
Nos dias 3 e 4, a Argentina viveu uma das maiores manifestações de fé da sua história contemporânea. A 52ª Peregrinação Juvenil ao Santuário de Nossa Senhora de Luján, Padroeira do país, atraiu cerca de 2,7 milhões de pessoas, segundo dados oficiais do Ministério da Segurança da Província de Buenos Aires. O número supera as edições anteriores e confirma a força permanente dessa tradição, iniciada em 1975, quando cerca de 30 mil jovens percorreram o mesmo caminho sob o lema “A juventude peregrina a Luján pela pátria”.
O início da peregrinação de 60 quilômetros foi acompanhado por Dom Jorge García Cuerva, Arcebispo de Buenos Aires, e Dom Gustavo Carrara, Arcebispo de La Plata. O lema deste ano – “Mãe, em teu abraço nos reconhecemos irmãos” – deu o tom de toda a caminhada. Ao longo do trajeto, mais de 80 postos de apoio montados por paróquias, movimentos e organizações ofereceram água, alimentos, assistência sanitária e até “abraços gratuitos”. Cerca de 6 mil voluntários participaram do evento, que contou ainda com hospitais móveis, ambulâncias e caminhões-pipa.

A missa central, no dia 4, foi presidida por Dom Jorge, que na homilia fez um forte apelo à reconciliação: “Nossa pátria tem muitos abraços pendentes: abraços de perdão diante de tanta desqualificação e insulto; abraços solidários diante de tanta indiferença; abraços de encontro diante de tanto extravio”, afirmou. Ele criticou as “feridas da desqualificação, da intolerância e da violência física e verbal” e convidou os fiéis a se tornarem “artesãos da fraternidade”.
“Que Maria nos ensine a respeitar uns aos outros, a perdoar-nos e a dialogar com todos; que deixemos de menosprezar o próximo, de ser indiferentes com quem sofre e de dar espaço ao ódio entre nós, pois experimentamos em Luján que, em seu abraço maternal, nos reconhecemos como irmãos”, exortou o Arcebispo de Buenos Aires.

A Basílica e Santuário Nacional de Nossa Senhora de Luján é o principal centro de devoção mariana da Argentina. Sua origem remonta a 1630, quando uma imagem da Imaculada Conceição, trazida do Brasil a pedido de um fazendeiro português, teria parado miraculosamente nas margens do Rio Luján. Uma pequena capela foi construída no local. Com o tempo, a devoção cresceu, e a atual Basílica neogótica começou a ser erguida em 1890, sob a inspiração do Padre Jorge María Salvaire. O templo recebeu o título de Basílica Menor em 1930 e continua sendo um dos santuários marianos mais visitados da América Latina.
Fonte: ACI Prensa e EWTN Ne



