Alemanha enfrenta inundações sem precedentes e Igreja oferece ajuda

Catástrofe natural jamais vista no país europeu, as chuvas torrenciais têm deixado um rastro de destruição e morte, além de um número crescente de feridos, desabrigados e desaparecidos

Chanceler alemã, Angela Merkel, visita a cidade de Schuld, onde a cheia do rio Ahr destruiu parte da cidade (foto: Governo da Alemanha)

Após severas inundações no sudoeste da Alemanha derrubarem prédios, arrastarem veículos e deixarem pelo menos 165 mortos, 749 feridos e cerca de 1,3 mil desabrigados, a ajuda de emergência e os esforços de socorro continuam sendo prestados de forma ostensiva.

Autoridades disseram que a situação em várias cidades e vilas nas regiões permanece tensa, uma vez que muitas pessoas continuaram desaparecidas e outras não puderam ser alcançadas pelas equipes de resgate. Dezenas de milhares estão sem eletricidade e água potável.

No domingo, 19, a chanceler alemã, Angela Merkel, visitou a cidade de Schuld, perto de Bonn, onde a cheia do rio Ahr destruiu parte do centro histórico.

“É uma situação surreal e assustadora”, afirmou Merkel em entrevista coletiva. “Diria até que o idioma alemão tem dificuldade em encontrar palavras para descrever a devastação que foi causada.”

O Papa Francisco se solidarizou com o povo alemão, os bispos católicos também expressaram sua consternação, enquanto os padres continuam a colaborar com os esforços de socorro às vítimas.

SOLIDARIEDADE

Em Bad Neuenahr-Ahrweiler, uma área particularmente atingida ao sul de Bonn, o Padre Joerg Meyrer ajudou nas ações de emergência. Ele disse à agência de notícias católica alemã KNA que a área estava completamente sem água potável e eletricidade.

“Acabei de me dirigir a uma aldeia para recarregar meu celular e ir ao banheiro. A cidade está, como todo o Vale do Ahr, destruída. Conheço cerca de mil famílias que não têm mais um lugar para ficar”, disse ele.

“Tenho visto uma profunda atenção por parte dos voluntários e, em geral, uma grande prontidão para ajudar. Nossas três paróquias não são mais utilizáveis, porém isso não é realmente o mais importante. A situação na cidade é catastrófica”, acrescentou.

FUTURO INCERTO

Padre Joerg, além de enaltecer o trabalho de todos os que ajudam, acrescentou que as pessoas estão enfrentando questões sobre o futuro.

 “Como abastecer uma cidade onde não há água, nem pão? Onde os hotéis estão inundados? Os carros estão espalhados pelas ruas, empilhados uns sobre os outros e destruídos A situação é completamente caótica”, disse.

Apesar de tudo, o Padre está convencido de “que o Vale do Ahr vai prevalecer” porque “as pessoas estão unidas pela solidariedade, embora demorará [para que a normalidade seja retomada] e haverá cicatrizes profundas”.

MANIFESTAÇÃO EPISCOPAL

Enquanto isso, vários bispos expressaram preocupação e oraram pelas vítimas.

Dom Georg Bätzing, Bispo de Limburg e Presidente da Conferência Episcopal Alemã, disse via Twitter: “Meus pensamentos e orações estão com as vítimas, parentes e equipes de resgate. Água normalmente significa vida. Aqui, água é morte.”

Em uma comunicado, ele expressou sua esperança de que os desaparecidos “sejam encontrados ilesos e que todos os necessitados, que perderam seus pertences ou o teto, receberão conforto, esperança e ajuda”.

“Meus sinceros agradecimentos e todo o meu respeito vão para todos aqueles que têm ajudado incansável e abnegadamente, muitas vezes arriscando suas próprias vidas no processo”, disse Dom Georg, especialmente, “as equipes de resgate, os bombeiros, a polícia e todas as pessoas que ajudam e apoiam os outros”.

