Ana Luisa comenta que atitudes simples, “como o descar­te correto dos resíduos, a redução do desperdício de água e de energia e a preservação dos espaços do Santuário” contribuem para a construção de um ambiente mais sustentável. “O descar­te adequado dos resíduos, por exem­plo, facilita a reciclagem, evita a conta­minação do solo e da água e contribui para manter os espaços limpos e bem cuidados”, detalha.

Por fim, a gerente de conservação e meio ambiente no Santuário Nacional de Aparecida aponta que, ao promover conhecimentos sobre o uso res­ponsável dos recursos naturais, a im­portância das energias renováveis e a adoção de práticas mais sustentáveis no cotidiano, “a usina gera benefícios que vão além da produção de energia, for­talecendo também o desenvolvimento social e a conscientização ambiental”.

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