Em assembleia geral, Celam aprofunda seu processo de renovação e reestruturação

Além de tratar de temas relacionados aos desafios enfrentados pela Igreja na América Latina e no Caribe em decorrência da pandemia de COVID-19, a 38ª Assembleia Geral do Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam), que acontece entre os dias 18 e 21, de forma virtual, tem como principal tema a reformulação do plano de reestruturação e renovação da entidade. Participam do evento os presidentes e delegados das 22 conferências episcopais do continente.

Fundado em 1955 pelo Papa Pio XII, a pedido dos bispos da América Latina e do Caribe, o Celam é um organismo eclesial de comunhão, formação, pesquisa e reflexão a serviço das conferências episcopais. Seus dirigentes são eleitos a cada quatro anos por uma assembleia ordinária. A sede da entidade está localizada em Bogotá, na Colômbia.

Atualmente, o Presidente do Celam é Dom Miguel Cabrejos Vidarte, Arcebispo de Trujillo, no Peru; o 1º Vice-Presidente é o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo; o 2º Vice-Presidente é o Cardeal Leopoldo José Brenes Solórzano, Arcebispo de Manágua, na Nicarágua; e o Secretário-Geral é Dom Jorge Eduardo Lozano, Arcebispo de San Juan de Cuyo, na Argentina.

Processo de escuta

Coube à atual presidência, eleita na 37ª Assembleia Geral do Celam, em 2019, assumir o processo de reestruturação da entidade. No mesmo ano, foram elaborados um plano de trabalho e uma consulta ao Papa Francisco e às conferências episcopais e demais organizações eclesiais, como a Conferência Latino-Americana de Religiosos (CLAR). 

“Foram realizados mais de 150 encontros (a maioria virtuais) de consulta às conferências episcopais, agrupadas por regiões do continente, assim como com dicastérios e outras instâncias da Santa Sé, que nos deram muitas boas luzes e contribuições, que recolhemos no documento de trabalho”, explicou o Presidente do Celam. 

Relação com a Santa Sé 

Ao falar do contato com os organismos da Cúria Romana sobre a proposta de reestruturação, o Cardeal Scherer ressaltou que, por ser um organismo episcopal, o Celam caminha unido à Igreja universal. “A Santa Sé é o maior organismo da Igreja e, por isso, o Celam se relaciona constantemente com ela. Mais ainda do que o Vaticano, é a Santa Sé, as pessoas que agem com o Papa, e em seu nome. É importante manter o diálogo, a harmonia, o confronto com a proposta de amadurecer cada vez mais”, explicou.

Ainda segundo Dom Odilo, houve uma boa aceitação e interesse por parte dos dicastérios vaticanos em relação à proposta preparada pelo Celam, que suscitou algumas questões, porque, na verdade, “é uma proposta nova, e não é simplesmente um ajuste do que o Celam já era”.

Conferências episcopais

O Presidente do Celam informou, ainda, que os encontros de consulta feitos com as conferências episcopais permitiram recolher informações-chave sobre a dinâmica eclesial de cada uma das regiões do continente, em um espírito de fraternidade, solidariedade, sinceridade e de apoio mútuo. 

“Cada região tem sua peculiaridade, o que é importante perceber e estimular. Existem regiões, como o Caribe, por exemplo, que têm desafios para se comunicar em vários idiomas e realidades sociopolíticas muito diversas. Vimos a importância fundamental da comunicação e do acompanhamento e, por isso, estamos convencidos de que as várias línguas faladas na região não nos devem limitar, e o Celam deve levá-las muito em consideração”, destacou Dom Miguel Cabrejos.  

O Arcebispo de Trujillo também destacou que organismos como a recém-criada Conferência Eclesial da Amazônia, fruto do Sínodo sobre a Amazônia (2019), ajuda o Celam a compreender os desafios específicos das Igrejas nessa região, o que contribui significativamente no processo rumo à Assembleia Eclesial da América Latina e do Caribe, programada para novembro de 2021, no México, e cujo processo de escuta já foi iniciado.

Participantes da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e Caribenho, em Aparecida, em 2007 (foto: Arquivo/Celam)

Aparecida 

Dom Odilo reforçou que o Celam existe para ajudar as conferências episcopais a pôr em prática e a traduzir em novas formas de práxis pastoral as ideias que o Papa Francisco explicita em seu magistério, fortemente influenciado pela V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e Caribenho, realizada em 2007, em Aparecida (SP).

“Quase 15 anos se passaram desde a Conferência de Aparecida. De lá para cá, muito mudou na Igreja da América Latina, até na Igreja como um todo, porque as propostas e ideias elaboradas nessa conferência repercutiram em toda a Igreja, inclusive na eleição do Papa Francisco.”

Nas dioceses 

O Arcebispo de São Paulo salientou que o processo de reestruturação a ser apresentado na Assembleia Geral do Celam diz respeito, antes de tudo, à renovação do próprio organismo eclesial e, portanto, não significa uma proposta de reestruturação da Igreja no continente.

“O Celam não é uma Conferência Episcopal, é proposto muito mais como um órgão de reflexão, subsidiário, um órgão que está atento às várias realidades continentais e que estimula o caminho de reflexão”, explicou Dom Odilo, assinalando que “é nas dioceses que deve ocorrer a verdadeira renovação da Igreja na América Latina e no Caribe”.

“As conferências episcopais e o Celam ajudam as dioceses e seus bispos a perceber o caminho, a discernir os desafios, a tomar decisões também em comunhão, de acordo com as situações vividas e que, depois, as dioceses traduzem em práticas pastorais de evangelização, de acordo com cada realidade local”, completou o Cardeal Scherer. 

“É um longo processo. Mas a Igreja está se renovando, e o que talvez não seja percebido a curto prazo”, concluiu Dom Odilo.

(Com informações de Prensa Celam)

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