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10ª Jornada Mundial dos Pobres terá múltiplas ações na Arquidiocese de São Paulo

10ª Jornada Mundial dos Pobres terá múltiplas ações na Arquidiocese de São Paulo
Dom Odilo com os agentes da caridade organizada em SP e com os comunicadores convidados para o ‘Café com a imprensa’
Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

Os Vicariatos Episcopais da Caridade Social e para a Pastoral da Comunicação promoveram na sexta-feira, 30 de outubro, o evento “Café com a imprensa” para apresentar a programação arquidiocesana da 10ª Jornada Mundial dos Pobres, a ser celebrada até 15 de novembro, Dia Mundial dos Pobres, este ano com o tema “O Senhor é o refúgio do pobre” (cf. Sl 14,6), escolhido pelo Papa Leão XIV.

No início do encontro, o Cônego Marcelo Monge, Vigário Episcopal da Caridade Social, destacou que este organismo arquidiocesano atua para a orientação, articulação e visibilização das instituições pastorais e ações sociais da Igreja fundamentadas no Evangelho e na Doutrina Social da Igreja.

O Sacerdote sublinhou que, embora o Vicariato esteja organizando atividades para a Jornada Mundial dos Pobres, também as paróquias, regiões episcopais e demais organismos da Igreja são chamados a fazê-lo, em uma perspectiva de ampla conscientização. “O Dia Mundial dos Pobres existe para que cada pessoa pense qual espaço o pobre está ocupando em sua vida, e se questione se está sendo coerente com aquilo que pede o Evangelho”, comentou, destacando que tão importante quanto fazer algo para os pobres é estar com os pobres.

Em sua fala inicial aos jornalistas, o Cardeal Odilo Scherer, Arcebispo Metropolitano, sublinhou que mais do que olhar para os dados relativos à pobreza é preciso enxergar as pessoas: “A pobreza tem rosto, tem sentimento, tem estômago, tem coração. Existem os pobres e a Igreja, por meio deste chamado do Papa Francisco, que criou esta Jornada, busca chamar a atenção de toda a sociedade para os pobres”. 

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VI CARIDADE EM SP

Por ocasião da 10ª Jornada Mundial dos Pobres, o Vicariato da Caridade Social organizou uma série de ati-vidades, agrupadas com o nome de “Vi Caridade em SP”. 

A primeira delas, no dia 5, das 8h às 13h, no Tucarena, será o Seminário da Caridade Social, com o tema “Pobreza hoje: rostos e raízes. A esperança que se organiza”, cuja proposta é refletir sobre como e por que tem havido o aumento da pobreza no Brasil. Na ocasião, também será lançado o Observatório da Caridade, em parceria com a PUC-SP.

Já no dia 7, às 15h, na Catedral da Sé, acontecerá um momento formativo e celebrativo sobre o Dia Mundial dos Pobres. Depois, entre os dias 9 e 13, o Vicariato da Caridade Social promoverá encontros de escuta e articulação nas regiões episcopais. Por fim, no dia 14, das 8h às 18h, na Praça da Sé, haverá a montagem de Tendas da Caridade Social, para a divulgação das ações caritativas realizadas pela Igreja na cidade, além da oferta de serviços gratuitos de assistência social e saúde aos mais pobres, bem como momentos culturais, rodas de conversa e espaços de escuta e espiritualidade. 

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FAZER CONHECER AS BOAS AÇÕES

Durante o diálogo com os jornalistas, Dom Odilo incentivou que as equipes de Pastoral da Comunicação, influencers, mídias católicas e a imprensa laica produzam conteúdos que ajudem a dar visibilidade às ações caritativas da Igreja. 

O Arcebispo enfatizou que a caridade organizada é um modo eficaz para que as boas ações ocorram de modo perene e não somente diante de tragédias ou em datas específicas: “Também por isso, há a nossa recomendação de que em toda paróquia, em toda escola católica, haja um trabalho social organizado, pois ele agrega e motiva as pessoas a perceberem que também podem fazer alguma coisa em favor do próximo. Portanto, organizando a caridade, ela se torna mais efetiva e constante”.

