Projeto Janelas CASACOR: beleza, sustentabilidade e responsabilidade social

Vitrines estão espalhadas por 13 bairros de São Paulo, sendo quatro delas em comunidades, com uma exposição inclusiva, gratuita, segura

A CASACOR, maior mostra de arquitetura, design de interiores e paisagismo das Américas, promove até dezembro, devido à pandemia de COVID-19, o projeto Janelas CASACOR, com o objetivo de apontar as tendências do novo morar. Por isso, foram colocadas em São Paulo – e em outras dez cidades brasileiras – vitrines montadas em contêineres, estruturas temporárias e reaproveitáveis, para reafirmar a consciência em torno da sustentabilidade e ampliar o compromisso de responsabilidade social.

Desse modo, o evento ganhou as ruas para promover uma exposição inclusiva, gratuita, segura, e, assim, evitar aglomerações e inovar em tecnologia e acessibilidade, pois os ambientes internos poderão ser visitados somente por uma janela virtual: o site janelascasacor.com.br.

Em entrevista ao O SÃO PAULO, Lívia Pedreira, diretora superintendente da CASACOR, explicou que as vitrines estão espalhadas por 13 bairros de São Paulo, sendo quatro delas em comunidades: “Em alguns locais, o projeto tem função social e caráter permanente, ou seja, os contêineres, todos os móveis e demais objetos serão doados para uso comunitário após a mostra. As lideranças serão responsáveis pela gestão e manutenção dos espaços, que ocupam áreas públicas ou cedidas para a realização das atividades”.

“Convidamos os arquitetos para a realização de cada projeto, tendo em vista o perfil deles e o envolvimento que cada um já tinha com essas causas”, explicou Lívia. “Além da questão da sustentabilidade, a CASACOR entende que tem uma responsabilidade social e quer dizer às pessoas que é possível morar bem, gastando pouco. Às vezes, a simples reorganização dos móveis já faz muita diferença em um ambiente”, complementou.

Mais informações sobre os locais em que as vitrines foram instaladas, roteiros para visitação presencial ou virtual, bem como o período da mostra, podem ser obtidos em https://cutt.ly/ZhiLIFS.

COZINHA COMUNITÁRIA

Projeto Janelas CASACOR: beleza, sustentabilidade e responsabilidade social

A comunidade Tiro ao Pombo, na Freguesia do Ó, ganhou uma cozinha comunitária de alimentação saudável no estacionamento do mais conhecido e frequentado sacolão do bairro. Após a exposição, o contêiner com todos os móveis e utensílios será doado à comunidade e no local haverá uma programação de aulas, palestras e outras atividades voltadas à nutrição e culinária. Além da cozinha, o espaço conta com um deck com cobertura de bambu. Rodrigo Mindlin Loeb é o responsável pelo projeto, que conta com o apoio de estudantes da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP.

Endereço: Sacolão Freguesia do Ó – Avenida João Paulo I, 2.107 – Jardim Maracanã

CAIXA DE HISTÓRIAS

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A biblioteca projetada pelo arquiteto Gustavo Martins ganhará uma segunda vida em uma comunidade da cidade, onde crianças de 5 a 11 anos poderão desfrutar de um espaço lúdico e prático. Antes, porém, de ir para o local definitivo, o contêiner-biblioteca ficará exposto na Praça Panamericana, em Pinheiros. No evento de lançamento, o artista Hélio Degasperi fará, ao vivo, a arte que decorará as paredes externas da biblioteca.

Endereço: Praça Panamericana – Alto de Pinheiros

ATELIÊ SUKHA

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Na Cidade Tiradentes, o objetivo do projeto é estimular o olhar para a arte naquilo que faz parte da vida cotidiana. Gustavo Neves pensou em um espaço que será destinado para atividades culturais e reunirá crianças e pré-adolescentes. O contêiner ocupará o jardim do Centro Cultural do Hip Hop, parceiro do arquiteto. Sukha, em sânscrito, significa “estar em paz consigo mesmo” e “estar feliz no tempo presente”.

Endereço: Rua Sara Kubitscheck, 165A – Cidade Tiradentes

GALERIA FAZENDINHANDO

Ester Carro, Veronica Vacaro e Plantar Ideias são os responsáveis pelo projeto Galeria Fazendinhando, que está localizado no Jardim Colombo, parte do complexo de Paraisópolis. Trata-se de uma galeria de arte com obras feitas pelas pessoas da comunidade. Assim, a produção de música, artes plásticas e outras formas de expressão artística terão um espaço permanente de exposição nessa nova galeria. O projeto envolve workshops e atividades culturais.

Endereço: Esquina das ruas Cambada com Clementine Brenne, Jardim Colombo – Paraisópolis/Morumbi

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Arte no Jardim Colombo

Ester Carro, 25 anos, é arquiteta e ativista urbana. Em entrevista à reportagem, ela explicou que o Movimento Fazendinhando começou no fim de 2017, com a criação e união dos líderes comunitários para desenvolver projetos no Jardim Colombo: “A comunidade não tinha praça nem parque, mas tinha um lixão. Assim surgiu o primeiro desafio da equipe: a partir de um pacto social, os moradores do Colombo, com o apoio do ArqFuturo, deram início a uma mobilização para remover os resíduos e o entulho do terreno e transformá-lo em um parque: o Parque Fazendinha”.

Em 2020, o Movimento se expandiu e surgiram as Fazendeiras, destinado a mulheres com mais de 18 anos na busca de minimizar as consequências econômicas e sociais na comunidade por meio da Gastronomia e da Construção Civil. Além disso, surgiu também o Fazendolar, que conta com intercâmbio entre moradores e estudantes de Arquitetura, Design e Engenharia, com o objetivo de elaborar alternativas no enfrentamento das desigualdades.

Com a chegada da pandemia, a equipe da CASACOR lançou uma campanha para apoiar algumas ONGs, dentre elas a do Jardim Colombo, bem como o convite para que a comunidade participasse do projeto Janelas CASACOR. “A Galeria Fazendinhando possui um espaço amplo e adaptável, que possibilita diferentes tipos de atividades como exposições de arte, cinema, dança, música, meditação, leitura; servindo, também, como um edifício lanterna, para trazer luz e segurança para essa área o dia todo”, salientou Ester.

Na parte interna do contêiner, foram colocados módulos com uma moldura em madeira e uma tela tensionada, com iluminação de um dos lados, possibilitando tanto a luz direta na tela como um backlight. Os módulos podem ser arranjados de diversas formas, de maneira a transformar constantemente o espaço. O chão e o teto foram forrados com espelhos para criar um espaço contínuo onde todas as ações têm uma reação infinita.

Entre os benefícios, Ester enumerou a transformação de um ponto viciado em descarte de lixo e carros velhos abandonados, numa área de convivência, e o fato de a comunidade ter sua primeira galeria de arte, dando oportunidade para os artistas mostrarem seus talentos pela primeira vez e conectá-los com possíveis parcerias.

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