Francisco vai ao Cazaquistão e busca promover a paz, o diálogo e a unidade

Com o lema “Mensageiros de paz e da unidade”, o Papa Francisco visita o Cazaquistão, de 13 a 15 de setembro. Trata-se da 68º viagem apostólica do Pontífice desde que assumiu a cátedra de Pedro, em março de 2013. 

Francisco vai ao Cazaquistão e busca promover a paz, o diálogo e a unidade, Jornal O São Paulo
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O Papa chegou a Nur-Sultan – a capital cazaque, conhecida anteriormente como Astana –, na terça-feira, 13, e foi recebido pelo presidente do país, Kassym-Jomart Tokayev, a quem fez uma visita de cortesia no palácio presidencial, imediatamente após a cerimônia de boas-vindas. 

Em seguida, o Bispo de Roma se encontrou com autoridades, membros da sociedade civil e o corpo diplomático, e afirmou que sua presença no país se dá “como um peregrino da paz, buscando diálogo e unidade”. 

AGENDA 

Segundo a agenda oficial, Francisco participa do VII Congresso de Dirigentes das Religiões Mundiais e Tradicionais, um encontro inter-religioso realizado a cada três anos no país, desde 2003 (a edição de 2021 foi adiada devido à pandemia de COVID-19), e que este ano recebe 108 delegações de várias religiões, oriundas de 60 países. 

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A quarta-feira, 14, começa com um momento de oração em silêncio, no Palácio da Paz e da Reconciliação, junto com os líderes religiosos que participam do Congresso. Na abertura do evento, Francisco faz um discurso, e à tarde estará na Praça da Expo para a celebração da missa. 

Na quinta-feira, 15, o Papa se reunirá em particular com os confrades da Companhia de Jesus, depois se encontrará com os bispos, sacerdotes, diáconos, consagrados, seminaristas e agentes pastorais. Francisco fará o último discurso dessa viagem no Palácio da Paz e da Reconciliação, no qual será lida a declaração final no encerramento do Congresso. 

HISTÓRIA 

Um dos maiores países da Ásia Central, o Cazaquistão conta com uma população de 19 milhões de pessoas, composta por aproximadamente 150 grupos étnicos. Cerca de 70% dos cazaques são muçulmanos e 26% são cristãos, muitos dos quais pertencem às tradições ortodoxa russa e católica grega. A presença do Cristianismo no país cresceu no século XIX, quando um grande número de poloneses, bielorrussos, ucranianos e russos foram deportados pelos czares russos. Essa situação se intensificou ainda mais durante a perseguição religiosa de Joseph Stalin, que durante a era soviética enviou centenas de milhares de cristãos para campos de trabalho nos anos 1930 e 1940.

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Muitos desses cristãos foram acolhidos por famílias muçulmanas cazaques, provocando um sentimento natural de solidariedade e apreço que permanece até hoje. 

Os católicos, que representam 1% da população atual, estão presentes no país desde o século II. Após a queda da União Soviética, em 1991, a Igreja Católica foi restaurada no Cazaquistão e os fiéis começaram a celebrar seus cultos publicamente. No entanto, um grande número de deportados retornou às suas casas e países nativos, com pelo menos 4 milhões de pessoas emigrando na era pós-soviética, fazendo com que a população cristã no país diminuísse. Ainda assim, eles continuam a manter uma presença consistente, e os laços inter-religiosos são bons. De fato, a Conferência Episcopal da Ásia Central, criada em 2021 e da qual o Cazaquistão faz parte, vem crescendo e abrange vários países asiáticos. 

MOTIVAÇÕES 

Outra razão da presença do Pontífice no país é a proximidade do 30º aniversário do estabelecimento das relações diplomáticas entre a Santa Sé e o Cazaquistão, que ocorreu em 17 de outubro de 1992, pouco antes de completar um ano da independência do país, além de um acordo, assinado em 24 de setembro de 1998, que garantiu à Igreja Católica a liberdade de realizar atividades sociais, educativas, de saúde e de ter acesso aos meios de comunicação social, entre outros. 

O Papa elogiou a coexistência harmônica das diversas comunidades do Cazaquistão e enalteceu o compromisso do país com o desarmamento nuclear e a proteção do meio ambiente, bem como sua decisão, no ano passado, de abolir a pena de morte. 

O Cazaquistão representa “uma encruzilhada geopolítica significativa” e, como tal, tem “um papel fundamental a desempenhar na diminuição dos casos de conflito”, concluiu. 

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