Confira nossa versão impressa

Santa Helena – A primeira peregrina

Nesta terça-feira, 18, a Igreja recorda a Santa que teve grande influência nos primeiros anos de liberdade do Cristianismo

Santa Helena – A primeira peregrina

No dia 18 de agosto, a Igreja celebra a memória de Santa Helena. Conhecida por ser mãe de Constantino, o primeiro imperador romano a se converter ao Cristianismo, Santa Helena tem um papel central na história desse seguimento religioso.

O exemplo de sua vida e sua influência sobre seu filho foram fundamentais para transformar o Cristianismo em uma religião aceita pelo Império Romano e encerrar as brutais perseguições a que eram submetidos os cristãos dos primeiros séculos.

Para compreendermos a sua relevância para a história da Igreja, é necessário traçar um breve relato histórico daquela época.

Embora não tenha sido bem recebido, o Cristianismo havia se difundido no Império Romano desde o primeiro século depois de Cristo, principalmente por meio do trabalho apostólico de São Pedro e São Paulo.

Perseguições cruéis começaram a ocorrer logo no primeiro século e, até o século IV, milhares de cristãos foram mortos por não renegarem a sua fé.

A conversão de Constantino

No fim do século III, o Império Romano passava por uma grave crise. Com grande dificuldade de manter o seu imenso território diante das invasões bárbaras, o Império foi dividido em duas partes: a Ocidental e a Oriental.

O pai de Constantino, Constâncio Cloro, tornou-se César do Império Romano do Ocidente por sua defesa das fronteiras do norte do império. Antes de se tornar imperador, conheceu  Helena, mulher de rara beleza e inteligência, com quem teve um filho. Posteriormente, foi rejeitada por Constâncio, já Imperador, que quis se casar com outra mulher.

Com a morte de Constâncio, Constantino reivindicou para si o título de Imperador do Ocidente. Seu sonho era unificar novamente o Império dividido. Mas o trono do imperador foi usurpado por Magêncio, e Constantino uniu forças militares para combatê-lo e reconquistar o Império.

Nesse período, Santa Helena já havia conhecido a fé cristã, principalmente por meio das epístolas de São Paulo. Preocupada com o risco que corria a vida de seu filho, Helena rezava fervorosamente por sua conversão e para que ele saísse ileso da batalha contra Magêncio. Além disso, Helena preocupava-se com o destino dos outros cristãos, há séculos perseguidos cruelmente pelos imperadores.

Então, na véspera da famosa Batalha da Ponte Mílvia, em outubro de 312, uma das pontes sobre o Rio Tibre, em Roma, a tradição diz que Constantino teve um sonho com um anjo, que lhe teria dito que batalhasse sob o sinal da cruz, colocando-a nos estandartes e escudos. O anjo teria dito a famosa frase: In hoc signum vinces (Com este sinal vencerás).

Constantino obedeceu, e a batalha foi vencida por ele. O arco de Constantino, ao lado do Coliseu, foi construído para lembrar essa vitória. Constantino, então, foi proclamado Imperador, e seu primeiro ato foi cessar a perseguição contra os cristãos no Império, pondo fim às mortes cruentas no Coliseu. Em junho de 313, com o Édito de Milão, oficialmente a religião cristã ganhava liberdade no Império.

Santa Helena teve uma influência grande nos primeiros anos de liberdade do Cristianismo. As primeiras basílicas foram construídas em Roma na época de Constantino pela influência da fé de Helena: São João de Latrão, São Paulo Extramuros e São Pedro, em ordem cronológica. O terreno em que foi construída a de São Pedro pertencia, inclusive, à Santa. As basílicas romanas, ao longo do tempo, passaram por transformações, mas permanecem no mesmo local destinadas a elas por Constantino e Helena.

O Imperador, entretanto, apesar da importância que dava ao Cristianismo, ainda não havia se convertido. Cometeu um crime terrível, que chocou até os senadores pagãos, e que justificou a peregrinação de Helena à Terra Santa, como uma forma de pedir perdão pelo pecado do filho.

A peregrinação à Terra Santa

Uma das esposas de Constantino, Fausta, supostamente o havia traído com um enteado, Crispo. Constantino, enfurecido, mandou matá-los de maneira cruel. Crispo foi morto por envenenamento e Fausta colocada numa sauna e morta por sufocamento. Alguns historiadores sugerem que ela estava grávida.

