
Na quinta-feira, 10, após nove dias de comemorações com honras militares, uma missa solene foi celebrada na Esplanada de Tasi-Tolu, em Díli, capital de Timor-Leste, por ocasião do encerramento da transladação e do sepultamento dos restos mortais de quatro clérigos da Igreja timorense na Catedral Metropolitana local, e pelo segundo aniversário da visita do Papa Francisco ao país (ocasião que reuniu 600 mil fiéis na missa com o Pontífice).
A Eucaristia foi presidida pelo Cardeal Virgílio do Carmo da Silva, Arcebispo local, e concelebrada por Dom Marcel Šmejkal, Núncio Apostólico no país; Dom Norberto Amaral, Bispo de Maliana; e Dom Leandro Maria Alves, Bispo de Baucau, além de diversos sacerdotes. Autoridades civis também participaram da celebração, como José Ramos-Horta, presidente; Xanana Gusmão, primeiro-ministro; e Mari Alkatiri, ex-primeiro-ministro; além de deputados, altos funcionários do governo, das Forças Armadas e de um grande número de fiéis e religiosas.
Após décadas longe da terra em que exerceram seu ministério, os restos mortais de três antigos líderes da Igreja – Dom Jaime Garcia Goulart (Bispo de Díli entre 1941 e 1967), Dom José Joaquim Ribeiro (Bispo de Díli entre 1967 e 1977) e Padre Martinho da Costa Lopes (Vigário Capitular de Díli de 1978 a 1983) – vieram de Portugal e se juntaram aos de Dom Alberto Ricardo da Silva (Bispo de Díli de 2004 a 2015).
Esses clérigos acompanharam e apoiaram o povo de Timor-Leste em momentos decisivos da história: na tomada de seu território pelos japoneses na Segunda Guerra Mundial, durante o domínio colonial português (finalizado em 1975, com a declaração de independência), na invasão e ocupação indonésia (ocorrida poucos dias depois da independência e que se estendeu por 24 anos), e na luta pela restauração de sua independência e autodeterminação (reconhecida em 2002, após um período sob administração temporária da ONU).

Somada a essa postura clerical em favor dos timorenses, a ação pontifícia também se fez presente: em 1989, durante uma viagem apostólica à Indonésia, São João Paulo II se deslocou a Díli para presidir uma missa para 100 mil pessoas. Ao desembarcar do avião, porém, o Pontífice não beijou o solo como sempre fazia, um gesto interpretado como recusa em validar a soberania indonésia sobre a ilha ocupada.
“Durante os momentos mais sombrios da nossa história e luta, eles se tornaram a voz dos que não têm voz”, disse o Cardeal na homilia. “Eles permaneceram firmes ao lado daqueles que sofreram em meio às dificuldades e à violência da guerra. Tornaram-se pilares de esperança e defensores da dignidade humana e do direito desta terra à autodeter-minação”, afirmou Dom Virgílio.
Os fiéis são convidados a continuar visitando Tasi-Tolu para rezar, participar da missa e prestar homenagem aos quatro líderes da Igreja cujos nomes, disse o Cardeal Virgílio, “estão escritos em nossa história” e cuja memória “continua viva em nossos corações”.
Fontes: Agência Ecclesia, O Diligente e Tatoli (Agência Noticiosa de Timor-Leste)




