Livro analisa a presença dos padres nas redes sociais

O resultado da análise dos perfis leva a refletir seriamente sobre a qualidade da presença dos padres nas redes sociais e que a construção da identidade do presbítero nas redes revela-se um grande desafio, pois é preciso cuidado para que eles não sigam os modelos estratégicos narcisísticos e autorreferenciais.

Acaba de ser publicado pela editora estadunidense Wipf e Stock Publishers em Oregon – Estados Unidos, o livro “Navigating Hyperspace” (Navegando no Hiperespaço). A Comparative Analysis of Priests’ Use of Facebook“. Editado e coordenado pelo padre jesuíta Peter Lah, pró-decano da Faculdade de Ciências Sociais da Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, o livro é uma obra colaborativa com vários autores. Trata-se do resultado de um projeto de pesquisa que analisou perfis de presbíteros presentes no Facebook provenientes de varias partes do mundo: Congo, Eslovênia, Itália, Filipinas, Brasil, Colômbia, Haiti e Espanha.

O capítulo dedicado a análise da presença dos padres brasileiros é assinado pelo padre jesuíta Bruno Franguelli, mestrando em ciências sociais e comunicação na Universidade Gregoriana e que se dedica à pesquisa na área das redes sociais e os novos tipos de relacionamentos. Todo o texto é inspirado pelas palavras do Papa Francisco presentes em sua mensagem para a 48ª Jornada Mundial das comunicações sociais na qual afirma:

“A internet pode oferecer possibilidades de encontro e de solidariedade entre todos, e isso é algo bom, é um dom de Deus”.

As expectativas dos fiéis

De acordo com a análise, as expectativas que os leigos têm com relação à presença dos padres nas redes sociais podem ser, de modo especial, apresentadas através das seguintes aspirações: Deus, testemunho de vida cristã, apoio eclesial para resolver problemas cotidianos, companheirismo e construir Comunidade/Igreja.

A pesquisa afirma que a presença dos presbíteros tem sido muito mais intensa nos últimos tempos e que as expectativas dos fiéis, de certo modo, são atendidas. Principalmente com a pandemia, muitos padres que antes eram resistentes às mídias sociais fizeram a escolha de criar um perfil pessoal, principalmente no Facebook, para tentar estar mais próximos de seus fiéis. Na verdade, acredita-se que eles não tinham outra escolha. O texto revela ainda o aumento de perfis também institucionais, como de paróquias e comunidades religiosas com a finalidade de ocupar os espaços digitais e divulgar conteúdos de evangelização.

O perfil dos padres brasileiros

A pesquisa analisou perfis de padres desde a apresentação visual, os amigos, o conteúdo das publicações, engajamentos, até mesmo o grau de “compromisso e comunhão digital” com a Igreja local (Diocese), Nacional (CNBB) e Universal (Papa) através da publicação de conteúdos, por exemplo, relacionados ao Sínodo especial para a Amazônia.

O resultado da análise dos perfis leva a refletir seriamente sobre a qualidade da presença dos padres nas redes sociais e que a construção da identidade do presbítero nas redes revela-se um grande desafio, pois é preciso cuidado para que eles não sigam os modelos estratégicos narcisisticos e auto-referenciais. Deste modo, a pesquisa afirma ainda, que se faz necessária uma séria atenção para que os padres não se transformem em meros “influencers” e que não caiam na armadilha de divulgar mais a própria imagem que a mensagem. Isso não quer dizer que seja negativo o compartilhamento de momentos da vida privada do padre, que pode até ser bem apreciada pelos fieis. O que se faz necessária é uma atenção para que sua vida privada divulgada também transpareça os valores inerentes a sua vida presbiteral, que é pública.

Espera-se, da parte dos fiéis, que a presença dos presbíteros possa refletir uma realidade maior que si mesmos, ou seja, o conteúdo do Evangelho. Neste sentido, o texto propõe que o padre presente nas redes seja como uma janela que se abre para que os receptores tenham acesso ao conteúdo de sua mensagem, segundo os valores do Evangelho.

O livro, que ainda não está disponível em português, pode ser adquirido neste link.

Fonte: Vatican News

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