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#SetembroAmarelo: escuta e acolhida salvam vidas

#SetembroAmarelo: escuta e acolhida salvam vidas

O mês de setembro é dedicado à prevenção ao suicídio. De acordo com um relatório divulgado em 2019 pela Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 800 mil pessoas tiram a própria vida todos os anos no mundo, o que equivale a uma morte a cada 40 segundos.

Segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), são registrados cerca de 12 mil suicídios todos os anos no Brasil, atingindo sobretudo adolescentes e jovens na faixa dos 13 aos 29 anos, e idosos. Segundo a entidade, 96,8% das pessoas que cometem suicídio têm um transtorno mental diagnosticável.

FENÔMENO COMPLEXO

“Quando se fala em suicídio, normalmente vêm à tona perguntas como: ‘Por que ele fez isso?’, ‘O que estava tão ruim na vida dele que o motivou a tomar essa decisão?’, ‘Como não pudemos perceber que ele estava sofrendo tanto?’, ‘Mas tudo parecia tão bom na vida dele…’. Essas dúvidas surgem porque, na visão leiga, comportamentos suicidas são compreendidos como um fenômeno motivado apenas pelo ambiente e por questões socioculturais”, destaca a médica psiquiatra Doris Hupfeld Moreno, coordenadora do Ambulatório Integrado de Bipolares (AIBIP) do Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP, e uma das autoras de um dossiê sobre o suicídio, publicado em 2019, pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp).

Por essa razão, Doris salienta que o suicídio deve ser considerado como fenômeno complexo, multifatorial e patológico, para que as medidas preventivas e assistenciais corretas possam ser tomadas. “Somente assim, não se- remos mais surpreendidos com horríveis notícias de morte por suicídio de pessoas que nunca imaginamos que sequer estivessem doentes”, reforça.

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DOR DE MÃE

A corretora de imóveis Mônica Molari sentiu na pele a experiência de ver seu filho, Fábio Molari da Cunha Bueno, pôr fim à própria vida, aos 33 anos, em decorrência de uma esquizofrenia.

Fábio teve uma vida normal até os 26 anos, quando a doença começou a se apoderar de suas ações. Surtos de delírios e alucinações da esquizofrenia causam perdas cognitivas importantes.

“Um diagnóstico desses e com um fim tão radical sempre envolve culpa e frustração para a família. O senso comum julga, rejeita e discrimina, mas não leio sua escolha como fuga ou covardia. Fábio queria viver, mas se via impossibilitado de qualquer desfrute ou conquista”, conta Mônica, que transformou a história de luta de seu filho no livro “Herói até o último momento”.

Na obra, além de homenagear Fábio, Mônica fala da complexidade da esquizofrenia e como a família enfrentou essa doença, que, como ela afirma, não escolhe casa nem condição social.

À LUZ DA FÉ

O Catecismo da Igreja Católica (CIC) destaca que cada pessoa é responsável diante de Deus pela vida e afirma que o suicídio contraria a inclinação natural do ser humano de conservar e perpetuar a própria vida e, por isso, é um ato contrário ao amor de Deus.

Ao mesmo tempo, reconhece que “perturbações psíquicas graves, a angústia ou o temor grave de uma provação, de um sofrimento, da tortura, são circunstâncias que podem diminuir a responsabilidade do suicida” (CIC, 2282).

Nesse sentido, o Catecismo enfatiza que não se deve perder a esperança da salvação daqueles que se mataram. “Deus pode, por caminhos que só Ele conhece, oferecer-lhes a ocasião de um arrependimento salutar. A Igreja  ora pelas pessoas que atentaram contra a própria vida” (CIC, 2283).

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PROXIMIDADE

O Padre Lício Araújo Vale, da Diocese de São Miguel Paulista e membro da Associação Brasileira de Estudos e Prevenção ao Suicídio, também escreveu um livro – “E foram deixados para trás: uma reflexão sobre o fenômeno do suicídio” – a partir da experiência vivida por ele na adolescência, quando seu pai cometeu suicídio.

“É importante compreender que o suicida, na verdade, não quer pôr fim à sua vida, mas quer matar a sua dor, uma dor na alma, da qual ele é a grande vítima”, afirmou Padre Lício, destacando que “a doutrina católica ressalta a importância de acolher o outro, como o bom samaritano, para evitar que se chegue a esse extremo irremediável”, salienta o Sacerdote.

Ele também destaca a necessidade de as paróquias e comunidades for- marem, com a ajuda de profissionais da saúde mental, grupos de escuta qualificada das pessoas e encaminhamento para os cuidados devidos. “Ninguém precisa sofrer sozinho. Todos precisamos uns dos outros… A resistência a um tratamento ou ajuda é quebrada com afeto”, completou.

(Com informações de Paulinas Brasil e Cremesp)

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