Quando Helena soube do crime, ficou escandalizada com a conduta do filho. Aos 72 anos, no ano 326, então, partiu para a Terra Santa, sonho que sempre teve, para se aproximar de Cristo e rezar por seu filho.

Chegou a Jerusalém. A cidade não parecia em nada com o que ela havia sonhado. Não mais se chamava Jerusalém, mas Élia Capitolina. Era dedicada aos deuses Júpiter, Juno e Minerva. Não havia mais quase nenhum resquício da vida de Cristo. O templo de Jerusalém havia sido destruído.

Então, Helena desejou ardentemente encontrar o Gólgota, o monte onde Cristo foi crucificado. A partir dos Evangelhos, mandou que se escavassem os pontos onde poderia ter ocorrido a crucifixão e nada encontrou. Certa de que não conseguia seu objetivo por um castigo divino pelo pecado de seu filho, empreendeu uma peregrinação por toda a Terra Santa, a pé, começando por Nazaré, onde ocorreu a Anunciação do Anjo.

Procurou a casa de Nossa Senhora e a encontrou. Hoje, lá está a Basílica da Anunciação, cujas origens remontam a Santa Helena. Depois, dirigiu-se a Belém. Lá, encontrou o lugar de nascimento de Cristo e construiu a Basílica da Natividade. Depois se dirigiu ao Rio Jordão, onde Cristo foi batizado e, de lá, foi ao Mar da Galileia.

Em Betânia, Helena encontrou o túmulo de Lázaro, e lá foi construído o Santuário de São Lázaro. Ao fim de sua peregrinação, voltou a Jerusalém, certa de que o caminho percorrido por ela foi agradável a Deus e que, agora, encontraria o Gólgota.

Em Jerusalém, Helena foi ao Monte das Oliveiras. Nesse local, construiu a Basílica do Pater Noster. Entretanto, o Gólgota ainda não havia sido descoberto.

Com um sinal divino, Helena descobre que o monte do Calvário localizava-se onde estava construído um templo pagão. A Santa mandou demolir o templo. Depois da demolição, os escavadores descobriram enterradas no local três cruzes. A história diz que Helena descobriu qual das três cruzes era a de Cristo com um milagre, no qual a verdadeira cruz curou uma doente. No lugar onde encontrou a cruz, Helena construiu a Igreja do Santo Sepulcro. Ela levou a cruz ao Império, e muitas outras relíquias que encontrou, como os pregos que crucificaram Cristo. Um deles foi colocado no elmo de Constantino, para que ele nunca se esquecesse de onde vinha o seu poder.

            Hoje, os maiores fragmentos da cruz estão na Basílica da Santa Cruce, em Roma. As basílicas construídas por Santa Helena, entretanto, foram reformadas ou reconstruídas, mas permanecem nos lugares descobertos por ela.

            Graças a Santa Helena, o Cristianismo passou pelos anos difíceis de perseguição e se tornou uma religião livre. E, ainda, graças a ela, a Terra Santa tornou-se terra de peregrinação, à qual, até hoje, se dirigem cristãos do mundo inteiro para percorrerem os passos de Cristo.

FONTES: “Vida de Santa Helena”, documentário da Reader’s Digest/ Age of Constantine – Cambridge University Press/ Defending Constantine – Peter J. Leithart

Notícias relacionadas

Comentários

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Compartilhe!

Últimas Notícias

Dom Odilo: A Igreja Católica é apostólica, está assentada no testemunho dos Apóstolos

Afirmou o Arcebispo de São Paulo na mais recente edição programa ‘Diálogos de Fé’

Dom Magnus Henrique, Bispo de Salgueiro (PE), está recuperado da Covid-19

O Bispo da Diocese de Salgueiro (PE), Dom Magnus Henrique Lopes, está recuperado da Covid-19. O prelado...

Como ler a Bíblia?

Muitos católicos têm contato com os textos da Bíblia apenas durante as celebrações da Missa. A Igreja Católica indica a seus fiéis...

Farmácia Vaticana investe em tecnologia para o atendimento da população

Inaugurada 1894, local esteve em reforma desde 2017 e foi reinaugurado no início do mês de agosto

Congregação para a Doutrina da Fé condena todas as formas de eutanásia e de suicídio assistido

“Samaritanus bonus”, a carta da Congregação para a Doutrina da Fé aprovada pelo Papa, reitera a condenação a todas as formas de...

Newsletter