OUTRAS DIOCESES

Cardeal Rainer Maria Woelki, Arcebispo de Colônia, conversa com moradores em Erftstadt, uma das cidades afetadas pelas cheias (foto: Arquidiocese de Colônia)

O Cardeal Rainer Maria Woelki, Arcebispo de Colônia, se manifestou: “Em meus pensamentos, estou com todas as pessoas que estão sofrendo com a devastadora catástrofe em virtude das tempestades na Alemanha”.

Ele presidiu missa no domingo, 18, em Erftstadt, uma pequena cidade com 50 mil habitantes, uma das mais afetadas pelas inundações devastadoras no oeste do país.

“Nós imploramos ao Senhor a sua misericórdia. Que Deus ajude a cada um de nós e nos permita ajudar uns aos outros”, disse o Cardeal Woelki, que voltou de suas férias para estender a mão às pessoas de sua diocese. Ele agradeceu às equipes de emergência na área do desastre.

Expressões semelhantes de preocupação vieram dos bispos Dom Franz-Josef Overbeck, de Essen, Dom Stephan Ackermann, de Trier, e Dom Peter Kohlgraf, de Mainz. “Estamos experimentando muito desamparo, mas também vemos pessoas que estão ajudando até o limite de suas possibilidades”, disse Dom Peter.

FRANCISCO

O Papa Francisco ofereceu orações e expressou sua proximidade com o povo da Alemanha diante da calamidade que o país enfrenta.

“Sua Santidade lembra em oração aqueles que perderam suas vidas e expressa às suas famílias sua mais profunda solidariedade”, disse um telegrama enviado pelo Cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano, ao presidente alemão Frank-Walter Steinmeier.

“Ele reza especialmente por aqueles que ainda estão desaparecidos, pelos feridos e por aqueles que sofreram danos ou perderam seus bens devido às forças da natureza”, disse a mensagem, que foi divulgada pelo Vaticano na quinta-feira, 15.

No domingo, 18, Francisco disse, durante o Angelus, que está orando para “que o Senhor acolha os falecidos e conforte seus entes queridos, que apoie os esforços de todos os que estão ajudando aqueles que sofreram danos graves”.

AJUDA CONCRETA

Quando a água atingiu Erftstadt, a Igreja Católica foi uma das primeiras a responder.

“Na manhã seguinte à enchente, abrimos nossa paróquia para abrigar as pessoas que não podiam voltar para casa”, disse um paroquiano à rádio católica DomRadio.

Cerca de 80 pessoas foram evacuadas para a igreja e edifícios paroquiais próximos. Várias casas desabaram e mais de 50 pessoas estão desaparecidas na cidade. Bombeiros, organizações de socorro e militares ainda estão procurando pessoas desaparecidas, bem como protegendo edifícios, pontes e ruas.

“A solidariedade que sentimos é avassaladora. As pessoas vêm de todos os lados para nos apoiar”, disse um paroquiano à estação de rádio.

Embora em algumas áreas não houvesse eletricidade nem qualquer meio de comunicação por horas e dias, as pessoas permaneceram unidas.

“Procuramos manter contato orando”, disse um agente pastoral à DomRadio. “Todas as noites às 19h, rezamos o Pai-Nosso – onde quer que estejamos. E pensamos naqueles que estão sofrendo”.

Em toda a região, paróquias, mosteiros e centros religiosos católicos tornaram-se, durante a noite, abrigos para indivíduos e famílias evacuadas.

RESPOSTA

Em resposta à catástrofe, o Cardeal Woelki emitiu uma ajuda de emergência de 100 mil euros para apoiar as vítimas e suas famílias. Quinze apartamentos no seminário diocesano foram disponibilizados para pessoas que perderam suas casas ou não podem retornar até que a operação de limpeza seja concluída.

Em Aachen, o bispo diocesano, Dom Helmut Dieser, lançou um fundo de solidariedade para famílias e crianças afetadas pelas enchentes.

“É horrível ver a destruição”, disse Dom Stephan Ackermann, Bispo de Trier, quando visitou Bad Neuenahr-Ahrweiler. “Os carros ficam de pé ou amontoados em jardins. É horrível”.

Fonte: UCA News, Vatican News e G1

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