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Escravidão é o mais grave crime contra a humanidade, diz ONU

Escravidão é o mais grave crime contra a humanidade, diz ONU - Jornal O São Paulo
ONU News

Em 25 de março, data estabelecida pela ONU desde 2007 como o Dia In­ternacional em Memória das Vítimas da Escravidão e do Tráfico Transatlân­tico de Escravos, Gana, país da África Ocidental, apresentou uma proposta à Assembleia Geral das Nações Unidas pela qual pede o reconhecimento da es­cravidão de africanos como o mais grave crime contra a humanidade.

O texto instou, também, que os Es­tados-membros da ONU considerassem pedir desculpas pelo tráfico de escra­vizados e contribuir para um fundo de reparações. A resolução assinala, ainda, que artefatos culturais saqueados duran­te a era colonial sejam devolvidos a seus países de origem.

A proposta foi aprovada por 123 votos a favor, entre eles o do Brasil – país que mais recebeu africanos escravizados (em torno de 4 milhões) e abriga hoje a maior população afrodescendente fora do con­tinente – e três contrários: o dos Estados Unidos, o de Israel e o da Argentina 52 países se abstiveram, entre eles Reino Unido, Portugal e Espanha (algumas das nações que dominaram o tráfico negrei­ro entre os séculos XVII e XIX) e todos os demais membros da União Europeia.

“A adoção desta resolução procura um caminho para a cura e a justiça repa­radora, além de servir como uma salva­guarda contra o esquecimento. Também desafia as cicatrizes persistentes da es­cravidão”, disse John Dramani Mahama, presidente de Gana, à assembleia antes da votação.

As principais justificativas para decla­rar o tráfico de africanos escravizados e a escravidão racializada de africanos como o mais grave crime contra a humanidade são a ruptura definitiva na história mun­dial, a escala, a duração, a natureza sistê­mica, a brutalidade e as consequências duradouras desse crime, que ecoam até hoje, como o racismo, o subdesenvol­vimento e a discriminação persistentes contra os negros.

Por cerca de 300 anos, milhões de pessoas foram sequestradas, acorren­tadas e enviadas para trabalhar como escravizados em outros países, muitas vezes até a morte. Estima-se que mais de 2 milhões tenham morrido durante a travessia.

Dan Negrea, embaixador dos Es­tados Unidos na sessão da ONU, afir­mou que seu país “não reconhece um direito legal a reparações por injustiças históricas que não eram ilegais segun­do o direito internacional à época em que ocorreram”, e, por isso, “se opõe ao uso cínico de injustiças históricas como moeda de troca para realocar re­cursos modernos para pessoas e nações que têm pouca relação com as vítimas históricas”.

Durante a votação, o presidente ganês acusou os Estados Unidos e os países europeus que se opuseram à me­dida de tentar “normalizar o apagamen­to da história sofrida pela população africana”.

Fontes: G1 e Agência Brasil

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