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Entrevistas com os candidatos a prefeito – Guilherme Boulos (PSOL)

‘Além de restaurar a dignidade das pessoas, vamos reaquecer a economia local’

Entrevistas com os candidatos a prefeito – Guilherme Boulos (PSOL)
Foto: Assessoria de imprensa do candidato

O filósofo Guilherme Boulos, 38, coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) e candidato do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) à Prefeitura de São Paulo, é o quinto entrevistado na série do O SÃO PAULO com os seis mais bem colocados na pesquisa Exame/Ideia, de 23 de setembro, que serviu de parâmetro para convidá-los às entrevistas. Andrea Matarazzo, Bruno Covas, Jilmar Tatto e Márcio França já apresentaram suas propostas em edições anteriores. São esperadas para a próxima semana as respostas de Celso Russomanno.

O SÃO PAULO – No entender do senhor, quais são os principais problemas da cidade e como pretende resolvê-los?

Guilherme Boulos – São Paulo está abandonada. Somos a terceira cidade do mundo em que houve mais mortes por coronavírus, o desemprego só aumenta, assim como a pobreza, a fome e a desigualdade. Não dá para aceitar que na cidade mais rica da América Latina tenha gente sem teto, sem acesso à alimentação, na miséria. Não dá para aceitar que, com um dos maiores orçamentos do País, se diga que não tem dinheiro para investir na saúde, educação e cultura. Eu e a Luiza Erundina [sua candidata a vice-prefeita] somos diferentes porque não temos rabo preso, estamos na política porque nossa missão de vida é lutar junto do povo. 

Nossa primeira medida será instituir o programa Renda Solidária, que dará um auxílio mensal de até R$ 400 para 1 milhão de famílias que vivem com até meio salário mínimo na cidade. Assim, além de restaurar a dignidade das pessoas, vamos reaquecer a economia local.

A atual pandemia mostrou as dificuldades das famílias mais pobres em manter o isolamento social em casas pequenas e comunidades com grande adensamento populacional. Diante disso, quais os planos do senhor para a área da Habitação?

Vamos retomar os mutirões feitos por Luiza Erundina, que em sua gestão fez casa para 150 mil pessoas. Além disso, vamos requalificar imóveis abandonados e ociosos, sobretudo na região central. Não dá para deixar que o Centro de São Paulo, repleto de infraestrutura e equipamentos públicos, esteja abandonado e subutilizado quando tanta gente ainda não tem um teto e mora em locais inadequados. Vamos ter um amplo processo de regularização fundiária, associado à urbanização dos bairros periféricos. Isso vai ser feito por meio de frentes de trabalho com contratação de mão de obra local.

Como planeja recuperar os meses que os estudantes não puderam ir à escola em 2020? Como agirá para sanar o déficit de vagas em creches e na pré-escola?

O déficit de vagas no ensino infantil é mais um retrato do jeito PSDB de governar. Agora, o prefeito aproveitou a pandemia para falar que zerou a fila das creches com vagas fantasmas. Nós vamos resolver de forma definitiva esse problema crônico, convocando professores e funcionários já concursados e construindo os equipamentos necessários. Até lá, faremos convênios com muita transparência e fiscalização, porque creche não é depósito de criança. Sobre os meses perdidos na pandemia, nós vamos conversar com a comunidade escolar para traçar um plano em conjunto que atenda às demandas dos estudantes, pais e professores. 

Na área da Saúde, quais serão as prioridades de sua gestão?

Hoje, como resultado da política desastrosa de Doria e Covas, a saúde municipal está no abandono. Temos menos médicos na rede municipal e uma fila de espera enorme para exames e consultas. A Prefeitura, em plena pandemia, preferiu investir em hospitais de campanha, que já foram desmontados, a investir em hospitais municipais fechados ou parcialmente abertos. Nós vamos contratar médicos para trabalhar exclusivamente na rede municipal da periferia, vamos reabrir os hospitais que não estão funcionando e garantir um teto máximo de espera para exames e procedimentos de acordo com a urgência. 

O senhor tem algum plano para a geração de empregos na cidade?

Enquanto Doria e Covas falaram que salvariam vidas, Bolsonaro disse que salvaria a economia. Não salvaram nem vidas nem os empregos. Nós vamos criar frentes de trabalho para serviços de zeladoria em toda a cidade, empregando, sobretudo, pessoas que moram nas próprias regiões e estão sem emprego ou renda. Também vamos garantir uma ampla renegociação e isenção temporária de impostos e taxas para os pequenos comerciantes.

Mas, além disso, para reaquecer a economia, é preciso ter dinheiro rodando. É por isso que vamos criar o Renda Solidária, um programa de auxílio mensal de até R$ 400 para até 1 milhão de famílias. Dinheiro que vai tirar muita gente da miséria e vai ser gasto pelo povo em supermercados, farmácias, açougues.

A capital paulista tem ao menos 24 mil pessoas em situação de rua, conforme dados da Prefeitura. Como pretende agir diante dessa realidade?

Essa é uma das minhas principais preocupações. Não consigo aceitar que tenha gente morando embaixo da ponte na cidade mais rica do Brasil. Hoje, os albergues para a população em situação de rua estão completamente sucateados com pulgas e percevejos nos colchões, banheiros entupidos. Além da falta de infraestrutura, separam as famílias, não existe espaço para os animais e para guardar instrumentos de trabalho. 

Nós nos comprometemos a zerar o número de pessoas morando nas ruas. Vamos construir as casas solidárias que atendam a população em situação de rua, integradas à política de geração de trabalho e renda e de assistência social, ampliando o atendimento a jovens, mulheres e famílias.

Qual apoio a Prefeitura ofertará às vítimas de abuso sexual que resultem em gravidez, a fim de que evitem recorrer ao aborto?

De acordo com a legislação brasileira, o aborto é permitido em casos de estupro. Em primeiro lugar, nosso compromisso é com as vítimas dessa situação tão trágica, porém recorrente em nossa sociedade. Vamos respeitar o direito de escolha da mulher. 

NOTA EDITORIAL
De acordo com o Código Penal Brasileiro, o aborto induzido é crime, e quem o pratica só não é punido quando houver comprovado risco para a vida da gestante, a gravidez for resultante de estupro ou em caso de feto anencéfalo. O aborto é condenado pelo Magistério da Igreja Católica Apostólica Romana e pelos papas ao longo da História, e também na Bíblia se ressalta que a vida humana é sagrada, um dom divino, desde a concepção.

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Comentários

  1. Ótimo artigo! Considera-se aborto a interrupção do processo gestacional antes que a vida fora do útero seja biologicamente viável, antes do desenvolvimento completo ou ao menos viável, do nascituro, resultando, por consequência na morte deste. No Brasil, o aborto provocado é crime, com penas previstas de 1 a 3 anos de detenção para a gestante, e de 1 a 4 anos de reclusão para o médico ou qualquer outra pessoa que realize em outra pessoa o procedimento de retirada do feto.

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