‘O som do sino se mistura no chamado à oração no céu iraquiano’, afirma o presidente na acolhida ao Papa

Barham Salih discursou no encontro de Francisco com as autoridades iraquianas, no primeiro compromisso da viagem apostólica

Papa Francisco e Barham Salih, presidente do Iraque (foto: Vatican Media)

Em um de seus primeiros compromissos na chegada ao Iraque nesta sexta-feira, dia 5, o Papa Francisco falou às autoridades locais no Palácio Presidencial, em Bagdá.

Antes, porém, o Pontífice foi saudado pelo presidente iraquiano, Barham Ahmed Salih Qassim, que, inicialmente, agradeceu o fato de o Papa manter a visita ao país, mesmo em um momento tão delicado.

“Os iraquianos expressam orgulho por sua presença, Santidade, como um grande e querido hóspede, apesar das recomendações de adiar a visita devido às circunstâncias excepcionais que o mundo está passando por causa da pandemia, e das atuais condições difíceis do nosso país. A superação de todas essas circunstâncias, na verdade, redobra o valor de sua visita, na consideração dos iraquianos”, afirmou Barham Salih, recordando as constantes menções de preocupação de Francisco com as aflições vividas no país, como as situações de guerra, violência e interferências externas.

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VALORES DE CONVIVÊNCIA PACÍFICA

Barham Salih ponderou que apesar dos registros recentes de violência, tirania e totalitarismo registrados no país, “os iraquianos têm orgulho de ter vivido por muitos séculos em cidades ricas, de grande variedade de filiações”, e que ainda hoje, nas cidades e bairros, as mesquitas e lugares de oração dos muçulmanos estão próximos das igrejas, de modo que “o som do sino se mistura no chamado à oração no céu iraquiano”.

O presidente ressaltou, ainda, que os iraquianos respeitam os templos católicos e recordou um dos episódios que comprovam a tolerância religiosa no país.

“Entre as cenas memoráveis da libertação de Mossul, está sempre presente na mente a cena de uma igreja destruída pelos terroristas do Estado Islâmico. Nesta cena, aparecem soldados muçulmanos com feições e roupas cobertas pelo pó das batalhas, carregando a cruz sobre os ombros, para devolvê-la ao seu lugar sagrado na Igreja, enquanto seu oficial está de pé, com respeito e reverência saudando as estátuas da Virgem Maria e de Cristo. Trata-se de um valor humano profundo em seu significado e um valor educativo, nascido da convicção de todos os iraquianos de que o vínculo da diversidade e da convivência pacífica é um valor supremo, firmemente enraizado em nosso país”.

REALIDADE DE CONFLITOS

Barham Salih recordou, porém, que em especial nas duas últimas décadas o terrorismo tem ocasionado grande sofrimento à população do Iraque e de todo o Oriente Médio, com situações de deslocamento das famílias, violência contra as mulheres, ataques a igrejas, acampamentos e monumentos: “São tragédias às quais todas as pessoas foram vítimas, mas nos referimos em particular ao grande sofrimento dos nossos irmãos e irmãs cristãos, que foram forçados a deixar suas casas e sua terra natal”.

O presidente reafirmou o compromisso do país no combate ao terrorismo e aos extremismos praticados em nome da religião, e disse que trabalha para que o Iraque seja  “um espaço de segurança, de estabilidade e de paz”.

Por fim, Barham Salih fez votos de que a visita do Papa Francisco ajude a impulsionar um permanente diálogo inter-religioso e voltou a agradecer o Pontífice: “Santo Padre, estamos curando estas feridas, e aqui está o senhor, curando-as conosco. Obrigado pela generosidade desta visita histórica e pelo que o senhor está fazendo em prol do bem do homem na terra”.

No sábado e no domingo, o Papa Francisco terá extensa agenda de atividades no Iraque. Esta que a 33a viagem apostólica de seu pontificado será concluída na segunda-feira, dia 8.

(Com informações de Vatican News)

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