Confira nossa versão impressa

São Tomás More: uma personalidade extraordinária retratada em livro e no cinema

POR JOÃO FOUTO (ESPECIAL PARA O SÃO PAULO)

Na segunda-feira, 22, a Igreja celebrou a memória de São Tomás More. Vários são os motivos pelos quais a vida desse santo se destaca, e temos muito o que aprender com seus testemunhos.

São Tomás More: uma personalidade extraordinária retratada em livro e no cinema
(Crédito: Reprodução de internet)

More nasceu em 1478, em Londres. Estudou Direito e Teologia na Universidade de Oxford, tornou-se advogado e foi eleito deputado. Casou-se com Jane Colt, com a qual teve quatro filhos. Poucos anos após o casamento, porém, sua esposa faleceu. O jovem Tomás casou-se uma segunda vez, com Alice Middleton. Sua dedicação a ambas as esposas – entre si bastante diferentes – foi exemplar.

O Santo destacou-se também em seus estudos. Honesto e competente trabalhador, homem de oração e total fidelidade à Igreja, encontrava tempo para dedicar-se ao estudo de vários temas então relevantes, e trocava ideias com importantes intelectuais da época – Erasmo de Roterdã, por exemplo, era um amigo pessoal.

Martírio

A magnanimidade de Sir Tomás More, porém, manifestou-se plenamente por ocasião de seu martírio. O rei inglês, Henrique VIII, que inicialmente pareceu um aguerrido defensor da Igreja Católica, mudou radicalmente de postura por uma questão ao mesmo tempo pessoal e política. Sua esposa, Catarina de Aragão, não fora capaz de dar-lhe descendentes. Por esse motivo, o Rei pressionou o Papa Clemente VII para que reconhecesse a nulidade do casamento, criando assim a possibilidade de uma nova união com Ana Bolena. O Papa recusou e as relações entre Henrique VIII e a Igreja foram se deteriorando até chegar a uma ruptura completa. Em diferentes momentos, o Rei pediu a Tomás More que se posicionasse em seu favor. Este se mostrou sempre fiel à coroa, mas rejeitou firmemente cooperar com os pecados de Henrique VIII. Isso lhe custou muitas perseguições, e More se tornou alvo de sucessivas calúnias por parte de inimigos.

Em 1534, More foi convocado a prestar um juramento no qual declarava o matrimônio de Henrique VIII inválido e rejeitava a autoridade papal. Ao recusar, foi encarcerado na Torre de Londres. Em 1535, foi decapitado.

Pai, trabalhador, patriota e cristão

Além de uma fé sólida e sincera caridade, São Tomás More possuía muita prudência e era um advogado competente. A inteligência com a qual se comportou ao longo do processo que terminou com sua execução é impressionante e tem muito a ensinar. Conservam-se hoje muitas cartas trocadas com seus amigos e familiares.

Duas sugestões excelentes para quem quiser conhecer melhor esse modelo de pai, trabalhador, patriota e cristão são as seguintes:

O livro “A sós, com Deus – escritos da prisão” contém algumas cartas escritas e recebidas por More enquanto estava na Torre de Londres.

É comum que as pessoas já tenham lido algo sobre os santos, mas menos comum é que tenham lido obras escritas por eles mesmos. Não raramente, os textos mais ricos e proveitosos para a alma encontram-se nas cartas que escreveram. Nestas, com frequência abordam questões muito concretas e revelam, ao mesmo tempo, sua profunda humanidade e vida sobrenatural.

O livro aqui indicado tem o particular valor de ter sido escrito por um homem que se encontrava diante da morte por um motivo tão nobre. Sua própria esposa e filhas tentaram convencê-lo de abrir mão de sua integridade para retornar à liberdade e gozar da alegre vida que antes possuía.

O filme “A Man for all Seasons”, traduzido no Brasil “O Homem que não Vendeu sua Alma”, conta de forma magistral o drama que terminou com sua decapitação.

Grande sucesso de bilheteria, é também uma obra-prima cinematográfica. Recebeu 6 prêmios Oscar: melhor filme, ator, diretor, roteiro adaptado, fotografia, figurino, ator coadjuvante e atriz coadjuvante.

Para aqueles que pensam que os mártires são seres sobre-humanos, o filme retrata um herói de carne e osso, desejoso de cumprir a vontade de Deus em tudo, mas também consciente de suas limitações. More não busca o martírio. Assemelhando-se a Cristo em sua Paixão, deseja poder servir a Deus sem a necessidade de beber de um cálice tão atroz. Mas sabe em quem depositou sua confiança e, à medida que percebe no martírio a única via para permanecer no amor de Deus, corajosamente o abraça, esperando na graça divina. O filme, adaptado de uma peça de teatro, contém diálogos espetaculares, alguns dos quais inteiramente fiéis à história real (é o caso do humor que demonstra para com seu delator, quando se apresenta uma última vez ao tribunal).

Notícias relacionadas

Comentários

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Compartilhe!

Últimas Notícias

Capela do Hospital Municipal Infantil Menino Jesus: 80 anos de história

Na série de reportagens sobre as capelas católicas em unidades hospitalares da capital paulista, o destaque de...

Cátedra de Cultura Judaica da PUC-SP comemora dez anos

O evento transmitido pela internet nesta sexta-feira, 23, marcou as comemorações dos dez anos da Cátedra de...

São João Paulo II: um Santo e poeta da Igreja

Dando sequência a série especial que rememora santos poetas da Igreja ao longo da história, O SÃO...

Declaração de Consenso de Genebra: avanço na luta contra o aborto

Brasil é um dos 32 países que assinam o documento que reforça a autonomia dos país na proteção da vida dos nascituros

Relatório da Caritas SP mostra os impactos da pandemia em crianças refugiadas

A equipe de Proteção do Centro de Referência para Refugiados da Caritas Arquidiocesana de São Paulo (CASP) produziu um relatório sobre os...

Newsletter