
O príncipe Albert II vetou um projeto de lei que teria legalizado o aborto até 12 semanas de gestação no Principado de Mônaco.
Em entrevista publicada no sábado, 22, pelo jornal Monaco-Matin, o príncipe soberano confirmou que ordenou ao governo que não implementasse a legislação aprovada pelo Conselho Nacional em maio, por 19 votos a favor e apenas dois contra.
“Acho que o sistema atual reflete quem somos”, declarou o príncipe Albert, destacando “o papel da religião católica no nosso país” e a importância de oferecer “um apoio seguro e humano” às mulheres em situações difíceis.
Com esta decisão, Mônaco mantém um dos regimes mais restritivos da Europa em matéria de aborto, frequentemente considerado um dos mais protetores da vida dos nascituros.
O projeto de lei vetado, apresentado em março de 2025, teria autorizado a interrupção voluntária da gravidez até 12 semanas (ou 16 semanas em caso de violação) e reduzido de 18 para 15 anos a idade mínima para abortar sem consentimento parental.
De acordo com a Constituição de Mônaco, de 1962, as leis só entram em vigor após a assinatura do soberano; ao contrário das democracias parlamentares modernas, o príncipe conserva um veto absoluto em matéria legislativa. Além disso, ela reconhece expressamente a Igreja Católica como religião do Estado, uma condição que o príncipe citou como fundamental para a sua decisão.
Mônaco destaca-se agora como exemplo contemporâneo de um monarca europeu que impediu diretamente a liberalização das leis do aborto.
Existem paralelos históricos: em 1990, o rei Balduíno, da Bélgica, abdicou por 36 horas para não assinar uma lei abortista; em 2008, o grão-duque Henrique, de Luxemburgo, recusou-se a sancionar uma lei de eutanásia, provocando uma reforma constitucional que retirou ao monarca o poder de “sancionar” leis. O príncipe Hans-Adam II, de Liechtenstein, comprometeu-se repetidamente a vetar qualquer referendo que legalize o aborto.
Em Mônaco, porém, não se tentou nenhuma solução constitucional semelhante. A recusa do príncipe marca a primeira vez na história moderna monegasca em que a prerrogativa real foi usada para impedir uma lei que negaria a vida aos nascituros aprovada pelo Conselho Nacional eleito — uma tendência dominante em outros países.
Fonte: Catholic Herald






