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Paulistanos festejam Nossa Senhora da Penha

Paulistanos festejam Nossa Senhora da Penha

Nesta terça-feira, 8, festa litúrgica da Natividade da Virgem Maria, comemora-se o dia de Nossa Senhora da Penha, uma das devoções marianas mais antigas da cidade de São Paulo.

Para marcar a festa, na segunda-feira, 7, aconteceu uma carreata com a imagem da padroeira que partiu da Catedral da Sé em direção à Basílica de Nossa Senhora da Penha, na Diocese de São Miguel Paulista, zona leste de São Paulo.

A carreata recorda um costume dos séculos XVIII e XIX, quando a imagem de Nossa Senhora da Penha, que é uma das padroeiras do município de São Paulo, era transladada ao centro para que os fiéis pedissem sua intercessão pelo fim de epidemias e secas na cidade.

“Nós queremos recomendar à Nossa Senhora da Penha a cidade de São Paulo, pelo fim da pandemia [de COVID-19], a cura dos doentes e pela superação desse tempo de aflições que estamos vivendo”, pediu o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano de São Paulo, ao abençoar o início da carreata. Dom Odilo também confiou a intercessão da Virgem da Penha o Brasil “para que volte a ser um país alegre e pacífico”.

Seguida de automóveis antigos, a imagem da padroeira foi conduzida pelas avenidas Rangel Pestana e Celso Garcia caminho percorrido, no passado, por inúmeros devotos que peregrinavam em direção ao santuário construído no século XVII na colina onde hoje está localizado o bairro da Penha.

Paulistanos festejam Nossa Senhora da Penha
Dom Odilo abençoa a Carreata (Foto: Padre Luiz Baronto)

DEVOÇÃO

De acordo com o padre dominicano Alberto Colunga, em sua obra “Nuestra Señora de Peña de Francia”, a devoção a Nossa Senhora da Penha tem sua origem, segundo uma antiga tradição, com um sonho que teve um peregrino francês, de nome Simão, recolhido em um convento franciscano na aldeia de Puy quando estava a caminho do Santuário de Santiago de Compostela. No sonho, o peregrino teve a visão de uma imagem de Nossa Senhora, a qual lhe apareceu no alto de um monte. Simão ouvia uma voz que o convidava a encontrar a imagem e lhe dizia: “Simão, vela e não durmas”.

Simão peregrinou por cinco anos até que, em 19 de maio de 1434, no alto de uma montanha chamada “Penha de França”, na Província de Salamanca, norte da Espanha, encontrou a tão almejada imagem da Mãe de Deus, que tinha sido ali deixada, havia muito tempo, por soldados franceses que lutaram contra os mouros, com Carlos Magno, grande devoto da Virgem.

Neste local, foi construída uma ermida em honra da Virgem da Penha, para onde foram atraídos inúmeros peregrinos, que testemunharam diversas graças e milagres por sua intercessão e onde hoje há um grande santuário.

NO BRASIL

Essa devoção mariana chegou ao Brasil por meio dos portugueses, mais precisamente em Vila Velha, na Capitania do Espírito Santo, onde foi construída uma ermida em honra da Virgem Maria no alto de uma montanha, em 1560. Em seguida, tornou-se conhecida no Rio de Janeiro, onde também há uma Igreja no alto de uma montanha.

O início da devoção a Nossa Senhora da Penha em São Paulo teve início em 1667. Conta uma lenda da piedade popular que um viajante francês a caminho do Rio de Janeiro, pernoitou no alto de uma colina a cerca de 9 km do centro da cidade, levando consigo uma imagem de Nossa Senhora. Na manhã, quando prosseguia a viagem, deu-se conta de que a imagem não estava mais com ele. Retornou e a encontrou no lugar onde havia passado a noite. O episódio se repetiu outras vezes. Então, ele decidiu erguer uma pequena ermida em honra à Nossa Senhora naquele lugar conhecido como Colina Santa.

Já a versão histórica atribui ao Padre Jacinto Nunes Siqueira que havia erguido naquele lugar, em 1668, uma capela para abrigar uma imagem da Virgem da Penha, em agradecimento por ter sido salvo de um acidente no Ribeirão Aricanduva. A partir daí, a devoção se espalhou por toda a cidade.

