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Estados Unidos e Israel atacam o Irã

Na madrugada do sábado, 28, os Estados Unidos e Israel lançaram uma grande operação militar contra o Irã. A notícia foi anunciada pelas autoridades de ambos os países e pelas principais agências internacionais.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou em uma mensagem de vídeo o lançamento de “grandes operações de combate” contra a República Islâmica, descrevendo uma ação “massiva” destinada não apenas ao programa nuclear, às capacidades de mísseis e à marinha do Irã, mas sobretudo a alcançar uma mudança de regime no país.

Estados Unidos e Israel atacam o Irã - Jornal O São Paulo
Usina nuclear de Busher no Irã (foto: Paolo Contri/AEA-Nações Unidas)

OS OBJETIVOS DO ATAQUE

Em pronunciamento, Trump afirmou que o objetivo da operação é garantir que “os americanos nunca sejam ameaçados por um Irã com armas nucleares”, reiterando ao povo iraniano que “a hora da sua liberdade está próxima. Quando terminarmos, assumam o controle do seu governo; caberá a vocês fazê-lo”.

Israel declarou estado de emergência e impôs restrições em seu território em antecipação a possíveis represálias. Entretanto, na capital iraniana, ataques atingiram a área ao redor da residência do Líder Supremo Ali Khamenei, do Conselho Supremo de Segurança Nacional e do gabinete presidencial. Fontes locais afirmam que Khamenei foi levado para um local seguro. O complexo do Ministério da Inteligência, no nordeste de Teerã, também foi alvo de ataques.

Autoridades militares estadunidenses declararam que o ataque ao Irã será muito mais extenso do que o realizado em junho passado contra instalações relacionadas ao programa nuclear da República Islâmica. Numerosas e contínuas explosões também foram ouvidas em Qom, Isfahan, Tabriz, Karaj e Kermanshah. As autoridades de Teerã não divulgaram um número oficial de mortos ou de danos.

As comunicações de internet no país estão parcialmente interrompidas, enquanto o Ministério da Educação anunciou o fechamento de escolas e uma transição temporária para o ensino à distância.

PRESENÇA DOS EUA NO ORIENTE MÉDIO

A operação foi precedida por um aumento da presença militar dos Estados Unidos na região, que durou cerca de um mês. Dois porta-aviões, o USS Abraham Lincoln e o USS Gerald R. Ford, foram deslocados para as proximidades do palco de operações, juntamente com destróieres de mísseis guiados e dezenas de aeronaves posicionadas em bases na Jordânia, Israel e Arábia Saudita.

Os recursos mobilizados incluem caças F-35, F-15, F-22 e F-16, bem como aeronaves de radar e guerra eletrônica. Uma fonte de segurança israelense, citada pelo Canal 12, afirmou que o ataque preventivo de Israel contra o Irã (“Fúria Épica”) foi planejado em conjunto durante meses, enfatizando que Tel Aviv e Washington estão “em sintonia”. Além disso, acrescentou, a “fase inicial” do ataque conjunto deverá durar quatro dias.

NEGOCIAÇÕES NUCLEARES

Ainda no sábado, as últimas negociações nucleares entre os Estados Unidos e o Irã, mediadas por Omã, foram concluídas em Genebra. Segundo informações iniciais, Washington pediu a Teerã que desmantelasse seus três principais complexos nucleares em Fordow, Isfahan e Natanz, e que enviasse todo o seu urânio enriquecido para o exterior.

De acordo com um relatório divulgado ontem pela Agência Internacional de Energia Atômica, o Irã possui atualmente urânio enriquecido a 60%, próximo ao limite necessário para produzir uma arma nuclear. No entanto, Teerã teria rejeitado os pedidos. Isso levou às declarações iniciais de Trump: “Ainda não me decidi sobre o Irã”, disse ele a repórteres na noite passada, esclarecendo, porém, que “o Irã não pode ter armas nucleares e não estou satisfeito com a forma como estão negociando, mas novas conversas estão planejadas. Quero chegar a um acordo. Gostaria de evitar uma ação militar contra o Irã, mas às vezes é necessário”.

O vice-presidente J.D. Vance argumentou, nos últimos dias, que Teerã não havia atendido às exigências dos EUA durante as negociações realizadas em Genebra. Imediatamente depois, a China e a Itália instaram seus cidadãos a deixarem o Irã e a exercerem “máxima cautela” em Israel; a Grã-Bretanha retirou temporariamente seus diplomatas de Teerã, enquanto a França e a Alemanha desaconselharam “urgentemente” viagens a Israel. No início desta semana, em um claro sinal diplomático e estratégico, Washington reduziu o número de funcionários em suas embaixadas em Jerusalém e Bagdá, evacuando posteriormente a base aestadunidense em Al-Ubeid, no Catar. O programa nuclear de Teerã tem sido um foco de intensos confrontos há décadas.

No último fim de semana, Steve Witkoff, principal negociador do presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o Irã estava “provavelmente a uma semana de ter material de grau industrial para fabricar uma bomba”, mas o então secretário de Estado, Marco Rubio, disse que o Irã “não está enriquecendo [urânio] neste momento” — embora tenha acrescentado que gostaria de fazê-lo.

Outra questão crucial continua sendo o vasto arsenal de mísseis e drones do Irã, em sua maioria produzidos internamente, visto como o principal fator de dissuasão contra-ataques dos Estados Unidos e de Israel. Rubio declarou esta semana que a República Islâmica possui “milhares de mísseis balísticos de curto alcance” que ameaçam as forças estadunidenses, suas bases e parceiros na região, bem como ativos navais que “ameaçam a navegação e buscam ameaçar a Marinha dos Estados Unidos”.

O arsenal de mísseis balísticos do Irã foi reduzido durante a guerra do ano passado. Teerã lançou aproximadamente 550 mísseis de médio e longo alcance, enquanto muitos outros foram destruídos em solo por ataques aéreos israelenses. Desde então, o Irã vem produzindo mísseis “continuamente”, de acordo com o Instituto de Estudos de Segurança Nacional.

O FRONT ISRAELENSE

Enquanto isso, o Comando da Frente Interna das Forças de Defesa de Israel (IDF) impôs restrições em todo o país: proibidas reuniões, aulas e trabalho, exceto em setores essenciais, segundo o jornal “Times of Israel”. O ministro da defesa israelense, Katz, assinou uma ordem especial impondo estado de emergência na frente interna em todo o território do Estado de Israel. Sirenes de alarme foram ouvidas em Tel Aviv, Jerusalém, Cisjordânia, Galileia e nas Colinas de Golã. “Israel e os Estados Unidos lançaram uma operação para eliminar a ameaça existencial representada pelo regime terrorista no Irã”, disse o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, agradecendo ao presidente Trump “por sua liderança histórica”.

REAÇÃO DO IRÃ

O Irã, por sua vez, anunciou que está se preparando para responder. A agência de notícias Nour, próxima ao Conselho Supremo de Segurança Nacional, descreveu uma “resposta esmagadora”, enquanto veículos de comunicação ligados à Guarda Revolucionária divulgaram imagens de mísseis prontos para lançamento.

As autoridades iranianas já haviam alertado que qualquer ataque poderia desencadear um conflito regional. Os últimos relatórios sugerem que todo o país está agora sob um bloqueio total de internet.

Fonte: Vatican News

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