Missionário relata dificuldades da população em Angola

‘Não há muito aqui além de saber que o amor de Deus dá sentido a tudo’, comenta o Padre Angelo Besenzoni

População em Angola (foto: arquivo do Pe. Angelo)

“O sentido da vida é amar os outros em todas as idades e em todos os lugares. Nós cristãos proclamamos e testemunhamos antes de tudo que alguém dá sentido à nossa vida porque nos ama: ama a todos e sempre”, escreveu à Agência Fides o Padre Angelo Besenzoni, missionário na Paróquia Sagrada Família, no Musseque-Kicoca, subúrbio da capital de Angola.

“Não há muito aqui no ‘musseque’ (que em Kimbundo significa ‘terra vermelha’) e vem dos assentamentos informais que surgiram nos arredores de Luanda. Falta trabalho, água potável e hospitais, mas nunca falta a certeza de que o amor de Deus dá sentido a tudo”, prosseguiu.

“A minha paróquia está localizada no chamado ‘musseque'”, diz o missionário da Sociedade para as Missões Africanas (SMA), que há 13 anos compartilha a dura vida dos subúrbios com seu povo.

“Não há trabalho, e quem quer trabalhar tem que ir para Luanda. Há eletricidade em quase todo o lado, mas ainda não há água, que aqui se chama ‘líquido precioso’. Há quem a compre em caminhões, e quem não pode comprar em banheiras e baldes, paga muito dinheiro por isso”.

No que diz respeito à educação, apesar de cerca de metade da população ter menos de 20 anos, os jovens que desejam estudar são obrigados a emigrar para a cidade dada a precariedade do ensino básico e a ausência total do ensino secundário.

SITUAÇÃO PIORADA COM A COVID-19

“Primeiro a crise do petróleo e depois a crise da COVID-19 exacerbaram todos esses problemas”, explica Padre Angelo. “Muitas pessoas perderam o emprego, os preços dos alimentos triplicaram, os doentes são mal atendidos nos hospitais, absorvidos pelas preocupações com o coronavírus. O calor ou os antimaláricos que temos em nossos corpos nos protegeram até agora da COVID-19. As vacinas chegaram às cidades, mas ainda não chegaram ao musseque. As pessoas têm extraordinária resiliência e adaptabilidade, e a cada mês se acostumam a viver com cada vez menos comida e dinheiro”.

O sacerdote de origem italiana está há quatro anos em Kikoka, primeiro como assistente do Padre Ceferino Cainelli, SMA, na formação de jovens vocacionados que querem se tornar seminaristas da SMA, e depois como chefe da nova paróquia consagrada à Sagrada Família .

“Uma maneira de amar os outros é manter a porta aberta e ouvir quem nos procura com seus problemas – conclui o missionário -, ou visitar os idosos e os doentes, ou ajudar as famílias necessitadas a enviar crianças para a escola e colocar alguma coisa na mesa”, conclui.

Fonte: Agência Fides

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