
Por Juliana Fontanari*
Os algoritmos, por um lado, são importantes para nos ajudar na navegação no ambiente web, organizando as informações para que possamos acessá-las. O problema está relacionado ao uso sem transparência, aos limites éticos e à falta de consciência crítica das pessoas.
A expressão “tirania do algoritmo” é utilizada como uma crítica ao poder que os algoritmos presentes nas redes sociais, plataformas e aplicativos exercem sobre a vida das pessoas. Sem perceber, passamos a ser influenciados por sistemas automáticos que decidem o que vemos, ouvimos, compramos e até mesmo o que pensamos. Os algoritmos analisam nossos hábitos para selecionar conteúdos que mantenham a nossa atenção. Isso se torna um problema quando eles manipulam nossas emoções e opiniões, criam dependência digital, reduzem a nossa liberdade de escolha, polarizam os debates e nos transformam em produtos.
Nesse cenário, a Pastoral da Comunicação é a pastoral do ser e estar em comunhão. Ela não existe para vender produtos, captar clientes ou trabalhar por meio da aplicação de técnicas de engajamento social, mas sim para gerar sentido e unidade.
Por essa razão, é preciso colocar em prática o silêncio ativo em nossas atividades, sobretudo nas redes sociais, em que é importante assumir uma postura crítica, analisando contextos e discussões, evitando exposições, comentários ou postagens. Essa postura está longe de ser passiva; pelo contrário, ela nos ajuda a consumir conteúdos úteis e aprofundar o conhecimento de forma anônima ou sem a pressão de produzir para os algoritmos e, também, protege a nossa vida pessoal e a rotina contra a superexposição.
O FILTRO DO COMUNICADOR
Na comunicação contemporânea, marcada pela velocidade e pelo algoritmo, o silêncio se torna um ato de resistência porque nos impede que sejamos arrastados automaticamente pela avalanche de conteúdos e reações imediatas. Para nós, cristãos, o silêncio é entendido como um filtro para ouvir a Deus e discernir a própria consciência.
Antes de publicar, o agente da Pascom deve se perguntar: esse conteúdo edifica ou apenas faz barulho? Essa pergunta é muito importante para a comunicação pastoral, porque nem tudo que gera alcance pode gerar o encontro e nem tudo o que viraliza evangeliza.
Por isso, a Pascom é chamada a comunicar com sentido, verdade e caridade, refletindo, antes de publicar, se a mensagem aproxima as pessoas de Deus e da comunidade, se promove comunhão, se informa com responsabilidade ou, pelo contrário, alimenta a ansiedade e a polarização; se dá testemunho do Evangelho ou apenas busca engajamento. Em muitos casos, o silêncio seria melhor do que uma postagem imediata.
Marcelo Godoy: ‘Não estamos nas redes para viralizar, mas para evangelizar’

Entrevistamos Marcelo Godoy, coordenador do GT Produção da Pascom Brasil a respeito da Pastoral da Comunicação e sua relação com a lógica do silêncio ativo.
PASCOM EM AÇÃO: Como manter a identidade católica em um ambiente que premia o superficial e o viral?
Marcelo Godoy: O importante é manter a originalidade e não há nada mais real do que o ambiente físico das igrejas. Todos os conteúdos que precisamos estão no off-line, nas missas, nas pastorais e no dia a dia da comunidade paroquial.
O Papa Francisco fala sobre a ‘cultura do encontro’. Como o comunicador pode usar o silêncio e a escuta para evitar que o conteúdo se torne um ‘produto’?
Quando praticamos a escuta é quando a comunicação nasce! E como comunicadores, escutar está em nosso DNA, no dia a dia. Escutar nos convida a conhecer e quem conhece comunica melhor a verdade.
Diante da crise nas redes sociais, qual o critério para a Pascom decidir entre se posicionar ou permanecer em silêncio?
O ideal é não entrar em discussões sem embasamento. A Pascom, tanto nas redes sociais quanto em seus portais, defende o que a Igreja pede e não temos que ter medo de comunicar a verdade.
Que conselho prático você daria para um agente que se sente desanimado por não ter as ’métricas’ de um influenciador comum?
A quantidade de seguidores não representa a sua verdadeira missão! Muitas vezes, evangelizar bem um público menor é mais eficaz e santo do que falar para muitos e não ser ouvido. Não estamos nas redes para viralizar, mas para evangelizar.
*Juliana Fontanari é jornalista e membro do Grupo de Trabalho da Pascom Brasil.