Em entrevista ao O SÃO PAULO, o Padre Simone Bernardi, do Sermig – Fraternidade da Esperança, responsável pelo Arsenal da Esperança, onde são acolhidos diariamente 1,2 mil homens que anteriormente viviam em situação de rua, mostrou-se confiante de que a imprensa, conhecendo melhor as ações caritativas que a Igreja realiza, vai divulgá-las mais, ajudando na obtenção de apoios materiais e na atração de voluntários: “A pobreza não é apenas um problema; é, sobretudo, uma oportunidade de transformação, e não só para quem está em dificuldade, pois a pessoa que faz a caridade se transforma. Ajudar o outro é algo muito exigente, mas quem se abre a isso desperta para talentos que nem imaginava ter”. 

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MANIFESTO DA CARIDADE SOCIAL

Durante o encontro, foi lido o “Manifesto da Caridade Social”, produzido pelo Vicariato da Caridade Social e a Comissão do Testemunho e Serviço da Caridade, no qual se aponta que “a fé não pode ser separada do amor concreto ao próximo e que a caridade social não é ação periférica, mas parte constitutiva da missão evangelizadora da Igreja”.

O texto lembra que na cidade de São Paulo há diversas situações de pobreza que “não são naturais nem inevitáveis: são produzidas por estruturas que concentram oportunidades, recursos e poder”.

Diante dessa realidade, os signatários assumem os compromissos de: “acolher a pessoa na sua necessidade, com proximidade, compaixão e respeito, sem discriminação; promover a autonomia das pessoas e comunidades, ajudando sem substituir, apoiando sem criar dependência, e, dando a cada pessoa os instrumentos para escrever sua própria história; transformar as estruturas que matam e as relações que produzem pobreza, exclusão e desigualdade, unindo a resposta imediata à defesa de direitos e à construção do bem comum; e caminhar com os pobres, escutando seus saberes e assegurando sua participação nas decisões que dizem respeito à própria vida”.

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Cônego José Renato Ferreira, Coordenador da Comissão do Testemunho e Serviço da Caridade, explicou que, em sua ação caritativa, a Igreja se atenta à assistência imediata a quem mais precisa; à promoção da dignidade humana, por meio de projetos e capacitações; e à caridade transformadora. Ele enfatizou que a Igreja “não pode permanecer insensível à realidade dos mais pobres nem fechada em quatro paredes”, devendo atuar não apenas perante a pobreza que assola a pessoa, mas também nas questões que impactam a casa comum, pois estas incidem na vida de todos. 

À reportagem, o Cônego Marcelo Monge avaliou que quanto mais a caridade estiver organizada e articulada, mais terá força para que a Igreja dialogue com o poder público: “Trata-se da nossa capacidade de, organizadamente, nos articularmos para definir sobre o que vamos falar com o poder público e quais dados sobre a realidade dos pobres nós temos para apresentar”.

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UMA JORNADA PARA A IGREJA E PARA TODA A SOCIEDADE

Na conclusão do evento, Dom Odilo lembrou ser fundamental que se dê visibilidade às ações caritativas que são realizadas pela Igreja. “O Evangelho diz ‘Brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o Pai do céu’. O bem que se faz é luz, é testemunho”, comentou, destacando que a maior divulgação das ações ajudará a agregar mais pessoas às iniciativas. “Que a Jornada Mundial dos Pobres envolva e mobilize toda a Igreja e, se possível, também a sociedade”, desejou. 

O Arcebispo também agradeceu à TV Aparecida, que levará ao ar, nos dias 5 e 12, às 21h, no programa Arquivo A, uma reportagem sobre as ações caritativas realizadas na Arquidiocese de São Paulo. A chamada do conteúdo foi apresentada aos jornalistas pelo Padre Mauro Vilela, C.Ss.R., Diretor de produção da emissora.

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