Paulistanos festejam Nossa Senhora da Penha
Santuário Eucarístico de Nossa Senhora da Penha

SANTUÁRIO EUCARÍSTICO

Em 1682, foi erguida uma nova Igreja maior que, depois de algumas reformas. Construída em estilo colonial simples, em taipa de pilão, o templo serviu de Matriz por muitos anos, sendo elevado à dignidade de Santuário Arquidiocesano pelo primeiro Arcebispo de São Paulo, Dom Duarte Leopoldo e Silva, em 20 de julho de 1909. Desde o seu início, foi um centro de peregrinação e visitação de habitantes da Capital e de outros lugares e de todas as classes sociais.

Em 1934, Padre Oscar Chagas de Azevedo, primeiro vigário (pároco) redentorista brasileiro, iniciou a reforma que deu ao antigo santuário a forma atual, passando a ter o estilo de basílica romana, conservando a fachada original.

Em 1995, Dom Fernando Legal, primeiro Bispo da Diocese de São Miguel Paulista, cujo território foi desmembrado da Arquidiocese de São Paulo em 1989, decretou que o antigo santuário passaria a ser o Santuário Eucarístico Diocesano Nossa Senhora da Penha, local de adoração eucarística perpétua e onde se desenvolve intenso atendimento de confissões, além das celebrações da Missa e dos outros sacramentos.

BASÍLICA

Em 15 de Setembro de 1957, o então Arcebispo de São Paulo, Cardeal Carlos Carmelo de Vasconcelos Motta abençoou a pedra fundamental de uma nova matriz em honra a Nossa Senhora da Penha. Localizada a 200 metros do antigo santuário, essa igreja é popularmente conhecida como “Igreja Nova da Penha”.

Paulistanos festejam Nossa Senhora da Penha
Basílica Nossa Senhora da Penha (Foto: Geolocation WS)

O projeto da igreja era ousado por suas dimensões monumentais: 5.645 metros quadrados, formato de cruz, com 66 metros de comprimento e 56 metros de largura. A nave conta com 24 metros. As torres têm por volta de 60 metros. A cúpula, 30 metros de diâmetro e 40 metros de altura. Pode abrigar até 7 mil pessoas, das quais, cerca de 2 mil sentadas.

Coube ao Padre José Augusto da Costa, missionário redentorista comandar a construção do novo templo, cuja primeira missa foi celebrada no Natal de 1967. O templo foi dedicado em 7 de setembro de 1984 por Dom Angélico Sândalo Bernardino, Bispo Emérito de Blumenau, à época Bispo Auxiliar da Arquidiocese na Antiga Região Episcopal São Miguel.

No dia 7 de junho de 1985, a nova matriz foi elevada à dignidade de Basílica Menor, por São João Paulo II, que na sua Bula Pontifícia lembra a condição de Nossa Senhora da Penha como Padroeira civil da cidade de São Paulo.

Só recentemente a Basílica recebeu seu acabamento e sua pintura interna e externa, teve suas torres concluídas (embora não seguindo o projeto original da construção) e seu presbitério remodelado graças aos esforços da comunidade e dos devotos e à liderança do Monsenhor Carlos de Souza Calazans, pároco por 43 anos, falecido em março deste ano.

Paulistanos festejam Nossa Senhora da Penha
Detalhes do vitral da Basílica de Nossa Senhora da Penha

INTERCESSORA DA CIDADE

Foram inúmeras as ocasiões em que os paulistanos recorreram à intercessão de Nossa Senhora da Penha pela cidade, cuja imagem era traslada para a Catedral ou para a câmara Municipal para pedir sua intercessão pelo fim de epidemias e secas. A imagem dessas transladações foi perpetuada no vitral da Basílica da Penha.  

A tradição das peregrinações da imagem à Sé cessou, por volta de 1876. Contudo, recentemente, em 2015, quando a cidade foi atingida por uma grave crise hídrica, mais uma vez, a imagem de Nossa Senhora da Penha foi transladada para o centro da capital. Nessa ocasião, durante a procissão que a conduziu da Igreja de Nossa Senhora da Consolação até a Catedral Metropolitana, uma chuva regou o centro histórico de São Paulo.

(Com informações da Basílica Nossa Senhora da Penha e Diocese de São Miguel Paulista)

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