Uma mensagem final de proximidade e esperança dos participantes da Assembleia Eclesial ao povo de Deus no continente americano

Trabalhos do evento inédito realizado pela Igreja na América Latina e do Caribe foram concluídos no sábado, 27; encerramento será no domingo, 28, com missa no Santuário de Nossa Senhora de Guadalupe

Uma mensagem final de proximidade e esperança dos participantes da Assembleia Eclesial ao povo de Deus no continente americano, Jornal O São Paulo
Foto: comunicação 1a Assembleia Eclesial

Os participantes da 1a Assembleia Eclesial da América Latina e do Caribe concluíram no sábado, 27, as atividades deste inédito encontro continental, realizado de modo hibrido, desde o domingo, 21, com cerca de cem pessoas presencialmente na Cidade do México e outras mil de modo virtual em diferentes países do continente americano.

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O encerramento oficial da Assembleia Eclesial acontecerá no domingo, 28, às 14h (horário de Brasília), com uma missa no Santuário de Nossa Senhora de Guadalupe, seguida de um momento de consagração à Virgem Maria.

O desejo de reavivar Aparecida 2007

Na mensagem final, dirigida a todas as pessoas do continente americano, os participantes lembraram que Assembleia Eclesial partiu do desejo de “reavivar o espírito da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e Caribenho, realizada em Aparecida 2007, em sintonia com as conferências gerais anteriores e tendo no horizonte o Jubileu Guadalupano de 2031 e o Jubileu da Redenção em 2033”.

Os participantes afirmam que Jesus Cristo os fez que se reconhecessem discípulos e missionários de seu Reino, “enviados a comunicar por transbordamento de alegria a felicidade do encontro com Ele, para que todos tenhamos Nele vida plena (cf. DAp 14)”.

Desse modo, prossegue a mensagem, Jesus lhes acompanhou na tarefa de “repensar e relançar a missão evangelizadora nas novas circunstâncias latino-americanas e caribenhas; tarefa que nos tem comprometido em um caminho de conversão decididamente missionário, para submeter tudo ao serviço da instauração do Reino da vida (cf. DAp, 366); propósito em que avançamos e que requer maior responsabilidade pastoral”.

Experiência de sinodalidade

Os participantes escrevem também que ao longo da 1a Assembleia Eclesial viveram “uma verdadeira experiência de sinodalidade, na escuta mútua e no discernimento comunitário do que o Espírito quer dizer à sua Igreja. Temos caminhado juntos, reconhecendo nossa poliédrica diversidade, mas sobretudo aquilo que nos une, e no diálogo nosso coração de discípulos se tem voltado para as realidades que vive o continente, suas dores e esperanças. Constatamos e denunciamos a dor dos mais pobres e vulneráveis que sofrem o flagelo da miséria e das injustiças”.

A mensagem recorda ainda a destruição da casa comum e a cultura do descarte que tem afetado especialmente as mulheres, migrantes e refugiados, anciãos, povos originários e afrodescendentes. Se aponta, ainda, que os impactos da pandemia têm intensificado as desigualdades sociais.

Que todos sejam valorizados

Em outro trecho da carta, há o lamento pelo clericalismo e autoritarismo nas relações, que impacta na exclusão dos leigos, em especial das mulheres, nas instâncias de discernimento e de decisão da Igreja, o que se apresenta como um obstáculo para a sinodalidade.

“Preocupa-nos, também, a falta de profetismo e solidariedade efetiva com os mais pobres e vulneráveis. Por outro lado, nos enche de esperança a presença dos sinais do Reino de Deus que levam por caminhos novos para a escuta e o discernimento. O caminho sinodal é um significativo espaço de encontro e de abertura para a transformação das estruturas eclesiais e sociais que permitam renovar o impulso missionário e a proximidade com os mais pobres e excluídos”.

Para novos caminhos missionários

Ainda na mensagem, se afirma que “esta Assembleia é um kairós, um tempo propício para a escuta e o discernimento que nos conecta de forma renovada com as orientações pastorais de Aparecida e o magistério do Papa Francisco e nos impulsiona a abrir novos caminhos missionários para as periferias geográficas e existenciais e lugares próprios de uma Igreja em saída”.

Muitos desafios e orientações pastorais são mencionados na mensagem, os quais também foram apresentados em uma lista de 12 tópicos (veja a lista ao fim da reportagem).

A Igreja é sinodal

Na parte final da mensagem, é lembrado que “a Igreja é sinodal em si mesma, a sinodalidade pertence à sua essência, assim, não é uma moda passageira ou um lema vazio. Com a sinodalidade, estamos aprendendo a caminhar juntos com Igreja povo de Deus, envolvendo a todos sem exclusão na tarefa de comunicar a todos a alegria do Evangelho, como discípulos missionários em saída”.

Também é apontando que o transbordar da força criativa do Espírito Santo a todos convida para seguir discernindo e impulsionando os frutos da inédita Assembleia Eclesial, para um processo de conversão missionária e sinodal.

Por fim, os participantes recorrem à intercessão da Virgem de Guadalupe “para que, com valentia e criatividade, cheguemos a ser uma Igreja em saída, sinodal e missionária que o Senhor espera de nós, porque todos somos discípulos e missionários em saída”.

12 DESAFIOS PASTORAIS
 
Também foram apresentados 12 desafios pastorais ao final da 1a Assembleia Eclesial da América Latina e do Caribe:
 
1 – Reconhecer e valorizar o protagonismo dos jovens na comunidade eclesial e na sociedade como agentes de transformação
 
2 – Acompanhar as vítimas das injustiças sociais e eclesiais com processos de reconhecimento e reparação
 
3 – Impulsionar a participação ativa das mulheres nos ministérios, nas instâncias de governo, de discernimento e decisão eclesial
 
4 – Promover e defender a dignidade da vida e da pessoa humana desde sua concepção até a morte natural
 
5 – Incrementar a formação voltada para a sinodalidade a fim de erradicar o clericalismo
 
6 – Promover a participação dos leigos nos espaços de transformação cultural, política, social e eclesial
 
7 – Escutar o clamor dos pobres, excluídos e descartados
 
8 – Reformar os itinerários formativos dos seminários, incluindo temáticas como ecologia integral, povos originários, inculturação e interculturalidade e pensamento social da Igreja
 
9 – Renovar, à luz da Palavra de Deus e do Vaticano II, nosso conceito e experiência de Igreja povo de Deus, em comunhão com a riqueza de sua ministerialidade, para que se evite o clericalismo e se favoreça a conversão pastoral
 
10 – Reafirmar e dar prioridade a uma ecologia integral em nossas comunidades, a partir dos quatro sonhos de Querida Amazonia
 
11 – Propiciar o encontro pessoal com Jesus Cristo encarnado na realidade do continente
 
12 – Acompanhar os povos originários e afrodescendentes na defesa da vida, da terra e das culturas.

Fonte: Celam

* Tradução livre a partir do original em Espanhol

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