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O primeiro jornalista a ser beatificado

JOÃO FOUTO

Manuel Lozano Garrido, incansável autor do meio jornalístico, nasceu há cem anos, em agosto de 1920

No domingo, 9, cumpriram-se 100 anos do nascimento de Manuel Lozano Garrido, apelidado “Lolo” e beatificado em 2010 por Bento XVI.

Lolo foi um incansável autor do meio jornalístico, que passou a maior parte de sua carreira em uma cadeira de rodas, por conta de uma séria doença, tendo ficado cego nos últimos 9 anos de vida.

O primeiro jornalista a ser beatificado

Sua vida não foi fácil. Ele nasceu na Espanha, em 9 de agosto de 1920. Quando ainda era jovem, perdeu seu pai, o qual deixou sua mãe sozinha com a responsabilidade de criar sete filhos. Com 15 anos, também sua mãe faleceu. Lolo encontrou forças em sua fé, especialmente na Eucaristia. Cheio de energia e iniciativas, ingressou na Ação Católica.

Com 22 anos, foi acometido por uma doença degenerativa. A dor constante causada por ela, no entanto, não extinguiu sua curiosidade e amor pela escrita. Aqueles que o conheciam diziam que ele nunca reclamava. As portas de sua casa estavam sempre abertas a todos. Quando não pôde mais escrever com uma mão, passou a usar a outra. Quando a caneta passou a cair muitas vezes de sua mão, ele começou a prendê-la ao pulso. Mais tarde, passou para a máquina de escrever, a qual ainda conseguia utilizar, pois conservava alguma mobilidade em seus dedos.

O Papa Francisco, em homilia, falou sobre Lolo: “apesar da doença que o obrigou a passar 28 anos em uma cadeira de rodas, ele não deixou de amar sua profissão. Em seu ‘Decálogo dos Jornalistas’, recomenda ‘pagar com a moeda da franqueza’, ‘trabalhar o pão da informação limpa com o sal do estilo e do fermento da eternidade’, e ‘não servir doces ou pratos apimentados, mas o bom pedaço da vida limpa e esperançosa’. Ele é verdadeiramente um bom exemplo a seguir”.

Para Lolo, o jornalismo tinha de ser nobre, limpo e doador de esperança. Ele trabalhou alegremente todos os dias de sua vida, até morrer, por conta de sua doença, em 3 de novembro de 1971, com apenas 51 anos.

Deixou para trás dúzias de estudos, livros e artigos sobre os mais variados temas (mineração, urbanismo, educação, agricultura etc.). Ele também fundou os grupos Sinaí, destinados a rezar pelos canais de imprensa. Cada grupo contava com 12 doentes e um convento de clausura que se comprometiam a interceder. Lolo chegou a reunir 300 doentes incuráveis, os quais encorajava através de uma revista mensal por ele redigida.

Atraía para sua casa pessoas de todos os tipos, mas sobretudo os jovens. Tinha por eles uma sensibilidade especial.

Eis o testemunho de um daqueles jovens sobre ele: “afetuoso, sorridente…, interessou-se pela minha vida, pela minha família, pelos meus projetos, pelo meu trabalho…; fui sincero com ele e contei-lhe toda a minha vida e as minhas preocupações; e falou-me de um Deus Pai que compreende e perdoa; falou-me da necessidade de dar testemunho cristão, do indispensável que é o amor pelos outros… e eu, cada vez que o visitava, ia-me sentindo mais alegre, encontrando a felicidade que eu procurava”.

Em um Angelus, após a beatificação de Lolo, o Papa Bento XVI disse a seu respeito: foi um “fiel leigo que soube irradiar com seu exemplo e seus escritos o amor a Deus, inclusive entre as doenças que o tiveram sujeitado a uma cadeira de rodas durante quase vinte e oito anos. Ao final de sua vida, perdeu também a vista, mas seguiu ganhando os corações para Cristo com sua alegria serena e sua fé inquebrável. Os jornalistas poderão encontrar nele um testemunho eloquente do bem que pode ser feito quando a pluma reflete a grandeza da alma e fica ao serviço da verdade e das causas nobres”.

Lolo foi o primeiro jornalista a ser beatificado.

Fonte: Rome Reports, ACI digital, Fundação Beato Manueal Lozano Garrido

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