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A história do dogma da Assunção

Em 1º de novembro de 1950, numa Praça São Pedro com 700 mil fiéis, 600 cardeais, arcebispos e bispos, proclamou solenemente o Dogma da Assunção de Nossa Senhora

A história do dogma da Assunção

A Assunção de Nossa Senhora é comemorada em 15 de agosto. No Brasil, a solenidade é celebrada no domingo seguinte à data, que, neste ano, ocorre em 16 de agosto.

A devoção à Assunção de Maria é muito importante na história da Arquidiocese de São Paulo. A paróquia da Catedral Metropolitana, erigida em 1591, é dedicada a Nossa Senhora da Assunção. A Basílica do Mosteiro de São Bento, no centro da cidade,  tem o nome de Nossa Senhora da Assunção desde 1720.

As datas da dedicação da paróquia da Catedral e da Basílica do Mosteiro de São Bento revelam que, apesar de proclamado apenas em 1950 por Pio XII, na constituição apostólica Munificentissimus Deus, o dogma da Assunção de Nossa Senhora sempre foi crido pela Igreja como verdade revelada e a devoção a ela sempre foi ampla em todo o povo cristão.

A história do dogma

No século VI, teólogos, baseados em tradição que remonta ao primeiro século, defendiam que Nossa Senhora foi assunta aos céus em corpo e alma. São Gregório de Tours, São João Damasceno, São Germano de Constantinopla e São Modesto de Jerusalém afirmavam, com clareza, que o corpo de Nossa Senhora não poderia sofrer a corrupção.

“Convinha que aquela que no parto manteve ilibada virgindade conservasse o corpo incorrupto mesmo depois da morte. Convinha que aquela que trouxe no seio o Criador encarnado, habitasse entre os divinos tabernáculos. Convinha que morasse no tálamo celestial aquela que o Eterno Pai desposara. Convinha que aquela que viu o seu Filho na cruz, com o coração traspassado por uma espada de dor de que tinha sido imune no parto, contemplasse assentada à direita do Pai. Convinha que a Mãe de Deus possuísse o que era do Filho, e que fosse venerada por todas as criaturas como Mãe e Serva do mesmo Deus”, escreveu São João Damasceno.

A fé na Assunção de Nossa Senhora, expressa pela teologia, era manifestada pelos fiéis em festas litúrgicas que remontam ao século IV.

No período da filosofia escolástica, a partir do século XI, os teólogos expandiram sua reflexão sobre o significado da Assunção de Nossa Senhora. São Alberto Magno e São Tomás de Aquino são dois nomes que reiteravam a fé da Igreja na Assunção de Nossa Senhora em corpo e alma ao céu.

A teologia pós-escolástica também confirmava a Assunção de Maria como verdade de fé. São Roberto Belarmino perguntava: “Quem há, pergunto, que possa pensar que a arca da santidade, o domicílio do Verbo, o templo do Espírito Santo tenha caído em ruínas? Horroriza-se o espírito só em pensar que aquela carne que gerou, deu à luz, alimentou e transportou Deus, se tivesse convertido em cinza ou fosse alimento dos vermes”.

São Francisco de Sales, São Afonso Maria de Ligório e São Bernardino de Siena também foram grandes defensores do dogma.

Diante de todo o testemunho da fé da Igreja, Pio XII, em 1º de novembro de 1950, numa Praça São Pedro com 700 mil fiéis, 600 cardeais, arcebispos e bispos, proclamou solenemente o Dogma da Assunção de Nossa Senhora, com a seguinte formulação: “Pronunciamos, declaramos e definimos ser dogma divinamente revelado que a imaculada Mãe de Deus, a sempre Virgem Maria, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celestial”.

Testemunho dos Papas mais recentes

Após a declaração do dogma, os Papas, de São João XXIII a Francisco, viam na Assunção de Nossa Senhora, principalmente, um sinal claro da esperança que todos devem ter de, um dia, participar da glória do céu em corpo e alma, como Maria.

São Paulo VI, durante o Angelus do dia 15 de agosto de 1970, afirmou que a festa da Assunção “nos permite contemplar a realidade da nossa vida presente. Hoje podemos ver qual é a sorte que nos é destinada no desígnio da salvação. Podemos entrever o valor da nossa existência, a felicidade da nossa existência, a felicidade da nossa vocação cristã, a importância da nossa vida terrena, a exigência moral que a governa e o desígnio típico no qual ela se deve modelar”.

Em 2003, no Angelus em 15 de agosto, São João Paulo II convidou-nos a olhar para Maria “como sinal de esperança certa.De fato, em Maria cumprem-se as promessas feitas por Deus aos humildes e aos justos:o mal e a morte nunca terão a última palavra”.

Bento XVI, em homilia no dia da solenidade, em 2012, divisava na glorificação de Nossa Senhora uma via de mão dupla: a Assunção revela que há espaço em Deus para o homem e espaço no homem para Deus. Quando Maria é elevada aos céus, Deus Se revela como “a casa de muitos aposentos da qual Jesus fala”, pronta para receber os homens. Por outro lado, a vida de Nossa Senhora mostra que o homem deve receber Deus em seu coração: “em Deus não existe espaço unicamente para o homem; no homem há espaço para Deus. Também isto vemos em Maria, a Arca Santa que traz em si a presença de Deus”.

No Angelus do dia 15 de agosto do ano passado, o Papa Francisco salientou a importância de se buscar, a partir da Assunção, as “coisas grandes” e de não “se perder em muitas pequenezas da vida”. “Vocês são preciosos aos olhos de Deus; não são feitos para os pequenos prazeres do mundo, mas para as grandes alegrias do céu”, afirmou o Papa.

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