
A fachada leste do Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, no Vale do Paraíba, retrata, em quase 4 mil mosaicos, o mistério da Criação. A memória da graça da natureza, porém, não se limita a um dos lados do maior santuário mariano do mundo, mas se amplia em gestos concretos de cuidado com a casa comum.
É com essa perspectiva que foi inaugurada, em fevereiro deste ano, a Usina de Triagem e Compostagem São Geraldo, instalada na Fazenda São José, a três quilômetros da basílica mariana, e considerada a primeira desse porte na região.
Na prática, a UTC São Geraldo recebe os resíduos produzidos nas diferentes atividades do complexo do Santuário Nacional e realiza a separação dos materiais de acordo com sua destinação. Papel, plástico, metais e outros recicláveis são triados e encaminhados para a reciclagem, enquanto os resíduos orgânicos vão para a compostagem para serem transformados em adubo, a ser utilizado posteriormente na jardinagem do templo mariano.
UM PROCESSO DE APRENDIZADO
Segundo Ana Luisa Taschetto, gerente de conservação e meio ambiente no Santuário Nacional de Aparecida, desde o início da operação tem havido um processo contínuo de adaptação e aprendizado, incluindo a necessidade de organizar adequadamente todas as etapas e manter a limpeza da UTC São Geraldo, desde a separação dos resíduos na origem até a triagem, envolvendo, ainda, sua classificação, armazenamento e encaminhamento.
“Um dos principais desafios tem sido adaptar a rotina de trabalho ao volume e à diversidade de resíduos gerados pelo complexo do Santuário Nacional. Também é desafiador quando eles não são descartados adequadamente, especialmente em períodos de maior movimentação de visitantes. Também foi necessário aprimorar os procedimentos de separação dos materiais e fortalecer a conscientização dos colaboradores e demais envolvidos sobre a importância do descarte correto”, apontou a gerente.
A implantação da UTC São Geraldo não representa apenas uma mudança na destinação dos resíduos, mas também a construção de uma nova cultura dentro do próprio complexo. Para que o processo funcione de maneira adequada, cada etapa depende da participação de diferentes equipes e, principalmente, da correta separação dos materiais desde a origem.
AVANÇOS PERCEBIDOS

A Usina tem capacidade para processar até 10 toneladas de resíduos por dia, mas atualmente tem processado de 2 a 6 toneladas. O volume varia de acordo com os períodos de maior movimentação no Santuário Nacional de Aparecida.
Desde que a UTC São Geraldo foi inaugurada, cerca de 181 toneladas de resíduos deixaram de ser encaminhadas ao aterro sanitário.
“Este resultado representa um avanço importante na gestão dos resíduos gerados pelo complexo, uma vez que parte significativa dos materiais passou a ser direcionada para processos de triagem, reciclagem e compostagem, possibilitando seu reaproveitamento e reduzindo a quantidade de rejeitos destinados à disposição final”, explicou Ana Luisa.
Outro resultado destacado pela gerente foi a produção do primeiro composto a partir de resíduos orgânicos submetidos ao processo de compostagem. A abertura das primeiras leiras permitiu constatar, na prática, o potencial de transformação dos resíduos orgânicos em um novo recurso, fortalecendo o conceito de aproveitamento e valorização dos resíduos dentro de uma perspectiva de economia circular.
Ao serem separados, tratados e reaproveitados, os materiais, conforme realçado por Ana Luisa, retornam ao ciclo produtivo ou se transformam em novos recursos, diminuindo, assim, a quantidade de rejeitos e ampliando a vida útil dos aterros sanitários.
A MUDANÇA QUE COMEÇA PELAS PESSOAS

Além dos resultados operacionais, a UTC São Geraldo – que é 100% alimentada com energia renovável proveniente da Usina Fotovoltaica São Francisco – também tem contribuído para ampliar a conscientização ambiental entre os colaboradores. Ao acompanhar de perto as etapas de separação, triagem, reciclagem e compostagem, as equipes passam a compreender melhor o impacto de suas escolhas e a importância da destinação adequada dos resíduos, o que favorece a mudança de hábitos e fortalece uma cultura de responsabilidade ambiental.
Ana Luisa também lembra que a Usina tem gerado impactos sociais por meio da criação de empregos diretos e indiretos, movimentando a economia local e contribuindo para o desenvolvimento profissional de pessoas da região. Além das oportunidades relacionadas à operação e à manutenção da estrutura, sua atividade movimenta empresas, fornecedores e prestadores de serviços envolvidos em diferentes etapas de funcionamento.
Peregrinos, colaboradores e visitantes também desempenham um papel fundamental nesse processo de transformação. Ana Luisa comenta que atitudes simples, “como o descarte correto dos resíduos, a redução do desperdício de água e de energia e a preservação dos espaços do Santuário” contribuem para a construção de um ambiente mais sustentável. “O descarte adequado dos resíduos, por exemplo, facilita a reciclagem, evita a contaminação do solo e da água e contribui para manter os espaços limpos e bem cuidados”, detalha.
Por fim, a gerente de conservação e meio ambiente no Santuário Nacional de Aparecida aponta que, ao promover conhecimentos sobre o uso responsável dos recursos naturais, a importância das energias renováveis e a adoção de práticas mais sustentáveis no cotidiano, “a usina gera benefícios que vão além da produção de energia, fortalecendo também o desenvolvimento social e a conscientização ambiental”.

