Papa destaca São Pedro e São Paulo como exemplos da unidade e da profecia na Igreja

Papa destaca São Pedro e São Paulo como exemplos da unidade e da profecia na Igreja
Papa reza diante da imagem de São Pedro (Fotos: Vatican News)

O Papa Francisco presidiu, na Basílica de São Pedro, no Vaticano, a missa da Solenidade de São Pedro e São Paulo, na manhã desta segunda-feira, 29.

A Eucaristia foi celebrada no altar da Cátedra de São Pedro, com a participação de um grupo de cerca de 90 fiéis, devido à pandemia de COVID-19.

Como acontece todos os anos, nesta celebração o pontífice abençoa os pálios, paramentos litúrgicos  de lã, que serão enviados aos arcebispos metropolitanos nomeados no decorrer do último ano.

Dentre os que irão receber o pálio, estão os brasileiros: Cardeal Sergio da Rocha, Arcebispo de Salvador da Bahia; Dom Josafá Menezes da Silva, Arcebispo de Vitória da Conquista (BA); Dom Irineu Roman, arcebispo de Santarém; e Dom Leonardo Ulrich Steiner, Arcebispo de Manaus (AM).

UNIDADE

Na homilia, Francisco partiu da familiaridade que unia Pedro e Paulo, “duas pessoas muito diferentes, mas sentiam-se irmãos, como numa família unida onde muitas vezes se discute mas sem deixar de se amarem”, uma familiaridade que “não provinha de inclinações naturais, mas do Senhor. Ele não nos mandou agradar, mas amar. É Ele que nos une, sem nos uniformizar. Nos une nas diferenças.”

Em meio a perseguições, os primeiros cristãos não pensam em fugir ou salvar a própria pele, “mas todos rezam juntos” – recordou o Papa – enfatizando que “a unidade é um princípio que se ativa com a oração, porque a oração permite ao Espírito Santo intervir, abrir à esperança, encurtar as distâncias, manter-nos juntos nas dificuldades.”

ORAÇÃO

O Pontífice observou que “naqueles momentos dramáticos, ninguém se lamenta do mal, das perseguições”, pois “é inútil, e até chato, que os cristãos percam tempo se lamentando do mundo, da sociedade, daquilo que está errado. As lamentações não mudam nada. Recordemo-nos de que as lamentações são a segunda porta fechada para o Espírito Santo, como disse  a vocês no dia de Pentecostes: a primeira é o narcisismo, a segunda o desânimo, a terceira o pessimismo. O narcisismo te leva ao espelho, para se olhar continuamente; desânimo, às lamentações. O pessimismo, ao escuro, à escuridão. Essas três atitudes fecham a porta do Espírito Santo.” Aqueles cristãos, ao contrário, rezavam:

“Hoje, podemos interrogar-nos: ‘Guardamos a nossa unidade com a oração, a nossa unidade da Igreja? Rezamos uns pelos outros?’ Que aconteceria se se rezasse mais e murmurasse menos? Aquilo que aconteceu a Pedro na prisão: como então, muitas portas que separam, abrir-se-iam; muitas algemas que imobilizam, cairiam. Peçamos a graça de saber rezar uns pelos outros.”

São Paulo – completou o Santo Padre – exortava os cristãos a rezar por todos, mas em primeiro lugar por quem governa:

“‘Mas este governante é …’, e os qualificadores são muitos: eu não os direi, porque este não é o momento nem o lugar para dizer os qualificadores que são ouvidos contra os governantes. Mas, que Deus os julgue: mas rezemos pelos governantes. Vamos rezar. Eles precisam de oração.  É uma tarefa que o Senhor nos confia. Temo-la cumprido? Ou limitamo-nos a falar, insultar e basta? Quando rezamos, Deus espera que nos lembremos também de quem não pensa como nós, de quem nos bateu a porta na cara, das pessoas a quem nos custa perdoar. Só a oração desata as algemas, só a oração deixa livre o caminho para a unidade.”

