Sanções internacionais causam fome na Síria, afirmam religiosas trapistas

Presidente dos Estados Unidos passou aplicar ao país a chamada Lei César

Na quarta-feira, 17, o governo norte-americano decretou mais sanções contra a Síria, o presidente Bashar al-Assad e outras 39 pessoas e entidades oficial do país. 

(Crédito: Nações Unidas)

“A partir de hoje, as sanções previstas pela lei César entram em vigor. Qualquer um que faça negócios com o regime de Assad, em qualquer parte do mundo, está exposto a restrições de viagens e sanções financeiras”, afirmou o secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, em um comunicado.

A Lei César foi promulgada pela administração do Presidente Donald Trump e prevê uma série de sanções contra o governo sírio.

Situação insustentável

Religiosas trapistas na cidade de Azeir, Síria, disseram à Asia News que o país está numa “situação insustentável” devido à guerra e às sanções internacionais, que seriam armas de um “sistema global de finanças e geopolítica”, que “usa nações e pessoas como peões para seu próprio interesse”.

Do seu mosteiro, em uma pequena vila Maronita na Síria, as monjas trapistas reclamam das condições difíceis que o povo enfrenta por causa do conflito, do embargo econômico e da pandemia do novo coronavírus.

“As pessoas em nossa volta estão morrendo de fome e de doença”, escreveu a Irmã Marta, superiora do mosteiro, “e não é porque existe o vírus! Mas porque elas não podem mais encontrar medicamentos comuns para diabetes, pressão alta, câncer e para o coração”.

Farmácias estão fechadas, não se importam mais produtos básicos e a produção de medicamentos parou. A moeda do país, de acordo com as monjas, “perde valor a todo momento”.

Apelo

“Esperamos que a Europa, que experimentou a precariedade e viu a sua vida ameaçada pelo coronavírus, possa agora entender como as pessoas vivem numa realidade trágica de guerra e como sanções podem afetar uma já comprometida situação”, disse a Superiora.

Outros líderes religiosos também se manifestaram pedindo um fim às sanções. O Arcebispo Maronita de Damasco, Dom Samir Nassar, descreveu o país como uma “cova”.

Dom Joseph Tobji, Arcebispo Maronita de Aleppo, descreveu as sanções como um “ato diabólico” e um “crime”.

Apesar de reconhecerem que os problemas na Síria não se devem apenas às sanções e que a responsabilidade também recai sobre os líderes do país, as monjas acreditam que a vida depois da guerra tornou-se muito mais difícil devido ao embargo. Para elas, as sanções aumentaram as dificuldades do povo civil, de “pessoas como você ou eu. Homens, mulheres e crianças… Não políticos, não líderes. Sanções contra o povo”, concluíram as religiosas.

(Com informações de Asia News, Agência Fides e G1)

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