Conferências episcopais na América Latina atuam pela liberdade, dignidade, direitos humanos e paz

Nesse sentido, O SÃO PAULO traz um apanhado das mais recentes atuações de três dessas conferências

Conferência Episcopal da Colômbia

Os países da América Latina e do Caribe possuem características semelhantes entre si, em razão de traços comuns de sua formação e história, como colonização, miscigenação e herança cultural. Esses elementos foram fundamentais para construir uma identidade continental não somente etnológica, mas também religiosa, de maneira a influenciar a forma pela qual seus habitantes se veem como povo de Deus e parte da Igreja.

Essa identidade comum, por sua vez, levou as instituições eclesiásticas desses países a perceberem a necessidade de se organizar de forma conjunta. Assim, a fim de discernir de maneira colegiada os rumos do catolicismo no continente e moldar o rosto dessa Igreja regional, foi fundado, em 1955, pelo Papa Pio XII e a pedido dos bispos latino-americanos, o Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam). Trata-se de um organismo eclesial de comunhão, formação, pesquisa e reflexão a serviço das conferências episcopais.

CONFERÊNCIAS EPISCOPAIS

Por seu lado, as conferências episcopais são instituições de caráter permanente que congregam os bispos de um país ou de determinado território, os quais exercem conjuntamente certas funções em favor dos fiéis dessas regiões que lhes são confiadas.

Segundo o Papa Bento XVI, em um pronunciamento em 2010, “as conferências episcopais promovem a união de esforços e de intenções dos bispos, tornando-se instrumentos que os ajudam a compartilhar e a levar adiante a sua missão pastoral”.

REALIDADE

Embora haja, de tempos em tempos, notícias de progresso e desenvolvimento pontuais em alguns países da região, o maior problema da América Latina continua sendo a desigualdade, caracterizada por uma assimetria social profunda.

A pobreza, a falta de oportunidades educacionais, o racismo latente, a violência contra as mulheres, povos indígenas e minorias, a criminalidade e a corrupção, aliados à falta de liberdade democrática em algumas sociedades latino-americanas, são fatores que levam à convulsão social e tiram de cena o bem coletivo mais precioso: a paz.

CONTEXTO

É justamente nesse contexto de injustiça social e exclusão que a Igreja da região, por meio de suas conferências episcopais, desempenha o profético papel de denunciar a desigualdade, a opressão, a violência e a falta de respeito à dignidade humana, conclamando a sociedade ao diálogo, ao entendimento e à busca de acordos, a fim de salvaguardar as condições de liberdade e segurança a que todos têm direito.

Nesse sentido, O SÃO PAULO traz um apanhado das mais recentes atuações de três dessas conferências episcopais.

COLÔMBIA

“No atual momento que vive a Colômbia, caminhemos juntos! Mesmo nos sentindo em meio a uma tempestade, ouçamos a voz do Senhor: ‘Não temas’ (Is 41,10)”, diz uma recente exortação da Conferência Episcopal da Colômbia (CEC).

O Comitê Nacional de Greve (“Paro”), principal organizador dos protestos que acontecem no país desde abril e que deixaram mortos, feridos e destruição, anunciou que a mobilização realizada na terça-feira, 20, teve por objetivo cobrar do governo e do Parlamento uma resposta à grave crise humanitária, social, política e econômica que atravessa o país.

No comunicado divulgado no domingo, 18, os prelados colombianos sublinham que “Cristo nos chama a reconhecer que todos, como colombianos, estamos no mesmo barco. Quantas limitações experimentamos na tentativa de manobrar o leme!”.

Nesse sentido, reiteram que “as verdadeiras soluções não são impostas; pelo contrário, precisamos uns dos outros para restabelecer o caminho da vida, cada um contribuindo segundo as suas capacidades e talentos: instituições, sociedade civil e cada pessoa”.

Na conclusão do comunicado, os bispos sublinham mais uma vez que “nos prejudica continuar a aprofundar os caminhos do ódio e da divisão”. E, citando o Papa Francisco, exortam à união na oração para que Deus transforme “este momento de conjuntura em história de salvação para todos”.

CUBA

Mergulhada em protestos jamais vistos, a ilha caribenha vive momentos delicados. Na origem das tensões, está a grave crise econômica do país, acentuada pela pandemia de COVID-19, que, até agora, causou cerca de 250 mil contágios e mais de 1,6 mil mortes.

O governo é acusado pela comunidade internacional de ter feito “prisões inaceitáveis” entre os manifestantes, enquanto a Conferência Episcopal pediu a reconciliação, a busca de acordos comuns e a escuta recíproca.

A Conferência dos Religiosos Cubanos (Concur) também interveio no clima de tensão verificado na ilha, afirmando numa nota: “Acolhemos com profundo respeito e interesse os gritos e esperanças do povo em protesto. Como pessoas consagradas”, prossegue, “vivemos estes acontecimentos com fé e também reconhecemos nestas exigências da população a voz de Deus(…). Aqueles que saíram às ruas não são criminosos”, reiteram os religiosos, “mas pessoas comuns de nosso povo que encontraram uma maneira de expressar seu descontentamento”.

“Somente indo à raiz dos problemas, podemos realmente resolvê-los” é a observação dos religiosos cubanos. A nota se conclui com uma invocação à Virgem da Caridade do Cobre, Padroeira do país, para que “superando todas as tentações de violência e exclusão, nos guie nos caminhos da fraternidade, da reconciliação, da justiça e da paz”.

VENEZUELA

O elevado número de assassinatos, sequestros e confrontos entre gangues armadas e criminosos, com alto grau de violência nos últimos dias, escrevem os prelados em uma nota, é o produto do “fracasso de um modelo social e produtivo” estatal que pulverizou os recursos da população. Assim como é um fracasso “o uso da violência como arma política, como ameaça e como fato consumado implementado pelo poder, de qualquer agremiação política”.

Os bispos venezuelanos reafirmam sua condenação aos recentes atos de violência ocorridos na capital, Caracas, causados por grupos armados irregulares e quadrilhas criminosas também presentes em outras regiões do país, e expressam sua solidariedade para com as vítimas desta situação, pedindo ao Estado instituições que “não violem o princípio da centralidade e da dignidade humana, de modo que a segurança pessoal dos cidadãos seja colocada antes de qualquer outro interesse”.

“Mais uma vez, portanto – escrevem os bispos – cabe a nós levantar a voz diante da violência, diante da morte. Mais uma vez, ficamos chocados e tristes ao ver como o medo, a barbárie, o abuso, o ódio tomam conta das ruas do nosso país, das nossas cidades, dos nossos bairros.” E a raiz de “tanto mal” que se perpetua na nação pode ser resumida no “desprezo pela vida”.

Não falta também, diz a nota dos bispos, a denúncia da corrupção desenfreada entre as forças de segurança do Estado. A esta altura, prossegue a nota, “o habitual respeito pelas autoridades se transformou em desconfiança e medo, também devido às distorções e irregularidades, incluindo a extorsão e a corrupção, com que se desenvolvem as atividades institucionais”.

Nesse sentido, a exortação conclusiva da Conferência Episcopal diz para “respeitar, em primeiro lugar, a vida de cada ser humano, porque todos somos pessoas dignas, irmãos, filhos de Deus e todos somos chamados ao amor”.

Fonte: Agência Fides e Vatican News

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