
Um estudo inédito, encomendado pelos bispos locais sobre o bem-estar diário de padres e diáconos permanentes, revelou um retrato complexo de uma vocação marcada por profunda satisfação. É isso que emerge do relatório “Prosperando (e sobrevivendo) no ministério”, de 150 páginas, divulgado na semana passada: um clero que permanece extremamente comprometido, espiritualmente sólido e, em geral, satisfeito, mesmo diante da crescente pressão, do desgaste emocional e das consequências de uma década turbulenta na vida nacional da Igreja.
A pesquisa, a maior do gênero já realizada na Austrália, alcançou 825 padres e diáconos permanentes, aproximadamente 1/4 dos ministros ordenados do país. Os resultados revelam algo surpreendente: quase todos os entrevistados, um número extraordinário de 95%, disseram valorizar profundamente seu ministério. Apesar das longas horas de trabalho, das grandes distâncias e do trauma persistente de escândalos institucionais, a maioria se sente apoiada, com sustento adequado e espiritualmente nutrida.
Os relacionamentos no cerne do ministério parecem notavelmente fortes. Grandes maiorias relataram laços positivos com suas comunidades paroquiais, suas famílias e até mesmo seus bispos — uma área em que o clero em muitos países frequentemente expressa ambivalência. Os diáconos permanentes descreveram relacionamentos familiares especialmente saudáveis, o que não surpreende, dadas as suas duplas responsabilidades com o lar e a paróquia.
Espiritualmente, a maioria dos clérigos afirmou sentir-se próxima de Deus e geralmente encontrar tempo para a oração, embora menos da metade se reúna atualmente com um diretor espiritual. Uma minoria considerável admitiu que se confessa de forma irregular.
Mesmo com sinais evidentes de prosperidade, os dados revelam indícios de fragilidade: 12% do clero relatou ansiedade frequente, um número que aumenta entre os menores de 40 anos. Mais da metade havia experimentado estresse significativo no último ano, e quase o mesmo número relatou insônia ou solidão. Para alguns, a pressão vem do grande volume de trabalho. Um padre relatou ter oficiado 57 funerais em 6 meses – uma carga de trabalho que testaria até mesmo o pastor mais experiente.
Os entrevistados não hesitaram em identificar áreas específicas de preocupação, como relações tensas com superiores ou colegas do clero, as exigências do cuidado pastoral em comunidades cada vez mais diversas e a sensação de diminuição do apoio em momentos de crise pessoal. Outros citaram incertezas quanto à aposentadoria, lacunas na formação continuada ou o problema simples, porém crônico, do excesso de trabalho. Preocupações com a saúde física e mental surgiram repetidamente, incluindo condições relacionadas ao estresse e, em alguns casos, lutas contra o vício ou hábitos prejudiciais à saúde relacionados à internet.
No entanto, os mesmos clérigos que catalogam esses fardos também descrevem vidas marcadas por entusiasmo, disciplina pessoal e prazeres surpreendentemente comuns. Muitos dizem que dormem bem, comem bem e se sentem confiantes em seu trabalho. Fora do ministério, jogam golfe, andam de caiaque, praticam kickboxing ou participam de equipes de remo em barcos dragão. Assistem a filmes, ouvem podcasts, resolvem quebra-cabeças ou competem em partidas de xadrez. Nesses pequenos rituais, sugere o estudo, reside a chave para entender por que tantos continuam relatando felicidade apesar das agendas exigentes, que chegam a quase nove horas por dia — e ainda mais longas para os clérigos mais jovens.
Talvez a descoberta mais reveladora seja que 3/4 dos entrevistados conseguem tirar pelo menos um dia de folga por semana, e a maioria participa de um retiro anual. Esses ritmos de descanso, por mais modestos que sejam, parecem sustentar uma sensação de equilíbrio em uma atividade que é conhecida por horários imprevisíveis.
O relatório não se limita ao diagnóstico; ele apela para uma ação pastoral decisiva. Seus autores instam as dioceses a desenvolverem estratégias de bem-estar específicas e a identificarem especialistas que possam acompanhar o clero que enfrenta dificuldades psicológicas ou espirituais. Eles destacam a necessidade de melhor formação, mentoria mais robusta, apoio administrativo aprimorado e uma liderança mais atenta por parte dos bispos — um apelo que encontra eco em muitos dos próprios sacerdotes.
Fonte: Zenit News






