
No Japão, há cafés concebidos para atender tanto pessoas saudáveis quanto pessoas com demência. Nesses estabelecimentos, porém, 37% dos clientes recebem seus pedidos de forma errada em razão de um detalhe específico: todos os atendentes são idosos e têm demência. A iniciativa visa a conscientizar sobre a doença e promover na comunidade um jeito mais inclusivo e gentil de acolher pessoas com aquela condição.
Esses cafés são espaços comuns em que os moradores podem parar para tomar uma xícara de chá enquanto fazem compras no supermercado, por exemplo. O grande diferencial é que, em vez de isolar as pessoas que sofrem de demência, há boa vontade de conviver e interagir com elas e ajudá-las a resolver problemas. Até mesmo idosos com demência frequentam o local, leem jornais e conversam com as demais pessoas.
Apesar de os pedidos virem corretamente em 63% das vezes, 99% dos clientes deixam os cafés felizes porque a maioria das pessoas prefere a felicidade a receber exatamente aquilo que pediram. Eles se divertem com os atendentes, os quais normalmente não se relacionam com ninguém. Estes ficam felizes porque, em vez de ficarem isolados em suas casas ou quartos, estão interagindo com pessoas, sorrindo e se divertindo também.

A demência é um fenômeno global que todas as sociedades enfrentam. No Japão, porém, a sociedade mais idosa do mundo, essa enfermidade é um desafio nacional de saúde. Cerca de 30% da população do país, de aproximadamente 125,7 milhões de habitantes, tem mais de 65 anos. Estima-se que mais de 7,3 milhões de japoneses sofram de demência — ou 1 em cada 5 pessoas com mais de 65 anos —, segundo o Ministério da Saúde japonês.
Um estudo de 2023 revelou que havia 8.182 cafés cognitivos (para pessoas com demência) em funcionamento no Japão, muitos deles com assistentes sociais e profissionais de apoio cognitivo. Ainda naquele ano, foram criados 5.366 centros regionais abrangentes para promover a saúde e a estabilidade de vida de idosos com aquela condição e seus familiares.
A escassez crônica de cuidadores no Japão e os custos exorbitantes dos cuidados com idosos exigem que o país encontre maneiras criativas de cuidar desses pacientes com demência, para que possam se manter mental e fisicamente ativos pelo maior tempo possível, em vez de isolados em casa ou em um hospital.
Cafés para pessoas com demência são uma forma de suprir essa lacuna. O conceito foi introduzido no Japão em 2017 por meio de eventos temporários, contudo iniciativas permanentes estão surgindo em todo o país.
Fontes: Maeil Business Newspaper e The Washington Post





