
Há quase três anos, os 195 participantes da COP28, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, chegaram a um acordo histórico sobre a necessidade de uma transição “para longe” dos combustíveis fósseis, principais causadores das mudanças climáticas. No entanto, desde então, na prática, o assunto desapareceu dos principais fóruns internacionais que poderiam encaminhar alternativas para esse tema complexo.
A iniciativa do Brasil em abrir esta conversa durante a COP30, em Belém (PA), em 2025, não obteve a esperada adesão durante a Conferência do Clima das Nações Unidas. Menos da metade dos países queria ver avanços, e um número semelhante forçava no sentido contrário. A Colômbia, então, anunciou a intenção de promover uma reunião internacional, com o apoio dos Países Baixos, que acontecerá entre os dias 24 e 29, na cidade de Santa Marta, no Caribe colombiano.
“O fato de termos essa dificuldade multilateral neste momento dá mais peso a tentativas de iniciar as propostas. A ideia de Santa Marta é começar com aquela coalizão de 24 países que assinaram a Declaração da Colômbia em Belém, e 84 países que se disseram dispostos a debater um mapa do caminho, os quais precisam ser envolvidos em compromissos de descarbonização”, explica Claudio Angelo coordenador de Política Internacional do Observatório do Clima (OC), rede brasileira da sociedade civil, fundada em 2002, composta de mais de 100 organizações (ONGs, institutos de pesquisa e movimentos sociais).

Até agora, 50 países confirmaram presença, entre eles México, França, Noruega, Reino Unido e Angola, além da Comissão Europeia e centenas de organizações da sociedade civil e organismos de governo. Irene Vélez Torres, ministra do Meio Ambiente da Colômbia, disse que o encontro quer abordar os caminhos para os países buscarem soberania energética, ao mesmo tempo em que se afastam do petróleo, do carvão e do gás, grandes responsáveis por mais de 70% das emissões globais de gases de efeito estufa, que causam o aquecimento global.

A presidência brasileira da COP30 – que exerce o mandato até a realização do próximo evento, em novembro, na Turquia – vai participar do evento na Colômbia. O embaixador André Corrêa do Lago assumiu o compromisso de apresentar um mapa do caminho global para a transição longe dos fósseis ao longo deste ano. Os brasileiros têm realizado uma série de consultas com países e organismos internacionais para consolidar a proposta
Fonte: RFI Brasil




