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Para viver a ecologia integral a partir da família e em comunidade

Para viver a ecologia integral a partir da família e em comunidade - Jornal O São Paulo

Um subsídio para inspirar e incentivar as famílias a adotarem atitudes e práticas que promovam os ensinamentos da encíclica Laudato si’ (LS) sobre o cuidado da casa comum, e para que atuem em prol do desenvolvimento humano integral. Este é o propósito do documento ‘A Ecologia Integral na Vida da Família’, lançado neste ano pelo Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral e o Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida.

O documento recorda o papel fundamental da família para promover uma “aliança entre a humanidade e o ambiente” (cf. LS 209), por meio de uma educação que leve ao crescimento das virtudes humanas, para cultivar “os primeiros hábitos de amor e cuidado da vida, como, por exemplo, o uso correto das coisas, a ordem e a limpeza, o respeito pelo ecossistema local e a proteção de todas as criaturas” (LS 213). 

ATITUDES FUNDAMENTAIS

O capítulo 5 do texto trata sobre “Ecologia Integral e Educação”, apontando aspectos centrais para o fomento da educação ambiental.

Uma educação atenta à ecologia integral visa a restaurar “os distintos níveis de equilíbrio ecológico: o interior consigo mesmo, o solidário com os outros, o natural com todos os seres vivos, o espiritual com Deus” (LS 210), sendo voltada não somente para crianças, mas para todos os membros das famílias.

No texto é lembrado que educar ecologicamente implica “transmitir um sentido, quer do valor quer da fragilidade dos seres e das coisas que os rodeiam. Se tudo foi criado, cada dia é uma oportunidade para dar graças a Deus pela bondade e beleza do mundo, bem como um desafio para cuidar da preservação de todos seus elementos. O cuidado, a gratidão e a preocupação com tudo o que existe, e sem o qual não poderíamos viver, representam a base de uma educação ecológica”.

A partir desta conscientização, todos os membros de uma família serão “levados a avaliar melhor os bens materiais, a melhor aproveitá-los deles com toda a dignidade e a melhor reparti-los no seio de cada família e com todos os membros da sociedade a que pertencem” (São João Paulo II, Carta para o Dia Mundial da Alfabetização de 1979).

Este educar ecologicamente também envolve aprender a aceitar o próprio corpo, a cuidar dele e a respeitar os seus significados, pois “a aceitação do próprio corpo como dom de Deus é necessária para acolher e aceitar o mundo inteiro como dom do Pai e casa comum” (LS 155). Nessa mesma perspectiva, o documento indica que as crianças “devem ser educadas para valorizar a beleza da complementaridade entre homens e mulheres, e à exigência de respeito mútuo”.

O documento também recomenda que se fomente uma “educação apropriada para a idade e voltada para a missão”. Para fazê-lo, é fundamental o “ensino com o exemplo, tempo, realismo paciente e pequenos passos”, valendo-se de informações adequadas para cada idade, “com a ajuda de casos de estudo e comentários sobre as melhores práticas ou lições aprendidas”.

Práticas concretas são indispensáveis neste processo de educação ecológica: “Atividades relacionadas à solidariedade, campanhas de limpeza, envolvimento em trabalhos agrícolas ou jardinagem e o cuidado dos animais podem facilitar, aos poucos, o compromisso futuro”.

O documento também incentiva que nos oratórios paroquiais, grupo de jovens, escolas, clubes esportivos e outras instituições haja melhorias relacionadas ao cuidado com a casa comum. “Dessa forma, todo o ‘ambiente de aprendizagem’ favorece os processos educacionais.

O capítulo 5 do documento apresenta ainda uma lista de reflexões (leia ao lado) para que cada pessoa, grupo e a sociedade como um todo verifique se, de fato, tem agido em favor de uma educação para a ecologia integral, além de apontamentos para ações concretas.

REFLEXÕES SOBRE O EDUCAR PARA A ECOLOGIA INTEGRAL

– Como se tem apoiado os pais que buscam ensinar a sobriedade e um estilo de vida simples a seus filhos?
– O que as crianças e jovens têm aprendido sobre recursos naturais e sustentabilidade? 
– As pessoas com deficiências são excluídas dos passeios didáticos ou da possibilidade de ter um encontro com a fauna silvestre?
– Quais ensinamentos estão sendo aprendidos com a contemplação dos ecossistemas?
– O que pode ser feito para que pessoas de diferentes idades e gerações aprendam mais sobre o ambiente natural que as rodeia?
– Como os pais têm dialogado com os filhos a respeito de temas como pornografia, castidade, casamento e violência sexual?
– A família conhece os ensinamentos da Igreja sobre o cuidado com a casa comum, a proteção da vida humana e o desenvolvimento humano integral?

AÇÕES CONCRETAS EM FAVOR DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL

– Assuma responsabilidades pela educação dos membros da família;
– Converse, de forma apropriada para cada idade, sobre a necessidade de proteger a vida humana do aborto, da maternidade sub-rogada e da eutanásia;
– Converse sobre a necessidade de cuidar de pessoas em dificuldade dentro da família; 
– Dialogue a respeito da beleza, dignidade e o significado da sexualidade humana;
– Peça à escola local que implemente melhorias ecológicas em suas instalações;
– Requeira da escola uma atualização das atividades ecológicas e dos manuais de ensino;
– Verifique se a escola está ajudando as crianças a aprenderem sobre botânica, valendo-se de plantas em seu interior ou de uma horta escolar;
– Coletivamente, que se proporcione passeios na natureza, bem como a indústrias de processamento de alimentos ou fazendas, para que os estudantes aprendam com especialistas como as coisas da natureza são transformadas para o consumo final;
– Aprenda os nomes e as características dos animais e plantas de sua região;
– Monitore as condições climáticas locais;
– Ensine a não desperdiçar alimentos.

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