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Igreja em Madagascar denuncia aumento do rapto de crianças para tráfico humano

Igreja em Madagascar denuncia aumento do rapto de crianças para tráfico humano - Jornal O São Paulo
Caritas Madagascar

A Igreja Católica denunciou o agravamento do desaparecimento de crianças na ilha africana de Madagas­car para a alimentação de redes de trá­fico de órgãos, exigindo das autorida­des o fim da impunidade.

Os relatórios oficiais da Polícia mal­gaxe contabilizam o desaparecimento de 172 pessoas durante o último ano, das quais 91 são menores de idade.

Dom Jean Pascal Andriantsoavina, Bispo de Antsirabe e Vice-Presidente da Conferência Episcopal Católica de Madagascar, rejeitou a passividade ci­vil perante o aumento de “assassinatos seletivos” de inocentes em todo o ter­ritório nacional.

“Não podemos ficar como meros espectadores diante da trágica rea­lidade dessas ondas de assassinatos que ocorrem aqui e ali e cujos culpa­dos continuam impunes”, lamentou o Epíscopo.

Os Padres Luca Fornaciari e Fran­cesco Meloni, missionários italianos, confirmaram que as investigações cri­minais apontam o comércio ilegal de partes do corpo humano como o “mo­tivo dos desaparecimentos”.

“Os raptos de crianças e jovens são uma ferida. Eles desaparecem de dois em dois; às vezes em pequenos gru­pos; às vezes, sozinhos. Os pais não os veem mais voltar para casa: o terror os assalta. Eles desaparecem da capital, Antananarivo, mas também da es­tância turística de Nosy Be, onde os resorts são refúgios para turistas que pagam 2 mil dólares por semana. O alarme é cíclico e, infelizmente, está acontecendo novamente”, confirmam os Sacerdotes, que atuam em Manaka­ra e Analavoka, respectivamente.

Nosy Be registou nos últimos dias o rapto de duas meninas de 8 e 13 anos de idade.

“A minha mãe, que mora lá, teste­ levadas por alguém, e isso é algo fre­quente”, relatou Claudio Orange, agen­te humanitário e cooperador local.

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ACN

Os militares golpistas no poder, que assumiram o governo do presidente Andry Rajoelina após a revolta popu­lar em outubro de 2025, parecem ine­ficazes, uma vez que não conseguem conter o horror: na capital, Antana­narivo, mobilizaram 1,5 mil policiais para patrulhar ruas e becos, dia e noi­te. No entanto, o restante da ilha (exce­to as áreas fortificadas, destinadas aos turistas ocidentais) está desprotegido.

Ketakandriana Rafitoson, da orga­nização Transparência Internacional, advertiu que a lentidão judicial au­menta o pânico na população.

“Quando as pessoas percebem que as investigações não avançam com ra­pidez suficiente e que os responsáveis por esses crimes não são identificados, o medo cresce muito além dos casos individuais”, constatou a ativista.

De fato, por trás do comércio e da retirada ilegal de partes do corpo, bem como do terrível desaparecimento de crianças, está o vácuo de um Estado ausente, que alguns afirmam ser coni­vente com a situação atual.

Fontes: Agência Ecclesia e Vatican News

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