PUC-SP: 75 anos a serviço da missão da Igreja

Cardeal Odilo Scherer preside missa pelos 75 anos de fundação da PUC-SP, na sexta-feira, 20 (foto: Luciney Martins/O SÃO PAULO)

A Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) completou 75 anos de fundação no domingo, 22. Para marcar o jubileu, foi programada uma série de eventos religiosos e acadêmicos, abertos com uma missa presidida pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano de São Paulo, na sexta-feira, 20.

A Eucaristia reuniu professores, alunos, administradores e colaboradores da instituição, na Paróquia Imaculado Coração de Maria, também conhecida como Capela da PUC, anexa ao campus Perdizes, na zona Oeste da Capital.

EDIFICAÇÃO DO REINO DE DEUS

Na homilia, Dom Odilo ressaltou que, como universidade pontifícia, a PUC-SP está ligada ao Papa e, portanto, “está no coração da Igreja e a serviço daquilo que é próprio da sua missão”.

O Arcebispo, que também é Grão-Chanceler da instituição, acrescentou que a PUC-SP contribui para a edificação do Reino de Deus a partir daquilo que lhe próprio como universidade. “A PUC-SP não é como um colégio, uma paróquia ou um mosteiro. É uma universidade, aberta à universalidade do pensamento, confrontos e ideias”, afirmou.

“Como comunidade acadêmica, a PUC-SP é sinal da sociedade que desejamos, com valores altos, da busca da convivência. É sinal de esperança e de paz”, sublinhou o Cardeal, reforçando que todos os que fazem parte da Universidade, estudantes, docentes, administradores e demais profissionais, são chamados a fazer a sua parte para que a PUC realize sua missão.

HISTÓRIA

Fundada em 22 de agosto de 1946, a PUC-SP é mantida pela Fundação São Paulo e surgiu da união da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de São Bento, fundada em 1908, e da Faculdade Paulista de Direito. Em 1947, o Papa Pio XII concedeu à universidade católica o título de pontifícia, de modo que em seus estatutos há o compromisso de que suas atividades sejam regidas pelos princípios da doutrina católica e fiéis aos ensinamentos da Igreja nas questões de fé e de moral.

‘Pátio da cruz’ da PUC-SP, em 1950 (Arquivo/PUC-SP)

“No cumprimento de sua missão, a PUC-SP orienta-se, fundamentalmente, pelos princípios da doutrina católica. Dentro desse espírito, assegura a liberdade de investigação, de ensino e de manifestação de pensamento, objetivando sempre a realização de sua função social, considerada a natureza e o interesse público de suas atividades”, descreve a missão da Universidade.

Em 1969, a Universidade criou o primeiro curso organizado de pós-graduação do país. Em 1971, surgiu o Ciclo Básico de Ciências Humanas, que valorizava como indissociáveis o ensino, a pesquisa e a extensão.

Em 1973, a Faculdade de Medicina e a Faculdade de Enfermagem de Sorocaba, ambas fundadas em 1951 e pioneiras como faculdades da área da Saúde fora do eixo das grandes capitais, foram incorporadas à PUC-SP, criando o campus Sorocaba.

PERSEGUIDA

Nesse período, o Brasil vivia sob o regime militar. A PUC-SP, então, contratou professores que haviam deixado as instituições públicas em que trabalhavam, aposentados compulsoriamente pela ditadura. Passaram a fazer parte dos quadros da instituição intelectuais como Florestan Fernandes, Octavio Ianni, Bento Prado Jr., José Arthur Gianotti, entre outros.

A Universidade Católica também sediou eventos acadêmicos e estudantis que denunciavam a violação de direitos fundamentais da população. Isso resultou, inclusive, na invasão do campus Monte Alegre por militares, que prenderam professores, alunos e funcionários.

EXPANSÃO

A partir dos anos 1980, a graduação e a pós-graduação cresceram em número de cursos e alunos; a Coordenadoria Geral de Especialização, Aperfeiçoamento e Extensão (Cogeae), criada em 1983, também ampliou suas atividades; a pesquisa (mestrados, doutorados e iniciação científica) seguiu o mesmo caminho.

