Bispos do Panamá: ‘a fé torna possível o perdão, a reconciliação e a esperança’

Prelados reuniram pela primeira vez no ano entre 10 e 14 de janeiro, repercutindo aspectos da 1a Assembleia Eclesial da América Latina e do Caribe, realizada em novembro do ano passado

Foto: Arquidiocese do Panamá

“Ao iniciarmos este ano de 2022, estamos cientes das situações de divisão, polarização, intriga, desinformação que existem nos diversos ambientes. Sabemos que temos feridas profundas por todas as injustiças, corrupção, tráfico de drogas, desunião familiar e muitas outras realidades. Nestas situações, a fé torna possível o perdão, a reconciliação e a esperança”.

Este é o conselho dos Bispos do Panamá ao final de sua primeira assembleia plenária do ano, realizada de 10 a 14 de janeiro, na qual rezaram, analisaram e discutiram a realidade da Igreja e da sociedade panamenha. No que diz respeito à vida da Igreja, em seu comunicado enviado à Agência Fides, os bispos sublinham que a Igreja no mundo vive o caminho sinodal, com suas características e a experiência recente, também sinodal, da 1a Assembleia Eclesial Continental celebrada em novembro.

“A sinodalidade não é apenas religiosa, mas também social – destacam –, porque o projeto de Deus é a fraternidade universal em comunhão com Ele. Por isso, este processo sinodal não termina com um documento ou um evento em 2023, mas é uma estilo de ser Igreja em que cada batizado, consciente do seu compromisso cristão, assume e cumpre o seu papel na construção de um mundo mais humano, solidário, fraterno e pacífico”.

A Igreja do Panamá também iniciou o processo de preparação para a próxima Jornada Mundial da Juventude, que acontecerá em Lisboa em 2023, e já é considerada “um momento oportuno para que os jovens redescubram seu papel, como protagonistas das grandes transformações que a Igreja e a sociedade exigem”, ajudada pela comunidade cristã, pelos adultos e pelo encontro pessoal com Cristo.

REALIDADE DO PAÍS

A maior parte da declaração é dedicada à realidade social. “Conhecemos os problemas e as fraquezas que temos para fazer do Panamá o país que merecemos, onde a equidade, a justiça e o desenvolvimento cheguem a todos, indistintamente”, afirmam os bispos, exortando também “a evidenciar as grandes forças com as quais contamos para fazer uma projeto de país possível” e “falar menos e agir mais”.

Os prelados destacam ainda que as instituições devem reconquistar a confiança da população, colocando a pessoa e o bem comum no centro. Isso envolve todos: governo, partidos políticos, ONGs, igrejas, empresas, mídias e cidadãos em geral. Para gerir o “projeto de país” através de um processo de renovação no Panamá, “é necessário romper com a lógica dominante, a análise setorial, para encontrar soluções adequadas e inclusivas. Permitir e estimular a abertura de diferentes visões, apoiando as contribuições de outros, será fundamental para uma nova mentalidade cultural, econômica, política e social, para construir um Novo Panamá”.

Nos últimos anos, eles apontam como a insegurança dos cidadãos aumentou “a níveis muito preocupantes”, além do narcotráfico que penetrou em vários setores da sociedade, trazendo morte e destruição às famílias panamenhas. “Combater o narcotráfico e a violência exige o esforço de todos”, exortam os bispos, convidando a eliminar as causas, como “o empobrecimento de grandes setores do povo panamenho, especialmente os jovens, privados da esperança, da oportunidade de se educar, entreter-se saudavelmente, trabalhar com dignidade”, situações que os tornam vulneráveis e, por vezes, os fazem ceder a esses males sociais.

ATENÇÃO ÀS CRIANÇAS E A COVID-19

Os bispos panamenhos, portanto, expressam sua satisfação com a aprovação da lei 567, sobre a proteção de crianças e adolescentes, que permitirá à sociedade avançar neste campo, reconhecendo também o direito dos pais de serem os primeiros guardiões de seus filhos. Apelando à caridade cristã, eles convidam doadores de órgãos, tecidos e sangue para salvar a vida de muitos panamenhos “que sofrem de doenças fatais e um transplante é a única coisa que pode salvá-los. E nós podemos fazer a diferença”.

Por fim, os bispos apelam para não perder a esperança diante do aumento da disseminação do Covid-19 com a nova cepa ômicron: “Não podemos nos desesperar. Nossa maior e mais eficaz proteção é se vacinar, não para evitar o contágio, mas para que os efeitos não sejam fatais… Vamos continuar rigorosamente com as normas de biossegurança, para controlar a pandemia. Se somarmos nossos esforços individuais, familiares e comunitários, podemos parar o contágio”.

Fonte: Agência Fides

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