
Por Benigno Naveira* e Elias Rodrigues*
Entre os eixos fundamentais da Pastoral da Comunicação, um dos mais importantes, e talvez mais esque-cido, é propriamente o eixo da espiritualidade, necessário não somente para a Pascom, mas também para toda a vivência cristã.
Nesse sentido, a Pascom é uma pastoral do “ser” antes do “fazer”, não se configurando como uma agência técnica de redes sociais ou de produção de conteúdos, mas sim uma pastoral que busca construir pontes, nutrir vínculos e gerar comunhão entre seus próprios integrantes e todos os membros da Igreja.
Faz parte da natureza do ser humano o dom de se comunicar e se expressar, pois somos imagem e semelhança de Deus, que nos enviou seu Filho para transmitir a mensagem da salvação, o Evangelho. Somente nesta perspectiva é que podemos entender como a espiritualidade e a comunicação caminham juntas.
O SER HUMANO É COMUNICAÇÃO
De acordo com Joana Puntel e Helena Corazza, religiosas paulinas, no livro “Diálogo fé e cultura” (2010), a espiritualidade é o pilar que sustenta a Pascom. É a Palavra de Deus que nos orienta: “Eu sou a videira e vocês são os ramos; permanecei no meu amor” (Jo 15). Enraizados em um mesmo corpo, toda a ação dos agentes da Pascom é voltada para o outro, em favor de alguém, e não voltada a si mesmo: e, entendida assim, a comunicação se torna uma ação que influencia outras pessoas, colocando-se a serviço da vida: “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10).
De fato, toda pessoa é chamada a construir e promover relações, e, no contexto da Pastoral da Comunicação, também a ser promotora desta mesma comunhão, fundamentada na comunhão entre Deus e os homens.
Desse modo, para o agente da Pascom, é fundamental que se fundamente toda a sua ação exterior nessa verdade fundamental: a comunicação é vocação, dada por Deus a serviço da comunhão.
Assim também entende o Diretório de Comunicação da Igreja no Brasil, no parágrafo 253, quando destaca que sem a prática e a vivência da espiritualidade, “o comunicador esvazia-se, fragiliza-se como sujeito e torna-se vulnerável às dificuldades que se apresentam ao longo do caminho”.
PILARES DA ESPIRITUALIDADE DO COMUNICADOR
Em entrevista ao Caderno Pascom em Ação, o Padre Bruno Muta Vivas, Coordenador Arquidiocesano da Pastoral da Comunicação e das Mídias Digitais em São Paulo, defende que a comunicação na Igreja não deve ser apenas técnica, mas sim um reflexo da experiência com Deus.
Padre Bruno elenca os pilares da espiritualidade do comunicador:
– A vivência vocacional do comunicador;
– A contemplação da verdade e da beleza;
– A evangelização testemunhal.
Segundo Padre Bruno, “o comunicador só encontra o fundamento de sua ação eclesial quando a vive como uma verdadeira vocação cristã”. O Sacerdote explica, ainda, que se corre sempre o perigo de transformar a comunicação em mera aplicação de técnicas quando não se tem essa visão sobrenatural sobre a ação do comunicador.
Quando fala sobre contemplação da verdade e da beleza, Padre Bruno explica que “se o agente da Pascom não conhece a Doutrina da Igreja, não busca o conhecimento da verdade que Jesus revelou, e não busca ver a beleza na realidade e na escuta dos irmãos, sua comunicação sempre será um repetir notícias, replicar matérias e produzir conteúdos, mas nunca será pastoral, que toca a vida dos cristãos”.
Padre Bruno enfatiza, ainda, que toda ação da Pascom deve ser uma evangelização enraizada no testemunho de Cristo. “É justamente isso que diferencia nossa comunicação da comunicação de uma agência de mídias ou de notícias: não falamos de algo que nos é externo, mas sim da vida que temos dentro de nós, do encontro que fizemos com Cristo e do testemunho que nossos irmãos dão Dele”.
Concluindo, o Coordenador da Pascom Arquidiocesana resume o papel da espiritualidade do comunicador: “Não fazemos comunicação, mas somos comunicadores em favor dos irmãos e do Evangelho”.
* Benigno Naveira é jornalista, assessor de imprensa e membro da Pastoral da Comunicação da Região Lapa
*Elias Rodrigues é jornalista, assessor de imprensa e coordenador da Pascom da Paróquia do Divino Espírito Santo, Região Sé.


