
Na segunda-feira, 2, o Cardeal Odilo Pedro Scherer presidiu, na Catedral da Sé, a missa da Festa da Apresentação do Senhor. A celebração também marcou o 24º aniversário de ordenação episcopal do Arcebispo Metropolitano de São Paulo, reunindo bispos auxiliares, sacerdotes, religiosos e fiéis da Arquidiocese.
Gaúcho de Cerro Largo (RS), Dom Odilo Pedro Scherer nasceu em 21 de setembro de 1949. Cresceu em Toledo (PR), onde foi ordenado sacerdote em 7 de dezembro de 1976. Nomeado Bispo Auxiliar de São Paulo por São João Paulo II em 2001, foi ordenado bispo em 2 de fevereiro de 2002. Em 2007, foi nomeado pelo Papa Bento XVI como sétimo Arcebispo Metropolitano de São Paulo.
CONSAGRAÇÃO A DEUS

Na homilia, Dom Odilo destacou o sentido da consagração apresentado na liturgia da Festa da Apresentação do Senhor, recordando que Jesus “foi consagrado a Deus desde o início” e que toda consagração pertence ao Senhor. Ao relacionar o tema com o Dia Mundial da Vida Consagrada, celebrado em 2 de fevereiro, o Cardeal dirigiu uma prece especial pelos religiosos e religiosas presentes na Arquidiocese de São Paulo. Segundo ele, a vida consagrada, vivida nos diversos carismas da Igreja, é chamada a ser “luz do Evangelho para o mundo”.
O Arcebispo rezou para que Deus abençoe os consagrados, conceda novas vocações e sustente especialmente aqueles que, já idosos ou enfermos, continuam a testemunhar a fé. “Queremos rezar nas intenções dos consagrados e consagradas a Deus, para que possam viver bem este carisma e assim ajudar a ser luz do Evangelho para o mundo”, afirmou.
Ao final da homilia, Dom Odilo fez memória de seu próprio caminho episcopal, agradecendo a Deus pelos 24 anos de ministério. Ordenado bispo em 2 de fevereiro de 2002, na Catedral de Toledo (PR), ele recordou que, com a data celebrada, inicia seu ano jubilar episcopal. “Daqui a um ano, completo 25 anos de bispo, se Deus quiser e me der vida. Agradeço também as orações para que eu possa ser fiel ao ministério, ao serviço que me foi confiado”, disse.
FIDELIDADE

No fim da celebração, Padre Luiz Eduardo Pinheiro Baronto, Cura da Catedral da Sé, dirigiu uma saudação ao Arcebispo em nome da Arquidiocese, destacando que celebrar o aniversário de ordenação episcopal “não é apenas contar o tempo que passou”, mas reconhecer um caminho marcado por fidelidade, escolhas e serviço. “Não estamos falando de carreira eclesiástica, mas de uma vocação e de confiança naquele que nos chamou”, afirmou.
O Sacerdote recordou as origens simples da vocação de Dom Odilo, no contexto familiar do interior do Paraná, e ressaltou sua sólida formação teológica, parte dela realizada em Roma. Destacou ainda a fidelidade do Arcebispo aos sucessivos pontificados e o exercício do ministério episcopal em tempos complexos para a Igreja. Segundo ele, ao longo destes anos, Dom Odilo tem sido “sentinela da fé, guardião da unidade, servidor da comunhão”.
Padre Baronto sublinhou que o Arcebispo recorda à Igreja que ela não se governa por improvisos ou ideologias, mas pelo discernimento e pela fidelidade ao Evangelho. Ao final, pediu que Deus continue a conceder a Dom Odilo sabedoria, coragem serena e esperança firme no exercício de seu ministério.
PEDIDO DE ORAÇÕES

Em resposta, o Cardeal agradeceu as palavras e pediu orações para permanecer fiel à missão recebida, reconhecendo os limites próprios da condição humana. Também agradeceu a colaboração dos bispos auxiliares, do clero e dos fiéis da Arquidiocese. Em tom de memória agradecida, recordou os quatro papas sob os quais exerceu o ministério episcopal — São João Paulo II, Bento XVI, Francisco e o atual Papa Leão XIV —, além de bispos, sacerdotes e familiares que marcaram sua trajetória.
“Cada dia que Deus nos dá é um dia de graça, para viver bem, fazer o bem e exercer a missão recebida”, afirmou, destacando ainda que o episcopado é, ao mesmo tempo, um grande dom e uma grande responsabilidade, a ser vivida em comunhão com o Papa, os bispos, o clero e o povo de Deus.
Ao concluir, exortou os fiéis à perseverança no chamado cristão: “Deus que inspirou o bom propósito da fé e da vida cristã conserve cada um perseverante até o fim”.
SAUDAÇÃO DO PADRE BARONTO AO CARDEAL SCHERER
Estimado Dom Odilo, celebrar seu aniversário de ordenação episcopal não é apenas contar o tempo que passou. Vinte e quatro anos não são apenas uma soma de dias, mas um caminho marcado por escolhas, cruzes, alegrias e esperança. E por isso, contemplamos com o senhor este caminho e podemos dizer: Deus é fiel e sua fidelidade permanece para sempre. Disse Jesus: Vocês não me escolheram, mas eu os escolhi para irem e darem fruto, fruto que permaneça. Então, não estamos falando de carreira eclesiástica, mas de uma vocação e de confiança naquele que nos chamou.
A história de Dom Odilo começa longe dos centros de decisão e de governo da Igreja, no chão simples do Paraná, entre famílias de imigrantes alemães que aprenderam cedo o valor do trabalho e da fé transmitida em casa. A vocação nasce quase sempre assim: pequena, doméstica, silenciosa. Ali, onde a fé não é discurso nem ideia, mas vida concreta.
Em sua sólida formação teológica, parte dela feita em Roma, aprendeu que pensar a fé é um ato de amor à Igreja. E somos hoje prova do quanto Dom Odilo leva a sério isso. Desde sua nomeação como bispo já passaram quatro papas e, a todos eles, dom Odilo foi fiel e obediente.
Desde sua ordenação, Dom Odilo passou a carregar no coração as alegrias e as angústias do seu rebanho em São Paulo. Aprendeu que governar é servir e que decidir é, muitas vezes, sofrer. Seu ministério episcopal vem sendo exercido em tempos complexos: tempos de secularização, de crises internas e externas, de polarizações que ferem a comunhão. E justamente aí se revelou uma marca evangélica fundamental: a fidelidade sem estridência. Uma fidelidade que não precisa gritar para ser firme; que não precisa ceder para ser misericordiosa.
A Palavra de Deus fala do pastor que vigia enquanto outros dormem, que permanece quando muitos desistem, que sustenta a esperança quando ela parece frágil. Assim é o bispo e assim tem sido Dom Odilo nestes 24 anos: sentinela da fé, guardião da unidade, servidor da comunhão.
Dom Odilo nos recorda que a Igreja não se governa com improvisos, mas com discernimento; não com ideologias, mas com o Evangelho; não com medo do mundo, mas com confiança em Cristo.
Que o Senhor, Pastor eterno, continue a conceder-lhe o dom da sabedoria, da coragem serena e da esperança firme. Que Maria, Mãe da Igreja, o envolva com seu silêncio fecundo. E que o Espírito Santo, que um dia o consagrou, continue a conduzir seus passos, até que tudo seja plenamente recapitulado em Cristo.
Obrigado, Dom Odilo, por estes 24 anos de episcopado vividos como serviço e com fidelidade.





