
“Comprometamo-nos a incluir a todos”, exortou o Padre François du Penhoat, Superior Geral da Sociedade das Missões Africanas (SMA), na abertura do Concílio Plenário de 2026, que teve início na segunda-feira, 18, na Domus Fidei das Irmãs do Coração Eucarístico de Jesus (EHJ), em Ikeja, Lagos.
Na sua homilia, o Superior Geral convidou os líderes de cada unidade presente – freiras, representantes leigos e associados da SMA – a promoverem um sentimento de pertença, alertando para o perigo da formação de círculos exclusivos que possam excluir outros.
Diversas frases ressoaram ao longo dos encontros, entre as quais as seguintes se destacam: a missão se realiza onde a vida está ferida; o zelo missionário se esvai quando o contexto já não é conhecido; o tempo do missionário que pensa que sabe tudo já passou; devemos nos desapegar da lógica da posse e abraçar a lógica da doação; as finanças são uma ferramenta, nunca uma força motriz. Essas palavras delineiam o perfil do missionário contemporâneo: humilde, enraizado na realidade, sensível às feridas do mundo e livre de qualquer forma de apego, seja ao dinheiro ou ao prestígio.
Entre os temas abordados nos primeiros dias, a identidade se destaca como fundamento de uma missão renovada. “Agora devemos aprofundar nosso compromisso missionário, partindo de nossa identidade e de nosso carisma, para sermos uma presença verdadeiramente profética em nosso mundo”, afirmou o Padre du Penhoat, dirigindo-se aos participantes, que, por sua vez, apresentaram as realidades de suas respectivas regiões.
“Quem somos nós? A identidade não é apenas um ponto de partida entre muitos, mas o próprio fundamento. O sucesso de uma organização como a SMA baseia-se na coerência entre o que ela é, o que diz e o que faz. Sem essa coerência, a missão corre o risco de se reduzir a mero ativismo que, embora possa ser eficaz, permanece vazio”, reiterou o Superior Geral.
A questão da identidade não é abstrata. Ela é vivida diariamente, nas comunidades, nos compromissos no terreno. “A nossa identidade consiste em estarmos presentes nas áreas de evangelização inicial, perto dos necessitados, em zonas de conflito, caminhando ao lado deles”, acrescentou o Padre Valère Mupidi, Superior do Distrito da SMA na República Democrática do Congo (RDC), onde a missão é frequentemente vivida no próprio âmago da fragilidade humana.
A ideia da riqueza e diversidade da SMA também emergiu com força. Cada membro traz consigo características, recursos e vulnerabilidades únicas. “Cada entidade tem algo específico a oferecer”, enfatizou-se. Esse pluralismo não é um obstáculo à unidade, mas sim a sua própria essência. O Padre Didier Lawson, Conselheiro Geral, explicou isso com muita clareza ao afirmar: “Devemos respirar com os dois pulmões: o pulmão da comunidade e o pulmão pessoal”. Uma imagem sugestiva, que fala simultaneamente de interdependência e da necessidade de uma vida interior nutrida. Ser missionário hoje é uma conversão permanente. Ser missionário da Companhia de Jesus hoje significa também reconhecer-se como herdeiro de uma longa linhagem. “Somos o corpo que governa toda a Companhia”, afirmou, com a consciência de que essa responsabilidade se estende não só ao presente, mas também ao futuro. O Padre du Penhoat recordou os pioneiros da CPE que seguiram os passos do fundador, Melchior de Marion Brésillac, elogiando a sua perseverança e o seu espírito de compromisso partilhado.
Além disso, agradeceu calorosamente àqueles que, desde a década de 1950 e após o Concílio Vaticano II, puderam implementar a transformação teológica da Missão. Por fim, elogiou também todos aqueles que deram à Companhia de Jesus a sua face atual: uma Companhia missionária em que a interculturalidade é vivida diariamente e em que todos respondem juntos aos desafios da Missão.
Fonte: Agência Fides




