Shinzo Abe, assassinado no Japão, é lembrado por respeito demonstrado à Igreja

Ex-primeiro ministro japonês foi morto na sexta-feira, 8, enquanto participava de um ato político. Em 2019, recepcionou o Papa Francisco na viagem do Pontífice ao País

Shinzo Abe, assassinado no Japão, é lembrado por respeito demonstrado à Igreja
Foto: Vatican Media-Arquivo nov.2019

“Embora nós, bispos católicos do Japão, e o falecido ex-primeiro-ministro tivéssemos grandes diferenças de opinião sobre várias questões, incluindo o desarmamento nuclear, a política de energia nuclear e a constituição pacifista, Shinzo Abe demonstrava grande respeito pela Igreja Católica, particularmente à Santa Sé, sobretudo por ter entendido a influência do Santo Padre na sociedade internacional sobre a questão da paz”.

Assim se manifestou Dom Isao Kikuchi, Arcebispo de Tóquio, diante do assassinato do ex-primeiro ministro japonês, Shinzo Abe, ocorrido na sexta-feira, 8, enquanto participava de uma ato de campanha política para candidatos locais, em Nara. Abe foi alvejado a tiros pelas costas.

O político, de 67 anos, foi levado de helicóptero para o hospital, contudo as autoridades disseram que ele não estava respirando e seu coração parou. Mais tarde, sua morte foi confirmada pela equipe médica que o socorreu.

A polícia prendeu o suspeito no local, porém nenhuma motivação para o assassinato foi dada.

Dom Isao Kikuchi lembrou que Abe se empenhou em convidar o Santo Padre a visitar o Japão, “e até nomeou, pela primeira vez, um católico como embaixador na Santa Sé. Ele próprio também visitou o Santo Padre no Vaticano em 2014”, disse o Arcebispo.

A Igreja Católica representa menos de 0,5% do país, proeminentemente xintoísta e budista, com menos de 500.000 membros.

Shinzo Abe foi o primeiro-ministro mais antigo da história do Japão, tendo estado no cargo duas vezes: primeiramente entre 2006 e 2007 e, depois, de 2012 a 2020.

Ele recebeu o Papa Francisco durante a viagem do Pontífice, de 24 a 26 de novembro de 2019 ao Japão, incluindo as visitas a Hiroshima e Nagasaki, cidades bombardeadas pelos aliados durante o conflito mundial.

“Ambos concordaram em continuar defendendo um mundo sem armas nucleares, erradicação da pobreza, direitos humanos e proteção do meio ambiente”, disse Dom Isao.

Dom Isao também observou que os bispos japoneses discordaram das tentativas de Shinzo Abe de mudar o artigo 9º da Constituição japonesa, que proíbe a guerra como meio de resolver disputas internacionais, embora ele tenha dito que tanto a Igreja quanto o ex-primeiro-ministro estavam “provavelmente visando ao mesmo objetivo, que é estabelecer a paz na região”.

“Embora houvesse diferenças de opinião entre nós, bispos, e a política de Shinzo Abe, ainda desfrutamos de liberdade de fé e crença no Japão sob a proteção da Constituição por meio da qual Shinzo Abe foi escolhido para ser o primeiro-ministro. Suas enormes contribuições ao país devem ser respeitadas e tal pessoa não deveria ter sido levada por este ataque violento. Que descanse em paz”, disse o Arcebispo.

Fonte: Cruz Now

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