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Suécia: governo, empresas, pesquisadores e sociedade civil dão início a experimento que visa ao combate da solidão 

Suécia: governo, empresas, pesquisadores e sociedade civil dão início a experimento que visa ao combate da solidão  - Jornal O São Paulo

Os funcionários de uma grande rede de farmácias na Suécia estão recebendo licença remunerada para passar tempo com amigos, em um momento em que o país pede às empresas que ajudem a combater a solidão. 

Yasmine Lindberg, 45, é uma das 11 participantes do programa-piloto Friendcare, do grupo farmacêutico Apotek Hjärtat. Ela trabalha em uma loja da empresa em um parque comercial em Kalmar, pequena cidade litorânea no sul do país. 

Agora, graças ao programa-piloto da Apotek Hjärtat, que começou em abril de 2025, Yasmine tem direito a 15 minutos por semana, ou uma hora por mês, durante o horário de trabalho, para se concentrar em fortalecer suas amizades ou fazer novas conexões. 

Ela pode usar esse tempo para conversar ao telefone, fazer planos por mensagem de texto ou encontrar-se com alguém pessoalmente. 

Como todos os participantes do projeto-piloto, Yasmine recebeu mil coroas suecas (R$ 600) da Apotek Hjärtat para ajudar a pagar pelas atividades de estímulo a amizades durante o período de teste de um ano. Os voluntários também receberam treinamento on-line sobre como reconhecer e lidar com a solidão, que a rede de farmácias disponibilizou para todos os seus 4 mil funcionários. 

O projeto da Apotek Hjärtat surge em um momento em que o governo do país está colocando em destaque a questão da solidão. Em julho, a Agência de Saúde Pública da Suécia divulgou a primeira estratégia nacional destinada a combater a solidão, baseada no aumento da colaboração entre a comunidade empresarial, os municípios, os pesquisadores e a sociedade civil. 

Jakob Forssmed, ministro da Saúde, descreveu a solidão como uma grande preocupação de saúde pública, citando pesquisas globais que relacionam o problema a um risco aumentado de doenças, incluindo problemas coronários e derrames, e uma maior probabilidade de mortalidade precoce. 

Uma pesquisa realizada para a União Europeia sugere que cerca de 14% da população sueca afirma se sentir solitária durante todo o tempo ou em parte dele, um pouco acima da média de outros países europeus. 

Um estudo separado, realizado pela agência estatal de dados Statistics Sweden em 2024, revelou que 8% dos adultos na Suécia não têm um único amigo próximo. No país nórdico, mais de 40% das residências são ocupadas por apenas uma pessoa, e um relatório divulgado em julho pela Agência de Saúde Pública indicou que há níveis mais elevados de solidão entre esse grupo. 

No início deste mês, um projeto separado foi lançado em Piteå, no norte da Suécia, com 20 empresas oferecendo incentivos de bem-estar para que os funcionários participem de atividades culturais em grupo, como concertos e peças de teatro, em um esforço para aumentar o bem-estar e melhorar a inclusão social. 

Entre as barreiras que dificultam as conexões interpessoais no país estão a elevada taxa de desemprego (8,7%), o aumento da desigualdade de renda e o fato de que jovens suecos passam mais tempo em dispositivos digitais do que a média dos 27 países membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Fonte: BBC Brasil 

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