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Um minuto para evangelizar no Reels e no TikTok

Um minuto para evangelizar no Reels e no TikTok - Jornal O São Paulo
Divulgação

Nunca foi tão fácil ter acesso a con­teúdos sobre a fé. Missas, homilias, formações e explicações sobre a dou­trina católica circulam diariamente pe­las redes sociais. Paróquias e comu­nidades ampliaram sua presença no ambiente digital, enquanto padres, re-ligiosos e leigos encontraram novas for­mas de anunciar o Evangelho. Diante de tanto conteúdo, surge uma questão para quem assume a missão de comu­nicar a fé: transmitir uma informação é o mesmo que transmitir o Evangelho?

Informar faz parte da comunicação da Igreja. Divulgar o horário de uma celebração, explicar uma festa litúrgi-ca ou apresentar um ensinamento aju­da o fiel a conhecer aquilo em que crê. A evangelização, porém, busca favore­cer o encontro com Jesus Cristo e fazer com que a mensagem tenha espaço na vida de quem a recebe.

HOMILIAS NO RITMO DO FEED

Essa diferença muda a maneira de pensar a comunicação. Um conte­údo pode estar correto do ponto de vista doutrinal, ter boa produção e alcançar muitas pessoas e, ainda as­sim, permanecer apenas no campo da informação.

Para evangelizar, é preciso consi­derar o que se comunica, por que se comunica e, sobretudo, quem está do outro lado da tela. Essa é uma refle­xão que atravessa a missão do Padre Claudiano Avelino dos Santos, Supe­rior Provincial dos Padres e Irmãos Paulinos, congregação religiosa que tem a comunicação como parte de seu carisma e que leva o Evangelho às redes sociais diariamente, nas cha­madas “homilias de um minuto”.

Na experiência do Provincial, co­municar em pouco tempo não signifi­ca simplesmente reduzir uma reflexão maior. O trabalho começa antes, na identificação do núcleo da mensagem. Para preparar as homilias de um mi­nuto publicadas diariamente nas redes sociais da Paulus Editora, o Sacerdote faz a leitura orante do Evangelho do dia, procura reconhecer a afirmação central daquele texto e pensa em como traduzi-la para a vida de quem vai ouvi-lo.

“A homilia não é um resumo do Evangelho, mas a comunicação de uma ideia que toca a vida de quem ouve”, explica o Padre. Para ele, o pró­prio Jesus já oferece essa referência ao apresentar amor a Deus e ao próxi­mo como síntese da Lei e dos Profe-tas. A partir daí, o desafio está em che­gar a uma aplicação concreta da Pala­vra, com clareza e sem dispersões.

EVANGELIZAR TAMBÉM É ENTRAR NA TREND

Nas redes, adaptar formatos e lin­guagens também faz parte desse trabalho, desde que a busca por alcance não determine a mensagem. Vídeos curtos, legendas diretas, memes e trends podem servir à evangelização quando ajudam a tornar o conteúdo mais claro.

“O algoritmo é o canal, não o mes­tre”, afirma Padre Claudiano. Curtidas, visualizações e compartilhamentos ajudam a dimensionar o alcance, mas não determinam se a finalidade foi cumprida. “O que se mede no curto prazo pode até ser o engajamento, mas o que se avalia, no fim, é a conversão, e essa escapa às estatísticas.”

Essa adaptação encontra respaldo na própria história da Igreja. O Padre recorda o Beato Tiago Alberione, fun­dador da Congregação dos Padres e Irmãos Paulinos e da Família Paulina, que incentivou o uso dos meios de co­municação disponíveis em sua época para anunciar a Palavra.

“A cultura digital é a cultura de hoje; ignorá-la seria recusar a missão que Padre Alberione abraçou”, afirma. O princípio também orienta o uso de linguagens atuais: “Se a trend torna a mensagem mais clara, é um recurso a ser aproveitado com inteligência; se ela causa divisão ou confusão, deve ser abandonada.”

Conhecer as ferramentas é parte do trabalho, mas isso precisa cami­nhar de mãos dadas com a formação e a vida de fé. Isso passa por estudar a Palavra e o magistério da Igreja so­bre comunicação e por conhecer de perto a comunidade antes de produzir qualquer conteúdo – afinal, cada grupo tem seu jeito próprio de escutar e ser tocado. Passa, ainda, por enten­der a linguagem de cada plataforma: Instagram, WhatsApp e TikTok pe­dem abordagens diferentes, e repetir o mesmo conteúdo em todas as redes pode acabar limitando o diálogo com quem está do outro lado, ansioso por ser alcançado de verdade.

“A Pascom é pastoral, não agência de marketing: usa as técnicas, mas tem alma pastoral”, resume Padre Claudia­no Avelino.

A missão da Pascom além das redes

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Arquivo pessoal

Se nas redes sociais o desafio da Pascom passa pela escolha de lingua­gens e formatos, dentro da paróquia a comunicação também ajuda a apro­ximar pessoas e fortalecer a vida em comunidade. É a partir dessa experi­ência que o Padre Deivid Rodrigo dos Santos Tavares, SSP, Administrador Paroquial da Paróquia Santo Inácio de Loyola e São Paulo Apóstolo, na Re­gião Sé, entende a comunicação pasto­ral. Para ele, comunicar deve favorecer a evangelização, a comunhão e a parti­cipação: “A Palavra precisa encontrar espaço concreto na vida das pessoas”.

Nesse cotidiano, a Pascom pode ir além dos avisos de horários, celebrações e atividades. A comunicação ajuda os fiéis a compreender por que celebram, o que vivem e como aquela experiência dialoga com sua vida. Por isso, Padre Deivid destaca a importância de “culti­var o dom da escuta”, bem como conhe­cer as pessoas, suas necessidades e sua linguagem para comunicar o Evangelho de forma próxima e compreensível: “A mensagem é sempre a mesma, mas a maneira de comunicá-la precisa dialo­gar com a vida e com as pessoas.”

Esse trabalho também pede pro­ximidade entre a pastoral e quem constrói diariamente a vida paroquial. Padre Deivid defende o diálogo cons­tante com sacerdotes, pastorais e mo­vimentos, para que a comunicação acompanhe a ação pastoral e respeite a identidade de cada grupo.

Neste Mês da Bíblia, esse cuidado ganha um significado ainda mais con­creto. Em vez de limitar a presença da Palavra nas redes a versículos isolados ou trechos de homilias, o desafio é ofe­recer contexto e ajudar o fiel a se apro­ximar das Escrituras. “A comunicação deve despertar nas pessoas o desejo de ler, compreender, rezar e viver a Pa­lavra de Deus”, afirma. É nesse movi­mento que o trabalho dos “pasconei­ros” deixa de se limitar ao registro do que acontece na comunidade e assume sua dimensão evangelizadora: ajudar aquilo que é anunciado a encontrar lu­gar na vida das pessoas.

Cada publicação, transmissão ou avi­so, portanto, tem como meta comunicar a Palavra com fidelidade, clareza e aten­ção a quem a recebe. É nesse cuidado que a informação pode abrir espaço para algo maior: a compreensão, a participa­ção e a vivência da fé no dia a dia.

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