Bispos da África austral pedem o fim da violência e saques

Após distúrbios e mortes na África do Sul, motivados por divergências sobre questões políticas, Igreja da região austral do continente se manifesta pelo restabelecimento de lideranças e combate às desigualdades

Católicos participam de missa campal na Diocese de Mthatha, na África do Sul (fotos: Diocese de Mthatha/Arquivo)

Os bispos católicos da África austral pediram o fim da violência e dos saques que causaram a morte de 72 pessoas.

Pessoas foram pisoteadas até a morte esta semana em meio a saques e tumultos nas ruas de duas províncias sul-africanas, Gauteng e KwaZulu-Natal, onde a violência eclodiu após a prisão do ex-presidente Jacob Zuma.

O bispo sul-africano Dom Sithembele Sipuka emitiu uma declaração em nome da Conferência dos Bispos Católicos da África Austral, na terça-feira, 13, condenando a violência.

“Não permitamos que a diferença de opinião sobre questões políticas seja sequestrada por intenções criminosas para criar uma anarquia em nosso país, que resultará em uma situação socioeconômica pior do que a que nos encontramos atualmente”, disse Dom Sithembele, presidente da Conferência Episcopal da África Austral, que compreende os bispos católicos da África do Sul, Botswana e Essuatíni (antiga Suazilândia).

“Para aqueles que incitam esta violência e pilhagem para fins políticos, apelamos a que se elevem acima dos interesses políticos, para proteger a vida e preservar o bem comum”, disse o Bispo.

Caos social

Os saques em massa começaram depois que o ex-presidente sul-africano foi preso, no dia 8, por desacato ao tribunal ao se recusar a testemunhar perante uma comissão judicial para uma investigação de alegações de corrupção durante sua presidência.

Zuma, que liderou o país de 2009 a 2018, foi condenado a 15 meses de prisão por não cumprir a ordem judicial de depor.

“À medida que percorremos alguns difíceis trechos deste itinerário democrático, continuemos a escolher o caminho do diálogo para resolver nossas diferenças, como irmãos unidos pelo amor ao nosso país e pelo desejo de sua prosperidade, para o bem de todos os que nele residem e trabalham”, disse Dom Sithembele.

Desigualdades

Dom Sithembele Sipuka

O Bispo atribuiu a crise nas ruas em parte às extremas desigualdades econômicas e ao alto desemprego.

“Também percebemos que a crise atual se deve, em grande parte, às desigualdades econômicas extremas, bem como às dificuldades sofridas pelos pobres durante a pandemia”, disse ele.

A taxa de desemprego na África do Sul é de 32% e mais da metade dos quase 60 milhões de habitantes do país vive na pobreza.

Nas áreas pobres onde ocorreram os distúrbios, saqueadores roubaram alimentos, eletrônicos, bebidas e roupas.

Governo

Houve relatos de que o presidente Cyril Ramaphosa, a fim de enfrentar os distúrbios, está considerando aumentar o número de soldados destacados para 25 mil homens.

“O que começou como uma diferença de opinião gerou um incêndio florestal de violência e pilhagem porque a ‘grama seca’ da pobreza foi deixada para ‘crescer demais’ ao longo de décadas”, explicou Dom Sithembele.

“Um grande fator que contribui para essa ‘erva seca’ da pobreza é a falta de liderança eficiente no governo e práticas antiéticas nos negócios.”

O bispo católico de Mthatha pediu “um retorno a uma liderança eficiente em todos os níveis de governo” para garantir que as pessoas possam participar de forma significativa no sistema econômico.

“Nossa sociedade normalizou o uso de violência e vandalismo para fazer com que o governo ouça e leve a sério as preocupações econômicas dos pobres. Precisamos de uma mudança de mentalidade, uma conversão coletiva de coração e mente, que afirme que protestos violentos e destruição de propriedades nunca podem ser uma resposta justa às atuais dificuldades e injustiças econômicas”, disse Dom Sithembele.

“Reiteramos o apelo do Papa Francisco na Fratelli tutti, lembrando tudo isso: em face dos problemas políticos e econômicos, há sempre a possibilidade de escolher o engajamento construtivo em vez da violência”, concluiu.

Fonte: Catholic News Agency

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