Alerta para a seca e a crise humanitária na Somália

Alerta para a seca e a crise humanitária na Somália, Jornal O São Paulo
Foto: Unicef/Somalia

O clima seco sem precedentes está agravando uma situação já bastante severa na Somália, país localizado na África Oriental (Chifre da África). Por esse motivo, o Papa Francisco destacou o problema para os que o escutavam no domingo, 14, após a oração do Angelus. “Desejo chamar a atenção para a grave crise humanitária que atinge a Somália e algumas zonas dos países vizinhos”, disse. 

“As populações dessa região, que já vivem em condições muito precárias, se encontram em um perigo mortal, por causa da seca”, comentou, pedindo que a comunidade internacional se mobilize para responder à emergência. “Infelizmente, a guerra afasta os recursos e a atenção, mas estes são objetivos que exigem o máximo empenho: a luta contra a fome, a saúde, a educação.” 

De acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), já chega a mais de 1 milhão o número de pessoas registradas como desalojadas na Somália desde janeiro de 2021. Desse total, 755 mil pessoas se deslocaram internamente no país por causa da seca deste ano. Cerca de sete em cada dez somalis vivem abaixo da linha da pobreza e quase 8 milhões dependem de ajuda humanitária. 

A situação é a pior em 40 anos no país, que tem 15,9 milhões de habitantes. De acordo com o diretor do Acnur na Somália, Mohamed Abdi, “a fome está assombrando o país inteiro, pois, literalmente, não há água nem comida nos seus vilarejos”. Segundo ele, a ajuda humanitária internacional é urgente, “antes que seja tarde demais”. 

Outro problema é o fato de que partes do país estão dominadas por grupos armados, e não administradas pelo governo central. Esses diferentes grupos entram em conflito constantemente. Enquanto isso, a seca se prolonga e se acentua pelo terceiro ano consecutivo, segundo o Acnur, algo que muitos analistas atribuem às mudanças climáticas. 

Sem chuva, os campos e os tanques do Chifre da África não se enchem de água como deveriam. As poucas reservas que permanecem acabam sendo destinadas ao consumo das pessoas, deixando plantas e animais em risco. A isso, soma-se o aumento dos preços internacionais dos alimentos por causa da guerra na Ucrânia, dificultando o acesso dos mais pobres. 

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