‘As famílias devem redescobrir o dom da paternidade’

Afirmou o prefeito do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida, durante congresso sobre as famílias  

Cardeal Kevin Joseph Farrell, Prefeito do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida (reprodução da internet)

“O amor vencerá tudo!” Este foi o tema do Congresso Latino-Americano das Famílias, realizado pela Comunidade Católica Shalom, nos dias 26 e 27.

Realizado on-line, o evento aprofundou a temática do ano da  Família Amoris laetitia, convocado pelo Papa Francisco.

Entre as conferências realizadas, destacou-se a do Prefeito do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida, Cardeal Kevin Joseph Farrell, no domingo, 27. O Purpurado refletiu sobre o sentido da paternidade a partir da exortação apostólica Amoris laetitia e da carta apostólica Patris corde, por meio da qual o Papa Francisco instituiu o Ano de São José, que também é celebrado neste período.  

O congresso contou, ainda, com a participação do fundador da Comunidade Shalom, Moysés Azevedo, e da cofundadora, Emmir Nogueira. Também houve conferências de teólogos e especialistas, workshops, além de um curso para noivos. 

A figura do pai

O Cardeal Farrell iniciou sua conferência recordando o ciclo de audiências gerais do Papa Francisco dedicadas à família, entre 2014 e 2015. Em uma dessas catequeses, o Pontífice observou:

“Hoje, chegou-se a afirmar que nossa sociedade é uma ‘sociedade sem pais’[…] e, num primeiro momento, isto foi percebido como uma liberação: do pai-patrão, do pai como representante da lei que se impõe de fora, do pai como censor da felicidade dos filhos e obstáculo à emancipação e autonomia dos jovens”.

No entanto, o Santo Padre assinalou que, sobretudo nas sociedades ocidentais, foi-se ao extremo oposto. “O problema de nossas dias não parece tanto a presença intrometida dos pais, mas a sua ausência”, disse Francisco.  

Direito essencial

“Essas observações do Papa nos ajudam a compreender a urgência de redescobrir a figura do pai e, atrevo-me a dizer, o ‘carisma da paternidade’, para que todos os pais estejam realmente presentes nas suas famílias e desempenhem o que a providência lhes outorgou em benefício dos seus filhos”, afirmou o Cardeal Farrell.

Na exortação apostólica, o Pontífice também afirma que “toda criança tem direito a receber o amor de uma mãe e de um pai, ambos necessários para o seu amadurecimento integral e harmonioso”(AL 172). Francisco recorda, ainda, que o pleno amadurecimento dos filhos requer tanto a forma do amor feminino como a forma do amor masculino, que, de maneira diferente, mas complementar, expressam o “rosto do Senhor”.

Complementaridade

Quanto à maternidade, o documento pontifício sublinha que a mãe tem a tarefa fundamental de fazer os seus filhos sentirem que são incondicionalmente aceitos, independentemente das suas capacidades e do seu rendimento.

“A proximidade física da mãe, seus gestos, sua sensibilidade feminina, dizem a cada criança: ‘Você é importante para nós e sua vida é sempre uma alegria para todos nós’”, salientou o Cardeal, observando que essa experiência é fundamental, pois todo ser humano necessita ter a íntima certeza do seu próprio valor e dignidade, que provêm do fato de ter vindo ao mundo.

Ainda sobre a figura do pai, Dom Kevin lembrou que toda pessoa, para amadurecer plenamente e poder enfrentar a vida, necessita não apenas de um amor acolhedor, mas também de um amor que o projete “para fora” do “ninho cálido do lar”.

“O pai, sobre a base da confiança e a segurança que transmite ao seu filho ou filha, pode dar, pouco a pouco, os diferentes passos necessários à autonomia, dizendo a cada um deles, no momento oportuno: ‘É bom que você se relacione com os outros e tenha suas próprias amizades’; ‘Chegou o momento em que você vai para a escola sozinho’; ‘A partir de agora, pode ajudar e fazer algum trabalho para a família’; ‘Pode e deve escolher suas preferências nos estudos e enfrentar as provas’”, detalhou o Purpurado.

O Papa Francisco também ressalta que a figura paterna combina “uma identidade masculina clara e feliz ao afeto e proteção de suas relações com as mulheres”, uma vez que as crianças aprendem a respeitar as mulheres justamente na forma como seu pai se relaciona com a mãe.

São José

A partir da carta apostólica Patris corde, o Cardeal Farrell refletiu sobre a paternidade por meio do “espelho” de São José.

Recordando que o esposo da Virgem Maria foi o “pai adotivo” de Jesus, Dom Kevin observou uma situação comum a todos os pais. “Ser mãe, de fato, é natural: é a própria natureza que cria o vínculo físico, psicológico e emocional entre mãe e o filho, por meio da concepção, gravidez, parto, amamentação, etc. Ao contrário, ser pai (e isso também se aplica aos pais biológicos) não é resultado de um vínculo físico natural, mas de uma escolha livre, da aceitação de uma missão, de uma tarefa parental que não é dada como certa”, afirmou.

O Cardeal explicou, ainda, que, depois do nascimento do filho, o pai deve fazer seu o destino do filho, deve assumir sua vida, seu amadurecimento, sua conversão em adulto. “Se essa opção não existir, o homem corre o risco de ser ‘progenitor’, mas sem se tornar ‘pai’”, completou, enfatizando que “todo pai, como São José, deve ‘adotar’ seu filho”, aceitar e levar a sério sua vida e o desenvolvimento de sua identidade.  

Modelo

O Prefeito lembrou, ainda, que, como todo pai, José teve a tarefa se servir de modelo para seu filho e reforçou que, para toda pessoa, “a paternidade humana é caminho para a paternidade divina”.

“Isso significa que, normalmente, passamos a reconhecer a paternidade de Deus a partir de modelos humanos, porque transferimos para Deus a experiência de pais terrenos que tivemos. Por isso, é muito importante que todos os filhos tenham experiências positivas com os pais terrenos, porque isso lhes permitirá conhecer mais facilmente o Pai celeste, que é o ponto de chegada de todo caminho cristão”, completou o Cardeal.

Por fim, Dom Kevin assinalou que José é um modelo de pai, esposo, trabalhador, homem que concilia a dimensão contemplativa com a ação, da santificação da vida cotidiana. “Para Jesus, José é um modelo de obediência à vontade de Deus”, acrescentou, recordando as palavras do Papa: “Em cada circunstância da vida, José soube pronunciar o seu fiat [faça-se] como Maria na Anunciação e Jesus no Getsêmani”.

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