Em cidades da Amazônia, a Igreja estende a mão aos que mais sofrem durante a pandemia

Em cidades da Amazônia, a Igreja estende a mão aos que mais sofrem durante a pandemia
Doações são entregues à população de comunidades ribeirinhas na Diocese do Alto Solimões (foto: Paróquia São Paulo Apóstolo)

Doação de alimentos, produtos de higiene e respiradores, além da disponibilidade em ouvir as angústias dos que sofrem com a pandemia, são algumas das muitas iniciativas da Igreja Católica em pequenas cidades da Amazônia.

No começo de fevereiro, por exemplo, a Diocese de Coari, no Amazonas, repassou ao Hospital Regional dois concentradores de oxigênio e três Bipabs (dispositivos para exercícios pulmonares, indispensáveis para a recuperação dos pacientes com COVID-19). Os aparelhos foram obtidos a partir de doações do Papa Francisco e das campanhas de solidariedade promovidas pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), do Regional Norte 1 e da Arquidiocese de Manaus.

A cidade de Coari fica a 362km de Manaus, capital do estado, e em sua área de abrangência foram notificados 23 mil casos da doença, com 541 mortes, conforme dados compilados pela Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam), no começo de março.

ALTO SOLIMÕES

Também no Amazonas, as oito paróquias da Diocese do Alto Solimões têm se mobilizado desde o início da pandemia para ajudar as comunidades locais, compostas majoritariamente por indígenas. Na área de abrangência da Diocese, foram registrados até o fim de fevereiro 115 casos de COVID-19, com 313 óbitos.

Há cinco anos, Padre Marcelo Gualberto Monteiro, 39, é Pároco da Paróquia São Paulo Apóstolo, cuja igreja matriz fica na cidade de São Paulo de Olivença, com ação pastoral que se estende por 72 comunidades ribeirinhas, às margens do rio Solimões.

Em cidades da Amazônia, a Igreja estende a mão aos que mais sofrem durante a pandemia
Famílias retiram doações na Paróquia São Paulo Apóstolo, na cidade de São Paulo de Olivença (AM)

O Sacerdote, missionário enviado pela Diocese de Uruaçu, em Goiás, afirmou ao O SÃO PAULO que a “segunda onda” da doença parece ser mais forte que a primeira, de março do ano passado, quando as igrejas ficaram fechadas por quase cem dias.

“Tivemos um início de ano muito tumultuado com os casos de contaminação. Foram praticamente 40 dias, até o fim de fevereiro, com um colapso na saúde. Aqui em São Paulo de Olivença, temos apenas um hospital municipal. Em 2020, uma nova ala foi construída, com capacidade para 20 pacientes, mas em janeiro chegou a ter 32. Foram várias mortes nesses dois meses. Agora, porém, observamos uma diminuição dos casos, mas no auge sofremos bastante”, relatou.

Diante da urgência da comunidade local, que fica a quase mil quilômetros de Manaus, a comunidade paroquial, com o apoio da Diocese, da Cáritas, da CNBB e do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), se mobilizou para conseguir a doação de 20 cilindros de oxigênio, uma miniusina de produção de oxigênio industrial, Equipamentos de Proteção Individual para os profissionais da linha de frente de enfrentamento da doença, e alimentos para as famílias carentes.

“Durante todo o ano de 2020, obtivemos recursos para 1.375 cestas básicas e kits de higiene para as famílias. Na Paróquia, não temos muitos recursos, mas partilhamos. De abril a junho do ano passado, destinamos quase a metade do dízimo para ajudar as famílias”, recordou Padre Marcelo.

Na Diocese, a atenção pastoral e solidária à população também é viabilizada por congregações religiosas e comunidades de vida, como a Aliança de Misericórdia. No dia 13, por exemplo, chegaram a São Paulo de Olivença a Irmã Marilde Inês, da Congregação das Franciscanas de Cristo Rei, e a Irmã Lucisnei Rojas, da Congregação das Irmãzinhas da Imaculada, que lá permanecerão por três meses. 

NA DIOCESE DE ÓBIDOS

Na Diocese de Óbidos, no Pará, a Igreja também tem estendido a mão a quem mais precisa. A Paróquia São Sebastião, por exemplo, no município de Juriti, a 847km da capital do estado, Belém, já entregou cestas básicas com alimentos e itens de higiene a mais de 600 famílias desde o começo da pandemia.

Em cidades da Amazônia, a Igreja estende a mão aos que mais sofrem durante a pandemia
Doações destinada a população do município de Juriti, no Pará (foto: Diocese de Óbidos)

A Diocese também participa do projeto Aliança da Solidariedade, voltado para a arrecadação de alimentos e itens de higiene e limpeza na cidade de Óbidos, distante 783km de Belém. Outra iniciativa é o plantão da Pastoral da Escuta, pelo qual, via WhatsApp, pessoas devidamente treinadas acolhem os relatos de solidão, tristeza e angústia da população.

Religiosos também atuam no combate à pandemia. Na Santa Casa de Óbidos, estão os frades da Associação e Fraternidade São Francisco de Assis na Providência de Deus, que também é a responsável pelo Barco-Navio Papa Francisco, que atende mais de mil comunidades ribeirinhas na Amazônia.

Na área da Diocese de Óbidos, já houve quase 19 mil casos de COVID-19, com 369 mortes até o fim de fevereiro.

(Com informações da Repam, Dioceses de Óbidos e de Coari e CNBB)

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