59ª AG CNBB: Análise de Conjuntura Social reflete sobre “exigências éticas, justiça social e democracia”

59ª AG CNBB: Análise de Conjuntura Social reflete sobre “exigências éticas, justiça social e democracia”, Jornal O São Paulo
CNBB

“Exigências éticas, justiça social e democracia” este foi o título da Análise de Conjuntura Social apresentada ao episcopado brasileiro durante a primeira sessão da 59ª Assembleia Geral da CNBB, que teve início nesta segunda-feira, 29 de agosto, no Centro de Eventos Pe. Vitor Coelho de Almeida.

A análise foi inspirada no Documento 42 da CNBB cujo título é “Exigências da Ordem Democrática” e  apresentada pelo bispo de Carolina (MA), dom Francisco de Lima Soares, coordenador do grupo de Análise de Conjuntura da CNBB, como provocação ao episcopado.

No texto, a equipe considerou todo o contexto de um segundo semestre do ano com eleições gerais no Brasil, em um ambiente mundial e regional de muitas tensões, além da erosão da democracia e da qualidade de vida da população.

América Latina – Os recentes movimentos políticos e eleitorais – A nova onda eleitoral, dos últimos anos, mudou o quadro recente das direções dos países da região. A análise aponta que há uma crise multidimensional agravada pela pandemia, pela guerra da Rússia e Ucrânia e outros fatores. “O quadro na Nicarágua, na América Central, é preocupante. Em recente manifestação, nossa própria Conferência manifestou solidariedade a um país, uma Igreja em conflito com as autoridades”.

Chegamos no segundo semestre com muitas tensões e uma escalada de crises (econômica, social, sanitária, hídrica, ambiental e política) com muitos desafios no campo dos direitos humanos, socioambientais e da cidadania.

A análise apontou, ainda, que no campo da saúde pública, a pandemia no Brasil, com cerca de 685 mil mortos, é um dos piores exemplos de gestão, com um impacto entre vítimas que excedeu a maioria do resto do mundo. “Continuamos a desmatar os biomas, de forma alarmante. A Casa Comum está sob um ataque inédito”.

Mineração – O texto afirma que ano de 2021 foi marcado pelo aprofundamento e pela dramática intensificação da violência e das violações no Brasil, especialmente no caso dos povos indígenas. No campo do trabalho e da geração de renda, apesar das recentes melhoras, a análise reitera que há um exército de desempregados, subempregados, desalentados. Dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, o IPEA, ajudaram na compreensão dos bispos.

Religião e Política – Segundo a análise, há uma necropolítica em curso, matriz geradora da ação política perpetrada por grupos mais conservadores, que se materializa no controle dos meios para matar através da difusão do medo de morrer.

O papel da religião no atual momento político brasileiro não é periférico; o fundamentalismo religioso tem uma relação com o voto. Seja pelo triunfalismo e pelo desejo de um domínio completo, pela simbiose entre a Teologia do Domínio e a Teologia da Prosperidade, a religião se tornou interlocutora em pé de igualdade com a política.

Eleições 2022 – A análise apresentou também que, enquanto se volta a atenção à eleição presidencial, outra parte fundamental, as eleições de governadores, senadores, deputados despertam pouco interesse.

Outro fator recordado foi o número de candidatas mulheres que cresceu em termos absolutos e relativos, na comparação com as eleições nacionais. Entretanto, a análise salientou que a presença de candidatas mulheres ainda está distante da sua participação no eleitorado nacional, que corresponde atualmente a mais de 50% da população.

Ao menos 902 candidatos escolherem ter um nome religioso nas urnas. O nome “pastor” é o que mais parece, com 476 candidatos, em 2022.

O  Grupo de Análise expôs que o eleitorado brasileiro tem um duplo político: encanto-desencanto. “Muitos apostam que as eleições são uma forma de transformação da realidade e esperança”, apontaram.

A política brasileira ganhou nos tempos atuais muita violência institucional, simbólica e física. Um dos fenômenos mais insistentes e preocupantes tem a ver com o conjunto “desinformação, fake news e infodemia”.

O grupo reiterou que dois principais concorrentes têm suas diferenças, especialmente quanto ao compromisso com as regras democráticas. Entretanto, não há um debate, em decorrência da própria dinâmica eleitoral que se apresenta, sobre projetos para o país.

Quem assumir se verá diante de enormes desafios sociais, políticos e econômicos, com uma governabilidade cada vez mais frágil e pouco tempo para “dar certo”.

Conclusões e sinais de esperança – Para o Grupo de Análise não é simples, mas é fundamental retomar os caminhos da esperança. Os movimentos sociais e populares ganharam nova força e as ruas em 2022. Experiências comuntárias, populares e organizadas, como as experiências espalhadas pelo país da Economia de Francisco e Clara.

Que em 2022 saibamos encontrar com diálogo e esperança, a nossa conversão.

A análise de Conjuntura na íntegra pode ser acessada (aqui).

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