Afeganistão: 24 milhões de pessoas vivem em condições críticas, mas Talibã recusa ajudas externas

Surtos de disenteria, sarampo, dengue, malária e COVID-19 foram relatados. População sofre com precariedade dos serviços de saúde

Afeganistão: 24 milhões de pessoas vivem em condições críticas, mas Talibã recusa ajudas externas
Reprodução /Força Aérea US

São necessários mais de US$ 4 bilhões para atender às necessidades de uma população afegã cada vez mais pobre e faminta, atingida por uma crise sanitária sem precedentes, segundo as agências humanitárias ainda presentes no país.

Pelo menos 24 milhões de pessoas de uma população total de 36 milhões estão em condições críticas e precisam urgentemente de ajuda, que pouco está chegando, devido a impedimentos impostos pelo Talibã.

O vice-representante especial do secretário-geral da ONU para o Afeganistão, Ramiz Alakbarov, pediu ajuda, mas também enfatizou a necessidade de respeitar os direitos humanos e as liberdades.

Em resposta, o Ministério da Economia afegão, controlado pelo Talibã, disse que preparou um esquema para a distribuição transparente de ajuda às pessoas necessitadas e que recebe o apoio das Nações Unidas e de agências internacionais.

No entanto, a situação no território tornar-se cada vez mais difícil, em particular no campo da saúde.

Segundo especialistas, o sistema de saúde local está perto do colapso devido à falta de recursos e necessidades maiores, como a fome crescente e a pandemia de COVID-19.

Recente reportagem do jornal New York Times relata que hospitais e clínicas mal estão se sustentando em meio à escassez crônica de financiamento e um “vasto surto de desnutrição e doenças”.

De acordo com algumas estimativas, até 90% dos hospitais e clínicas podem fechar nos próximos meses, deixando os afegãos sem qualquer esperança de assistência médica.

Como outros hospitais do país, o Hospital Infantil Indira Gandhi de Cabul tem que lidar com crianças famintas que chegam dia e noite de carro, táxi, ambulância ou outros meios.

A desnutrição aguda é apenas a mais recente de uma onda de doenças que atingem o frágil sistema de saúde do país.

Antônio Guterres, que no mês passado disse que o Afeganistão estava “por um fio”, pediu a suspensão das sanções que dificultam a entrega de ajuda humanitária.

“Durante 20 anos, mantivemos o Afeganistão em transfusão”, disse Filipe Ribeiro, representante nacional de Médicos Sem Fronteiras em Cabul. “Durante a noite, removemos o gotejamento. Agora temos que encontrar uma maneira de colocá-lo de volta.”

As estimativas da ONU indicam que 3/4 da população afegã vivem em pobreza aguda, com 4,7 milhões de pessoas em risco de desnutrição grave este ano. São necessários mais de bilhões de dólares para atender às necessidades imediatas.

Para a Save the Children, um grupo de defesa da criança com sede no Reino Unido, o número de crianças criticamente desnutridas que visitam suas clínicas no país dobrou desde que o Talibã assumiu o poder em agosto. Só em dezembro, pelo menos 40 crianças morreram a caminho do hospital.

A Organização Mundial da Saúde relata grandes surtos de disenteria, sarampo, dengue, malária e COVID-19, que ameaçam sobrecarregar hospitais já lotados.

“Quando tento falar com as pessoas sobre a COVID-19, elas dizem que não temos comida, água, eletricidade – por que devemos nos preocupar com esse vírus?”, disse o Dr. Tariq Ahmad Akbari, diretor médico do Hospital Infantil Indira Gandhi.

Sete das oito médicas do hospital fugiram após a tomada do Talibã em agosto, parte de um esvaziamento que reduziu a equipe de 350 para 190 funcionários nos últimos cinco meses.

Quatro dos cinco microbiologistas desistiram. E apenas cinco dos 34 centros COVID-19 do país ainda estão operando.

Fonte: Asia News

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