PEDRO E ANDRÉ

O Pontífice recorda que o pálio abençoado neste dia “recorda a unidade entre as ovelhas e o Pastor que, como Jesus, carrega a ovelha nos ombros e nunca mais a larga”. Ao mesmo tempo, fala da bela tradição deste dia em que “unimo-nos de maneira especial ao Patriarcado Ecumênico de Constantinopla:

“Pedro e André eram irmãos; e entre nós, quando é possível, trocamos uma visita fraterna nas respetivas festas; não tanto por gentileza, mas para caminhar juntos rumo à meta que o Senhor nos indica: a unidade plena. Hoje, eles não conseguiram vir por causa do coronavírus, mas quando desci para venerar os restos mortais de Pedro, sentia no coração ao meu lado meu amado irmão Bartolomeu. Eles estão aqui, conosco”.

Papa destaca São Pedro e São Paulo como exemplos da unidade e da profecia na Igreja
Pontífice reza diante dos restos mortais de São Pedro, na cripta da Basílica Vaticana

VERDADEIRA PROFECIA

Depois da unidade, o Santo Padre falou de uma segunda palavra: profecia. Com perguntas provocatórias, Jesus faz Pedro entender que “não Lhe interessam as opiniões gerais, mas a opção pessoal de O seguir”, e a Saulo, o abala interiormente, fazendo-o cair por terra no caminho para Damasco, derrubando “sua presunção de homem religioso e bom”. Então, vem as profecias: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja” (Mt 16, 18); e a Paulo: “É instrumento da minha escolha, para levar o meu nome perante os pagãos” (At 9, 15).

“Assim, a profecia nasce quando nos deixamos provocar por Deus: não quando gerimos a própria tranquilidade, mantendo tudo sob controle.  Não nasce de meus pensamentos, não nasce de meu coração fechado. Nasce se nós nos deixamos provocar por Deus. Quando o Evangelho inverte as certezas, brota a profecia. Só quem se abre às surpresas de Deus é que se torna profeta”, completou o Pontífice.

E isso, pode ser visto em Pedro e Paulo, “profetas que enxergam mais além: Pedro é o primeiro a proclamar que Jesus é ‘o Messias, o Filho de Deus vivo’; Paulo antecipa a conclusão da sua vida: ‘Já me aguarda a merecida coroa, que me entregará, naquele dia, o Senhor’:

“Hoje precisamos de profecia, mas de verdadeira profecia: não discursos que prometem o impossível, mas testemunhos de que o Evangelho é possível. Não são necessárias manifestações miraculosas. Me dói quando ouço ‘mas, queremos uma Igreja profética’… Bem. O que fazes para que a Igreja seja profética? Queremos a profecia… é preciso vidas que manifestam o milagre do amor de Deus. Não potência, mas coerência; não palavras, mas oração; não proclamações, mas serviço. Queres uma Igreja profética? Comece a servir, fique calado. Não teoria, mas testemunho”, enfatizou Francisco.

‘ENAMORADOS DE DEUS’

Por fim, o Papa sublinhou que foi como “enamorados de Deus” que Pedro e Paulo anunciaram Jesus. “Pedro, antes de ser colocado na cruz, não pensa em si mesmo, mas no seu Senhor e, considerando-se indigno de morrer como Ele, pede para ser crucificado de cabeça para baixo. Paulo está para ser decapitado e pensa só em dar a vida, escrevendo que quer ser ‘oferecido como sacrifício’. Esta é a profecia. Não palavras. E esta é profecia, a profecia que muda a história”, afirmou.

“Também para nós existe uma profecia, descrita no Livro do Apocalipse, ‘quando Jesus promete às suas testemunhas fiéis uma pedra branca, na qual estará gravado um novo nome’. E assim, como o Senhor transformou Simão em Pedro, assim chama a cada um para fazer de nós pedras vivas, com as quais construir uma Igreja e uma humanidade renovadas. Há sempre quem destrua a unidade e quem apague a profecia, mas o Senhor acredita em nós e pede-te: ‘Tu, tu, tu, tu: queres ser construtor de unidade? Queres ser profeta do meu céu na terra?’  Irmãos e irmãs, deixemo-nos provocar por Jesus e ganhemos a coragem de Lhe dizer: ‘Sim, quero!’”, concluiu o Pontífice.

(Com informações de Vatican News)

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