
Após décadas sob o domínio soviético, a Estônia reconquistou sua independência em 1991 e enfrentou uma dura realidade: economia frágil, infraestrutura limitada e escassez de recursos. Era um país pequeno tentando se reinventar.
No período pós-independência, nos anos 1990, a Estônia tomou uma decisão estratégica que mudaria seu futuro: colocar a educação e a tecnologia no centro do projeto nacional. Uma das primeiras medidas foi levar internet e computadores a todas as salas de aula e bibliotecas do país. O programa ficou conhecido como “O Salto do Tigre”.
Em 1996, o país aprovou seu primeiro currículo nacional, rompendo de vez com o modelo soviético. Pouco depois, a Estônia deu outro passo ousado: ainda no ano 2000, digitalizou completamente as declarações de imposto de renda e reconheceu assinaturas eletrônicas como legalmente equivalentes às assinaturas em papel.
Em 2015, mais de dez anos atrás, praticamente todos os principais serviços públicos já eram totalmente digitalizados. Depois de pouco mais de 30 anos, hoje a Estônia aparece no topo dos rankings internacionais de educação, superando países muito mais ricos e com tradições educacionais consolidadas.
Um dos principais indicadores é o Pisa (sigla em inglês para Programa Internacional de Avaliação de Estudantes), exame trienal que avalia leitura, matemática e ciências, com estudantes de 15 anos em mais de 80 países membros e parceiros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Na última edição, a Estônia confirmou sua posição como uma das maiores potências educativas do mundo (6º lugar em Ciências e Leitura e 7º lugar em Matemática), em pé de igualdade com Cingapura, Japão e Coreia do Sul, alcançando, também, o melhor desempenho entre todos os países europeus participantes.

O sucesso educacional na Estônia se baseia em três pilares: a educação é valorizada pela sociedade, o acesso é universal e gratuito em todos os níveis e há ampla autonomia, tanto para professores quanto para escolas. Além disso, são ofertados vários serviços de apoio baseados nas necessidades dos alunos, como refeições gratuitas na escola, fornecimento de materiais didáticos, serviços de aconselhamento, subsídios em transporte e, a partir do ensino secundário, acomodação.
A resposta para a eficiência estoniana é um misto de bons investimentos (seja em salários dos professores – cujo incremento chegou a 80% na última década –, seja em rede de escolas, seja em infraestrutura digital) e eficiência no uso desse montante.
As diretrizes do ensino estão dispostas no currículo nacional. Como aplicá-las, porém, fica, em grande parte, a critério de cada escola e seus professores, que desfrutam de um elevado grau de autonomia na tomada de decisões em todos os aspectos da aprendizagem e do ensino. Isso significa que as metodologias e até mesmo os ambientes de sala de aula podem ser definidos de acordo com o plano de cada instituição e seu corpo docente.

Durante o período escolar, os alunos precisam cursar as seguintes disciplinas: língua e literatura estonianas, primeira e segunda línguas estrangeiras, matemática, biologia, geografia, física, química, humanidades, história, civismo, música, arte, artesanato, tecnologia e educação física, sendo também comuns aulas de história das religiões, design e economia.
No contraturno, período do dia em que os alunos não têm aulas, todas as escolas oferecem aulas de esporte, música, artes e oficinas de tecnologias. Há competências gerais que todo aluno deve desenvolver: cultura e valores; habilidades sociais e de cidadania; autodeterminação, autoaprendizagem, interação e comunicação; ciências naturais, empreendedorismo e desenvolvimento digital.
No sistema educacional estoniano, bons e maus alunos não são separados em classes diferentes. Aqueles com mais dificuldade recebem ajuda, fora do horário das aulas, de professores particulares, psicólogos e psicopedagogos, conforme a necessidade.
Fontes: Deustche Welle, G1, Revista Educação e OCDE




