A pujança espiritual de São Pedro inclui seu legado às Sagradas Escrituras

Vatican Media

São Justino, São Bonifácio, Santo Efrem, São José de Anchieta, São Luiz Gonzaga, São Cirilo, Santo Irineu… Esses são alguns dos diversos santos celebrados pela liturgia no mês de junho, porém nenhum deles se compara em popularidade àqueles vinculados às tradicionais festas juninas: Santo Antônio, São João e São Pedro.

Cada um deles legou, à sua maneira e com a própria história de vida, uma vasta contribuição ao patrimônio espiritual da Igreja e que até hoje serve de inspiração e itinerário a todos aqueles que queiram viver asceticamente e ter maior proximidade de Deus.

Junho se aproxima do fim e, para coroar o percurso iluminador apresentado por esses homens de comprovada santidade, a Igreja celebra, no dia 29, a Solenidade de São Pedro, que, segundo uma antiga tradição romana, é a data em que o Apóstolo foi martirizado. Este ano, no Brasil, a comemoração será transferida para o domingo seguinte, 4 de julho.

ESCOLHA DE CRISTO

Esta celebração recorda que o Apóstolo foi escolhido por Cristo: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja”. Humildemente e apesar de suas fragilidades humanas, aceitou a missão de ser “a rocha” da Igreja e apascentar o rebanho de Deus, tornando-se o primeiro Papa.

Como Sucessor de Pedro e Vigário de Cristo, o Papa é o princípio e fundamento perpétuo e visível da unidade, tanto dos bispos quanto dos fiéis. É pastor de toda a Igreja e desfruta de poder pleno, supremo e universal. Por isso, nesta data também é comemorado o Dia do Papa.

LEGADO

São Pedro, tanto pelo papel desempenhado no grupo dos apóstolos quanto por sua presença nos momentos decisivos da vida de Cristo, dispensa apresentações. Edificado e amadurecido pela convivência com Nosso Senhor, seu testemunho e pujança espiritual se materializam nas páginas do Evangelho e dos Atos dos Apóstolos, tornando-o um grande e acabado modelo de discípulo a ser imitado.

O que muitos não se recordam, no entanto, é de que o legado de São Pedro não se limitou exclusivamente às experiências que vivenciou, mas também ao conteúdo de suas epístolas nas Sagradas Escrituras. Há estudiosos, no entanto, que sustentam que o Apóstolo não poderia ter sido o autor delas em sua totalidade, mérito que não será levado em consideração no presente artigo.

SAGRADAS ESCRITURAS

Assim, dos 27 livros que compõem o Novo Testamento, dois deles são atribuídos ao Apóstolo: a 1ª e a 2ª Carta de São Pedro. Embora constituídos de breve conteúdo (a 1ª Carta tem cinco capítulos, a 2ª, apenas três), tais livros, como qualquer outro da Bíblia, são um manancial de ensinamento e sabedoria.

Escritos possivelmente entre os anos 60 e 67, seus destinatários foram os cristãos que viviam nas cinco regiões da Ásia Menor (Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia, hoje parte do território da Turquia), após um período suficiente de atividade missionária dos apóstolos que suscitou o aparecimento das igrejas nas localidades mencionadas acima.

1ª CARTA

De estilo simples e vivaz, na 1ª Carta, Pedro se dirige de forma catequética a seus destinatários, particularmente os recém-convertidos, como os exilados dispersos, uma vez que o texto ilustra os fiéis como estrangeiros e viajantes de um exílio temporário, longe de sua verdadeira pátria celeste. Assim, trata-se de uma carta prática, cuja preocupação é a vivência concreta da fé no âmbito das comunidades.

“A 1ª Carta de São Pedro retrata muito a questão do sofrimento, da paciência, da humildade, ou seja, o sofrimento daquele que faz o bem, sobretudo no contexto das perseguições, e a aceitação de tal situação com humildade, com a fé provada até as últimas consequências”, afirmou o Padre João Bechara Ventura, doutorando em Exegese no Pontifício Instituto Bíblico, em Roma.

Diante da crescente onda de perseguições que assolava aquelas regiões, esta carta é considerada uma epístola pastoral, com o intuito de consolar as igrejas primitivas que se viam desorientadas pela crescente hostilidade contra os cristãos.

Para alguns, o desdém dos pagãos pelos fiéis poderia acarretar uma crise de fé. Para outros, poderia levar ao desânimo e à confusão sobre os desígnios de Deus em tais provações. Nesse contexto, Pedro sentia-se impelido, como testemunha ocular dos sofrimentos de Cristo, a exortar aquelas comunidades a perceberem que as adversidades e sofrimentos deveriam ser acolhidos como oportunidades para a concretização dos planos divinos na vida de cada um.

Assim, seu propósito era reavivar nos membros daquelas comunidades a alegria, a santidade e a esperança da salvação, mesmo em tempos de provação, além de instruir seus integrantes a respeito de como viver em diferentes contextos sociais, da família à Igreja, entre outros.

2ª CARTA

Com linguagem mais formal e enfoque na questão doutrinária, a 2ª Carta de São Pedro se destinava aos cristãos expostos aos perigos das heresias e dos falsos ensinamentos. Pedro tinha conhecimento de que enganadores faziam surgir igrejas missionárias infiltradas com suas ideias erradas e que se contrapunham diretamente à fé difundida pelos apóstolos.

Os falsos mestres afirmavam que a doutrina apostólica era fruto de uma fantasia, ancorados no fato de que a parusia deveria ter ocorrido durante a existência da primeira geração de cristãos; contudo, como a segunda vinda de Cristo não se concretizava, esse “atraso” era ridicularizado. Assim, no entendimento deles, não haveria parusia nem julgamento, o que justificava que tudo era permitido, sem a necessidade de se levar a vida de maneira santa e com a retidão de princípios.

Pedro, então, ataca vigorosamente a conduta e os ensinamentos desses falsários, na esperança de blindar seus destinatários contra tais ideias enganosas e que poderiam direcioná -los a caminhos extraviados.

Padre João Bechara lembra, ainda, que “a 2ª Carta é escatológica, fala das recompensas, dos castigos, e recorda que, embora estejamos ainda neste mundo, precisamos viver com os olhos na vida futura, em Deus. Pedro exorta que é preciso nos prepararmos, ver os acontecimentos presentes à luz da esperança em Cristo”.

MENSAGEM ATUAL

Em relação à mensagem, o conteúdo das cartas se complementa: esperança e verdade devem pavimentar o caminho da fé. No presente contexto de falsidade religiosa e pluralidade de itinerários que prometem levar à salvação, as exortações e conselhos de São Pedro são um estímulo a todos os cristãos dos dias atuais, demonstrando a importância de se construir, hoje, as bases de uma vida em Deus que alcançará a eternidade.

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