‘A PUC-SP tem a vocação para formar pessoas que edifiquem o bem comum’

Afirmou o Cardeal Scherer, em evento comemorativo dos 75 anos da PUC-SP

Scretário estadual da Educação, Rossiele Soares, fala em sesã solene pelos 75 anos da PUC-SP (foto: Comunicação/PUC-SP)

Uma sessão solene realizada na terça-feira, 24, no Teatro Tuca, em Perdizes, marcou as comemorações dos 75 anos da Pontifícia Universidade Catolica de São Paulo (PUC-SP), celebrados no último dia 22.

Participaram do evento acadêmico o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano de São Paulo e Grão-Chanceler da PUC-SP, o Cardeal Cláudio Hummes, Arcebispo Emérito de São Paulo, a Reitora Maria Amalia Pie Abib Andery, e os secretários estadual e municipal da Educação, Rossiele Soares da Silva e Fernando Padula Novaes. Também estiveram presentes membros de outras instituições de ensino superior, integrantes da Reitoria, da Fundação São Paulo, mantenedora da PUC-SP, professores, alunos e funcionários.

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Universidades

Em seu discurso, a Reitora da PUC-SP recordou que o jubileu da PUC-SP acontece no contexto excepcional da pandemia da COVID-19, que vitimou mais de 575 mil brasileiros. “Entre esses mortos, estão membros de nossa comunidade. Sentimos cada perda e nos solidarizamos com suas famílias, amigos e colegas”, afirmou.

Ao falar sobre o papel das universidades para a sociedade, Maria Amalia enfatizou que essas são “instituições necessárias para soberania de um país, para o bem-estar do seu povo e para  construção de sociedades que respeitam a cidadania” e acrescentou: “universidades são necessárias para humanizar o mundo”.

A Reitora recordou, ainda, que a universidade é uma instituição tardia no Brasil, sendo que a primeira, a Universidade Nacional, no Rio de Janeiro, foi fundada em 1920.

“Inicialmente proibida de construir universidades no Brasil, na contramão da história de quase mil anos das universidades no mundo, a Igreja Católica, que sempre esteve presente, desde o século XVIII, na educação superior brasileira., finalmente obteve, somente em 1945, a autorização para criar a sua primeira universidade. Cria-se, assim, a Universidade Católica do Rio de Janeiro… E já no ano seguinte, a então Universidade Católica do Estado de São Paulo, mentida pela Fundação São Paulo, desde outubro de 1946 e, logo depois, já em 1947, transformada em Pontifícia Universidade Católica de São Paulo”, relatou Maria Amalia.

Excelência acadêmica

A Reitora sublinhou que a PUC-SP chega aos 75 anos com 18  mil estudantes, mais de 1,2 mil professores e mais de mil funcionários. São 36 cursos de  graduação, 30 de mestrado, 22 de doutorado, 35 de pós-graduação latu sensu, especialização ou MBA, 25 programas de residência médica e uma residência de enfermagem.

“A Universidade continua presente nas tradicionais áreas de Humanidades, Ciência Sociais, Ciências Sociais Aplicadas e Letras, que a caracterizaram inicialmente. Mas, hoje, está presente também nas áreas de Artes de Engenharias, tem experiência na área médica e de saúde, cresce na área de computação e dá passos importantes em áreas de tecnologias”, observou Maria Amalia.

Por fim, a Reitora sublinhou: “Se temos ou ambicionamos um futuro como sociedade, precisaremos ter universidades. Mas, para construirmos um futuro, teremos que assumir compromissos e permitir que tais compromissos sirvam de guias, marcos e marcas de nossos projetos e ações”.

Legado para a educação

Entre os diversos aspectos que fazem da PUC-SP uma instituição notável para a  sociedade, Fernando Padula destacou o papel da Universidade católica na formação de professores da educação básica da rede pública do estado e do município de São Paulo.

Em especial, ele recordou quando, em 1996, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) passou a exigir a formação superior dos professores da educação básica, a PUC-SP se uniu à USP, à Unesp e à Secretaria Estadual da Educação para criar um programa de formação universitária que preparou mais de 5 mil professores.

O Secretário recordou, ainda, o compromisso social da PUC-SP por meio de seus programas de concessão de bolsas de estudo democratizando o acesso ao ensino superior. “Festejemos esses 75 anos, agradeçamos por sua existência e desejamos vida longa à PUC-SP”, completou Padula.

Já Rossieli Soares afirmou que é difícil medir o tamanho da história da PUC-SP, quando se pensa na quantidade de pessoas que foram direta ou indiretamente impactadas pela existência da universidade. Nesse sentido, o Secretario recordou que aqueles que não foram alunos da PUC-SP, tiveram por exemplo, professores formados pela instituição.

“Quando olhamos para a formação das crianças neste estado e pensamos quantos professores passaram pela PUC-SP”, afirmou o Secretário, salientando ser impossível olhar para o setor educacional sem destacar as grandes universidades cuja responsabilidade social e atuação.

Presente e futuro

Grão Chanceler da PUC-SP de 1998 a 2006, Dom Cláudio afirmou que a instituição tem um passado memorável por sua importância no específico mundo acadêmico e por seu engajamento na defesa dos direitos humanos, da democracia e do humanismo integral.

No entanto, o Cardeal Hummes convidou os presentes a olharem para a missão da Universidade  “hoje e amanhã”. “Estou convencido, que nessa sua missão, a PUC-SP irá continuar a sua vocação de cultivar e ensinar as ciências teóricas, abstratas e universais, sem se deixar influenciar por negacionismos infundados. Mas, ao mesmo tempo, deverá, sempre de novo, sair ao encontro da realidade concreta, da comunidade humana, complexa e interpeladora em que está situada, para escutar”, disse.

Ação de graças

Na conclusão da sessão acadêmica, o Dom Odilo ressaltou que a celebração de 75 anos é um jubileu de diamante e, por isso, ocasião de elevar ação de graças a Deus, recordar o caminho percorrido e projetar o futuro. “Temos um momento precioso para dar a nossa contribuição para a nossa universidade”, afirmou.

“A universidade é também universalidade e, por isso, espaço aberto para a diversidade de pensamentos, convicções e contribuições, de sonhos… A universidade é um pequeno universo, um espaço de experiência da humanidade, lugar de sonhar e projetar a sociedade. A universidade é chamada a ser uma espécie de laboratório da sociedade que queremos ser e queremos ter”, enfatizou o Arcebispo.

Por fim, o Cardeal Scherer afirmou que a universidade é chamada a construir a esperança de uma sociedade melhor e digna para toda pessoa. Recordando o convite do Papa Francisco para um novo pacto educativo global, Dom Odilo, sublinhou que a PUC-SP deve ser o lugar onde se eduque para aprimorar a convivência social a partir dos valores que edifiquem a pessoa humana.

“PUC-SP, esta é a tua vocação; contribuir, à sua maneira, para a formação de pessoas que edifiquem o bem comum. É chamada a propor valores a partir do patrimônio espiritual e da experiência milenar da Igreja Católica”.

Assista à íntegra da sessão acadêmica pelos 75 anos da PUC-SP:

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