Às áreas de reconhecida excelência e tradição se juntaram outras, inovadoras: Gerontologia; Relações Internacionais, Comunicação e Artes do Corpo, Multimeios, Tecnologia e Mídias Digitais, Engenharia Biomédica, Gestão Ambiental, Ciências Econômicas com ênfase em Comércio Internacional – a primeira graduação do país nessa área; Arte: história, crítica e curadoria; e Conservação e Restauro.

A Universidade também passou a apostar nos cursos tecnológicos superiores. Foram criados novos campi – Marques de Paranaguá, Santana, Barueri e Ipiranga –, além de unidades suplementares, que marcaram a expansão da PUC-SP para outras regiões da cidade e do estado de São Paulo.

Entre os ex-alunos da PUC-SP, destacam-se figuras notáveis da sociedade brasileira, como o ex-presidente da República, Michel Temer; o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin; o procurador-geral da República, Augusto Aras; o educador Paulo Freire; o jornalista Carlos Alberto di Franco; o empresário e ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior,  Luiz Fernando Furlan, o ex-governador de São Paulo, André Franco Montoro, e muitos outros. 

RECONHECIMENTO

Em entrevista ao SÃO PAULO, a reitora da PUC-SP, Maria Amalia Pie Abib Andery afirmou que a instituição chega aos 75 anos reconhecida e respeitada, nacional e internacionalmente.

“Hoje, a PUC-SP tem contatos e interações com universidades do mundo afora. É reconhecida pela qualidade da formação dos estudantes, por seu corpo docente, pela produção de conhecimento e por seu impacto social”, destacou Maria Amalia.

A Reitora enfatizou o caráter comunitário da instituição que, além de formar profissionais, atua diretamente na sociedade por meio da sua estrutura de serviços, como o hospital universitário em Sorocaba, onde 80% dos atendimentos são realizados pelo Serviço Único de Saúde (SUS), incluindo a clínica psicológica e serviços sociais e jurídicos, entre outros.

Além disso, o espaço da universidade acolhe seminários, eventos culturais, acadêmicos e religiosos, sem contar os centros de pesquisa das várias áreas do saber, que oferecem dados e estudos sobre assuntos de interesse da sociedade. Um exemplo disso foi a atuação da Coordenadoria de Estudos e Desenvolvimento de Projetos Especiais (Cedepa) no desenvolvimento da metodologia da pesquisa de campo da realidade religiosa e pastoral das paróquias durante o sínodo arquidiocesano de São Paulo, em 2018. 

Dom Odilo Saúda a reitora, Maria Amalia Andery (foto: Luciney Martins/O SÃO PAULO)

COMPROMISSO COM O SABER

Maria Amalia Pie Abib Andery também sublinhou o compromisso da Igreja Católica com a educação, recordando que as primeiras universidades nasceram no ambiente eclesiástico.

“A Igreja Católica sempre esteve comprometida com a formação de consciências por meio do conhecimento, do incentivo à pesquisa e à produção cientifica oferecidos não apenas à sua comunidade, mas ao mundo”, afirmou a Reitora, recordando as centenas de  milhares de alunos e professores que passaram pela PUC-SP durante esses 75 anos e que deram e dão sua contribuição para construir uma sociedade melhor.

“A PUC-SP forma consciências, cidadãos, pessoas comprometidas com o bem comum”, acrescentou a Reitora, docente da instituição desde 1978. Reproduzindo o slogan famoso entre estudantes e professores da instituição, Maria Amalia garantiu: “Eu tenho muito orgulho de ser PUC-SP”.   

Católica e pontifícia

O título de pontifícia é concedido pela Santa Sé a algumas universidades confessionais católicas, como sinal de um mais estreito vínculo com a Igreja Católica. Este título se dá geralmente pela tradição acadêmica e o trabalho realizado em conformidade com os valores e com a doutrina da Igreja.

Esse reconhecimento só pode ser outorgado pela Congregação para a Educação Católica, organismo da Cúria Romana que atua, em nome do Papa, como uma espécie de “ministério da educação” da Santa Sé.  

