O Cardeal Aveline, de Marselha, lança apelo para que se retorne à paz, após os confrontos e desordens que devastaram a França também neste fim de semana. “Violência inaceitável”, afirma ele. Palavras repetidas também pelo Arcebispo de Lyon Olivier de Germany. Enquanto isso, os protestos continuam: a entrada no Louvre foi bloqueada na manhã desta segunda-feira, 19, enquanto os “coletes amarelos” anunciam novas manifestações para o próximo sábado, 24.

“Não nos deixemos ser arrastados por esta espiral de violência. Juntamente com todos os fiéis, rezemos para que esses distúrbios cessem, e a paz retorne”. Essa é a mensagem que o Cardeal Jean-Marc Aveline, Arcebispo de Marselha, após mais um dia — sábado, 17 de outubro — de confrontos e distúrbios em Paris e em muitas outras cidades da França, transmite em um comunicado publicado no site da arquidiocese.
O cardeal Aveline: nosso país merece algo melhor
“Violência inaceitável”, acrescenta Aveline, que descreve uma situação de guerrilha que vem alarmando todo o país há já vários dias. “À margem das manifestações, algumas lojas foram saqueadas, algumas igrejas foram invadidas, a prefeitura foi invadida e danificada, uma delegacia de polícia foi devastada e alguns membros das forças de segurança foram agredidos”. Assim, por um lado, “juntamente com toda a Igreja de Marselha”, ele expressa “apoio e solidariedade às pessoas que ficaram feridas e aos comerciantes que foram vítimas desses atos de vandalismo”; por outro, pede que se reze para que os confrontos terminem o mais rápido possível e que seja restabelecido um clima de paz. Pois, conclui ele, “nossa cidade e nosso país merecem algo melhor”. Enquanto isso, a Prefeitura da cidade determinou a proibição de manifestações nesta segunda-feira, entre 12h e 20h.
O arcebispo de Lyon: enfrentar juntos os desafios da sociedade
Na mesma linha, o Arcebispo de Lyon, Olivier de Germany, afirma em uma postagem na rede social X que deseja se unir à solidariedade em prol “dos comerciantes, das forças de segurança e de todos aqueles que foram vítimas desses excessos”, que também afetaram “aqueles que queriam se manifestar pacificamente”. Os atos de violência, ocorridos no sábado (17/10) na capital da região de Auvergne-Rhône-Alpes, “ultrapassam em muito o âmbito de uma manifestação na qual possam ser expressas reivindicações legítimas”, acrescenta ele: a cidade “foi palco de confrontos, ódio, destruição e saques inaceitáveis”. Os protestos não devem ser ignorados, explica ele: até mesmo “essa violência é sinal de uma sociedade que está doente”. No entanto, esse não é o caminho para fazer valer suas reivindicações: “é um beco sem saída e só pode gerar mais injustiças e divisões. Não é uns contra os outros, mas juntos, que poderemos enfrentar os desafios que nossa sociedade precisa superar”. É preciso rezar “pela paz” e ser “artífices da paz”, é o seu apelo.
O governo francês admite fracasso no fim de semana
O governo assume a responsabilidade pelo ocorrido. “Neste fim de semana, falhamos incontestavelmente”, afirma o ministro da Justiça, Gérald Darmanin, expressando apoio ao colega do Ministério do Interior, Laurent Nuñez, apesar das “lacunas” na manutenção da ordem pública. Este, admitindo ter “perdido o controle da multidão em várias cidades”, apresentou sua renúncia ao presidente Emmanuel Macron, que, no entanto, foi rejeitada. Diante da violência e da devastação, o próprio Macron, em um discurso dirigido à nação na noite deste domingo, 18, falou de “raiva e vergonha”, embora tenha dito compreender as angústias dos estudantes; pediu “unidade” às forças políticas; e prometeu, em qualquer caso, “intransigência” contra os responsáveis: “quem destruiu deve pagar”, disse ele.
Os danos às atividades comerciais
Os danos são palpáveis: “mais de 2 mil” lojas e estabelecimentos comerciais vandalizados, confirma o presidente da Confcommercio francesa (CCI France), Alain Di Crescenzo, estimando à Rádio RTL prejuízos de “centenas de milhões de euros”.
Os coletes amarelos: novas manifestações no sábado
Enquanto isso, os protestos continuam na manhã desta segunda-feira, 19. O acesso ao Louvre, o museu mais visitado do mundo, no coração de Paris, foi bloqueado por manifestantes “em apoio” ao movimento dos estudantes do Ensino Médio: é o que anunciaram a direção e os sindicatos à agência France Presse. No domingo, 18, assim como durante a madrugada, ocorreram novos saques e atos de violência na capital, onde pelo menos 30 lojas foram invadidas: 351 pessoas foram detidas nas últimas horas. Com as novas medidas, o número de pessoas detidas desde o início dos confrontos subiu para 2.331, das quais dezenas foram colocadas em prisão preventiva. Mas a coordenação do movimento dos “coletes amarelos” da mobilização de 17 de outubro anuncia um “segundo ato” do protesto para o próximo sábado, 34.
Os atos marcam a união de um movimento estudantil que já dura um mês com a insatisfação geral da população contra o aumento do custo de vida. Está sendo considerada uma das ondas de protestos mais violentas dos últimos anos no país.
Fonte: Vatican News