Também recebem esse título as universidades e faculdades eclesiásticas, aquelas instituições de ensino superior que concedem títulos acadêmicos reconhecidos pela Igreja nas áreas da Teologia, Sagradas Escrituras, Filosofia e Direito Canônico.

TRADIÇÃO

Portanto, nem toda pontifícia universidade católica confere títulos eclesiásticos, mas tem em sua natureza e identidade o estreito vínculo com a instituição católica, que, inclusive, a mantém. De igual modo, nem toda universidade católica possui o título de pontifícia.

As universidades pontifícias mais antigas do mundo são a Pontifícia Universidade São Tomás de Aquino, fundada em 1222, e a Pontifícia Universidade Gregoriana, fundada em 1551.

A relação da Igreja Católica com as universidades está na origem dessas instituições, que nasceram como extensões dos colégios episcopais da Idade Média, nos quais os jovens estudantes aprendiam o domínio das artes e das ciências humanas. A universidade mais antiga em funcionamento é a de Bolonha, na Itália, fundada em 1088.

DESENVOLVER MENTES E CORAÇÕES

Durante um discurso aos membros da Federação Internacional das Universidades Católicas (Fiuc), em 2019, o Papa Francisco ressaltou que, com a abertura universal da qual deriva o seu nome, universitas, as universidades católicas devem ser “o lugar onde as soluções para o progresso civil e cultural das pessoas e da humanidade, marcados pela solidariedade, seja perseguido com constância e profissionalismo, considerando o que é contingente sem perder de vista o que tem um valor mais geral”.

O Pontífice também sublinhou o papel dessas instituições na formação de líderes e salientou a necessidade de desenvolver não só a mente, mas também o “coração”, a consciência e as habilidades práticas do estudante. “O saber científico e teórico deve se amalgamar com a sensibilidade do estudioso e pesquisador, a fim de que os frutos do estudo não sejam adquiridos em sentido autorreferencial, apenas para afirmar a própria posição profissional, mas sejam projetados em sentido relacional e social”, disse. 

Por fim, Francisco afirmou que o caminho que a Igreja, e com ela os intelectuais católicos, deve percorrer, é sintetizado pelo que escreveu o patrono da Fiuc, São John Henry Newman: “A Igreja não tem medo do conhecimento, mas purifica tudo, não sufoca elemento algum da nossa natureza, mas cultiva tudo”.

PUC-SP, fundada em 1946 (foto: Luciney Martins/O SÃO PAULO)

FÉ E RAZÃO

Durante o encontro com diretores e representantes da comunidade acadêmica da PUC-SP, em 2018, o Cardeal Giuseppe Versaldi, Prefeito da Congregação para a Educação Católica reforçou que a relação entre a Igreja e as universidades católicas não diminui a autonomia dessas instituições de ensino do ponto de vista acadêmico e cientifico.

O Cardeal ressaltou, ainda, a complementaridade entre a fé a razão. “A fé sem a razão pode cair no sentimentalismo, no subjetivismo, na emotividade. A razão sem a luz da fé corre o risco de autolimitar-se, de não ver além daquilo que ela conhece sem compreender aquilo que ainda é obscuro, mas que possui uma realidade que o coração humano intui”, acrescentou.

“Que desta universidade católica possam sair leigos empenhados no campo político e social, que não esqueçam aquilo que aprenderam para não se deixar levar pela mentalidade do mundo. Que sejam capazes de ir na contracorrente em meio à indiferença”, disse o Prefeito, acrescentando que aqueles que se formam nas universidades católicas devem, como devedores da formação recebida, empenhar-se na transformação da sociedade. 

Evento acadêmico

As comemorações do jubileu da PUC-SP continuarão com a realização de um evento acadêmico na terça-feira, 24, às 18h, na qual serão recordados os momentos marcantes da história da instituição e seu legado para a sociedade.

Participarão desse evento o Cardeal Scherer, a Reitora, o secretário estadual da Educação, Rossieli Soares da Silva, e o secretário municipal de Educação, Fernando Padula. 

O ato será transmtido pelas plataformas digitais: Facebook (@pucsp.oficial) e YouTube (tvpuc).

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